TRAGÉDIA

Bois explorados para consumo morrem afogados após balsa naufragar no Pará

Mariana Dandara | Redação ANDA

Sem conseguir respirar, ingerindo uma grande quantidade de água, nadando em vão presos no interior da balsa inundada, os bois que morreram no Pará suportaram extremo sofrimento


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Foto: Reprodução

Dezenas de bois explorados para consumo humano morreram afogados em Muaná, no arquipélago do Marajó, no Pará, após a balsa que os transportava naufragar na tarde da última quarta-feira.

Testemunhas informaram que a embarcação afundou por volta das 13 horas no momento em que os bois iam desembarcar e que o acidente aconteceu porque a balsa sofreu um desequilíbrio. Nenhum humano morreu.

O caso deve ser investigado pela Capitania dos Portos da Amazônia Oriental, que informou que irá instaurar um Inquérito Administrativo para apurar possíveis causas e responsáveis pelo acidente.

Desespero e sofrimento

Sem conseguir respirar, ingerindo uma grande quantidade de água, nadando em vão presos no interior da balsa inundada, os bois que morreram no Pará suportaram extremo sofrimento. Desesperados, eles certamente tentaram se salvar, mas não conseguiram.

Ao contrário do que aconteceria se as vítimas fossem humanos, as ações da sociedade civil e das autoridades são extremamente falhas e insuficientes nesses casos – quando não são inexistentes. Sem socorro, os bois agonizam até a morte.

Acidentes que se repetem

Há cinco anos, milhares de bois morreram afogados em Barcarena, no Paraná, após o navio Haidar naufragar. O acidente ficou marcado pelo sofrimento ao qual os bois foram submetidos e expôs também os riscos da exportação de animais vivos. Confinados em pequenos espaços nos navios, animais são transportados aos milhares, em condição de extremo estresse. Cercados pelos próprios excrementos, sem ventilação adequada, muitas vezes agredidos por meio de picanas elétricas usadas para forçá-los a entrar na embarcação, esses animais sofrem por semanas dentro das embarcações. Os que não morrem em acidentes ou durante o percurso, por não suportarem os maus-tratos, perdem suas vidas na chegada ao país de destino.

Os cinco mil bois vivos transportados pelo navio Haidar, vítimas do paladar humano, morreram em 6 de outubro de 2015, quando a embarcação afundou no porto de Vila do Conde, em Barcarena. Impactos ambientais graves, comprovados em laudos, foram causados pelo acidente, que poderia ter sido evitado não fosse a sede por lucro de pecuaristas e o costume de consumir produtos de origem animal.

Muitos bois morreram presos à embarcação. A luta pela própria vida não resultou em nada além de desespero para esses animais, que foram condenados a uma morte cruel. Sem conseguir sair do navio, certamente foram expostos não só ao sofrimento físico, pela ingestão de grandes quantidades de água, mas também ao tormento psicológico.

Para combater a crueldade animal, além de proibir as exportações de animais vivos, é necessário que, individualmente, as pessoas mudem seus hábitos, deixando de consumir produtos de origem animal.


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