REPÚDIO

‘A farra do boi é uma crueldade coletiva e medieval’, diz ex-ministro Carlos Minc

Mariana Dandara | Redação ANDA

O ambientalista também aproveitou a oportunidade para dar apoio à juíza Rosana Navega Chagas, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), que pediu que Santa Catarina impeça as farras


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Foto: Grupo de Operações e Resgate/Divulgação

O ambientalista e ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, publicou um vídeo por meio do qual se posicionou contra a farra do boi. Pautado na crueldade, esse tipo de evento é condenado pelo ambientalista há décadas.

Proibida por lei, a farra do boi continua a se perpetuar em Santa Catarina, condenando inúmeros bois a extremo sofrimento. Em 2021, já foram registradas seis ocorrências de maus-tratos contra animais explorados nessas práticas, segundo dados da Polícia Militar de Santa Catarina.

“A Farra do Boi é uma crueldade coletiva e medieval que, depois de muitas denúncias de ecologistas, sobretudo, da atividade em Santa Catarina, foi proibida por leis federais e por decisão do supremo, mas que está voltando em plena pandemia”, disse Carlos Minc no vídeo.

O ambientalista também aproveitou a oportunidade para dar apoio à juíza Rosana Navega Chagas, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), que pediu que Santa Catarina impeça as farras.

“Se aceitarmos a tortura dos animais, em breve não estaremos mais vivendo numa civilização, e sim em meio à barbárie”, disse Carlos Minc em entrevista ao Estadão.

Há 10 anos, quando era presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o ex-ministro fez parte de uma manifestação em frente à sede da Justiça Federal do Rio de Janeiro, com cerca de 80 ambientalistas, para protestar contra a farra do boi.

Prática cruel e criminosa

Promover a farra do boi é crime previsto no artigo 32 da Lei Federal n. 9.605/1998, conforme acórdão do Supremo Tribunal Federal (STF). Os infratores podem ser punidos com pena de três meses a um ano de detenção, com aumento de um terço da pena em caso de morte do animal.

Além da legislação federal, a farra do boi é proibida pela Lei Estadual 17.902/2020, que prevê multa de até R$ 10 mil para quem participar desse evento em Santa Catarina. De autoria do deputado Marcius Machado (PL), a medida visa coibir a farra do boi que, mesmo proibida, continua sendo promovida em várias cidades de Santa Catarina em decorrência da impunidade.

“A Polícia Civil alerta que essa prática não é uma tradição cultural, ela constitui crime, constitui uma infração administrativa cuja pena vai até R$ 10 mil. E também, no caso de reiteração, a gente alerta que será representado pela prisão preventiva de eventuais envolvidos”, informou ao G1 o delegado Ricardo Melo.

De acordo com o deputado estadual Marcius Machado (PR), a farra do boi é um ritual típico do litoral brasileiro, trazido pelos descendentes de açorianos, que consiste em soltar um boi com fome em um local ermo e correr atrás do animal até que ele fique exausto. Os participantes perseguem o boi munidos de pedaços de pau, pedras, chicotes, facas, cordas e lanças.

“Estando próximo de morrer, os ‘farristas’ o matam e dividem a carne. Ou seja, a crueldade acaba com um churrasco”, contou Machado. “Há a necessidade de endurecer a penalidade com o fim de coibir práticas nefastas, como forma de educação, para que as próximas gerações não cometam o mesmo erro. Como diz o slogan: farra do boi não é cultura, mas sim tortura”, concluiu


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