SOFRIMENTO

Porcos explorados para consumo morrem congelados dentro de caminhões

Mariana Dandara | Redação ANDA

Os porcos, que estavam presos em 40 caminhões, ficaram expostos às baixas temperaturas, sem serem desembarcados, por pelo menos uma hora


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Imagem de um porco
Pixabay

Quase 100 porcos explorados para consumo humano morreram congelados dentro de caminhões em um matadouro na cidade de Crete, no estado norte-americano de Nebrasca. As mortes aconteceram entre os dias 15 e 16 de fevereiro, quando os termômetros do município chegaram a marcar 27 graus abaixo de zero.

De acordo com a organização de proteção animal PETA, os porcos, que estavam presos em 40 caminhões, ficaram expostos às baixas temperaturas, sem serem desembarcados, por pelo menos uma hora.

Diante do caso, a entidade escreveu uma carta e enviou ao gabinete do xerife do Condado de Saline solicitando que a morte dos animais fosse investigada e punida sob a Lei de Bem-Estar dos Animais da Pecuária de Nebrasca.

“Um fiscal do Departamento de Agricultura (USDA) também viu os porcos sofrerem lesões por congelamento, que mediam até 30 centímetros, em cada curral no celeiro de recebimento, e já tinha visto outros porcos sofrerem com essas lesões no começo de fevereiro”, afirmou Colin Henstock, investigador da PETA, na carta enviada ao xerife Alan Moore. “Estas descobertas parecem constituírem dezenas de violações criminais da Lei de Bem-Estar dos Animais da Pecuária de Nebraska”, completou.

Em vigor desde 2010, a legislação não impede que animais sofram ao serem mortos para consumo, mas proíbe que sejam abandonados de maneira intencional ou submetidos à negligência e maus-tratos extremos.

A realidade dos porcos no Brasil

Os porcos explorados para consumo humano vivem vidas miseráveis. Os machos ficam em baias, sem contato com a grama e com a lama nas quais adoram se esfregar. Quando filhotes, têm seus dentes cerrados, seus rabos cortados e são castrados sem receber anestesia durante todos esses procedimentos – a ausência de anestesia se dá por motivo de economia, já que o objetivo da agropecuária é aumentar os lucros, mesmo que isso submeta bebês inocentes a uma dor insuportável.

As fêmeas passam a vida aprisionadas em celas gestacionais tão pequenas que as impedem de se movimentar. Quando seus filhotes nascem, elas mal têm contato com eles, já que o máximo que a cela permite é que os porquinhos mamem. Isso quando não são forçadas a ver seus bebês serem maltratados. Uma investigação da ONG Internacional Mercy For Animals em uma granja cooperada da empresa Aurora, em Xanxerê, no estado de Santa Catarina, provou isso ao mostrar uma porca desesperada vendo seu filhote gritar de dor durante a castração sem anestésico.

Ao final de tanta tortura, todos esses animais têm o mesmo destino: o matadouro. O “método humanitário” – é assim que chamam o ato de tirar a vida de quem quer viver, uma ironia – não tem nada de humanitário. Para que fiquem atordoados, os porcos são eletrocutados. Quem já tomou um choque, sabe que é doloroso. Em seguida, são esfaqueados na jugular. Considerando os dados do IBGE – um porco morto por segundo no Brasil, o que dá 60 porcos assassinados por minuto -, percebe-se que a matança de animais é feita de maneira ágil nos matadouros. Com tanta rapidez, não é possível garantir que todos os porcos estarão inconscientes no momento da facada. Pelo contrário, é esperado que muitos deles estejam conscientes e sofram uma dor extrema ao terem sua jugular cortada.

Essa é, de maneira resumida, a vida de um porco na indústria – que também enfrenta transportes precários, em caminhões superlotados, em meio aos próprios excrementos, antes de chegar ao matadouro.

De acordo com um ex-funcionário de um matadouro norte-americano, já aconteceu de porcos pedirem carinho para ele antes de serem mortos. O relato está no livro “Slaughterhouse: The Shocking Story of Greed, Neglect, and Inhumane Treatment Inside the U.S. Meat Industry”, da escritora Gail A. Eisnitz.

Entrevistado em uma cafeteria em Iowa, o ex-funcionário é um dos tantos trabalhadores de matadouros que concederam relatos à escritora. Segundo ele, os porcos se comportam como cães. Estudos provam que eles são tão inteligentes quanto crianças de três anos.

“Se você trabalha em um matadouro por qualquer período de tempo, você desenvolve uma atitude que te permite matar coisas sem que você se importe. […] Os porcos no matadouro já vieram até mim pedindo carinho como se fossem cachorrinhos. Dois minutos mais tarde eu tive de matá-los — bater neles até a morte com um cano. Eu não ligo.” (Prometheus Books, p. 87)

Não se engane, o caso aconteceu nos Estados Unidos, mas poderia ter sido no Brasil. E certamente casos semelhantes ocorreram aqui. A investigação feita pela Mercy For Animals em Santa Catarina e os próprios procedimentos que são padrão da indústria brasileira – como a castração sem anestesia, a eletrocussão e as matanças a facadas, citadas neste texto – provam que a crueldade contra os animais independe do território onde eles vivem. O carinho, no entanto, é bem mais escasso. Falta amor, empatia e compaixão. A ausência de respeito é latente.

Confira vídeos de investigações feitas pela Mercy For Animals em granjas de porcos no Brasil:


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