CRIME AMBIENTAL

Galos com olhos feridos são salvos após serem explorados em rinhas

Mariana Dandara | Redação ANDA

Na chácara onde os galos eram mantidos, dois homens foram encontrados e multados em R$ 273 mil cada


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Foto: RPC Londrina

A Polícia Militar Ambiental (PMA) resgatou 91 galos que eram explorados em rinhas na cidade de Cambé, no Paraná. A operação policial foi realizada na última quarta-feira (7). A prática de rinhas é proibida por lei.

No local, os galos eram mantidos confinados em gaiolas de madeira costumeiramente utilizadas por organizadores de rinhas. Com as esporas mutiladas e olhos feridos, as aves viviam aprisionadas em cativeiro e sofriam ao serem forçadas a participar das rinhas.

Na chácara onde os galos eram mantidos, dois homens foram encontrados e multados em R$ 273 mil cada. Um deles já havia sido autuado por crime ambiental após aprisionar pássaros silvestres em cativeiro em 2020. No entanto, por causa da sensação de impunidade gerada pela punição branda imposta pela legislação, a reincidência é comum.

Após serem resgatados, os galos foram encaminhados para uma instituição na cidade de Sertanópolis, situada no interior do Paraná.

Rinhas: exploração e crueldade

A briga de galos é uma prática sangrenta que envolve manipuladores criando e treinando galos para serem especialmente agressivos, de modo que um dia possam ser jogados em um cercado para lutar até a morte enquanto as pessoas apostam no vencedor. Antes da partida, os galos têm suas penas arrancadas, seus gingados cortados e armas semelhantes a adagas afixadas em seus corpos para tornar a partida ainda mais brutal e cruel.

Explorar galos em rinhas é crime previsto na Lei de Crimes Ambientais, com punição de até um ano de detenção, além de multa. A pena restritiva de liberdade, no entanto, costuma ser substituída por alternativas como a prestação de serviços à comunidade por se tratar de um crime considerado de menor potencial ofensivo.

A Lei Sansão, que aumentou a pena para maus-tratos a animais, estabelecendo punição de até 5 anos de prisão, não protege os galos, já que é destinada exclusivamente à proteção de cachorros e gatos.

Denúncias de crimes contra galos e animais de outras espécies podem ser feitas através do telefone 181.

Projeto recupera saúde mental e física de galos explorados em rinhas

A promotora de Justiça Luciana Imaculada de Paula, responsável pela Coordenadoria Estadual de Defesa da Fauna (Cedef), explica que a destinação dos galos costuma ser um desafio para os órgãos públicos que combatem as rinhas.

Para salvar esses animais, um projeto é realizado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Cedef e da 4ª Promotoria de Justiça de Formiga, em parceria com o Centro Universitário de Formiga (Unifor) e a Associação Regional de Proteção Ambiental (Arpa II) de Divinópolis.

O protocolo usado no projeto foi desenvolvido e testado, com sucesso, pelo professor da Unifor, Dênio Garcia. Após o resgate, os galos ficam em quarentena. Eles são submetidos à triagem, ressocialização e readaptação antes de serem reintegrados ao meio ambiente.

Ao final do processo, as aves recebem chips e anilhas e são doadas a proprietários rurais selecionados através de programas de agricultura familiar cadastrados na Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).

Pessoas que assinem termo de adoção no qual sejam inseridos dados de identificação da ave e da pessoa, assim como as obrigações no cuidado com o animal, também podem adotar os animais.

Além do trabalho feito com os galos, o projeto promove educação ambiental ao debater com as comunidades sobre a importância das ações de ressocialização, reintrodução e reabilitação. Durante um ano, as aves serão monitoradas para que a eficiência da técnica e o subsídio ao aprimoramento dela sejam avaliados.

Os responsáveis pelo projeto têm a expectativa de que pelos 50% dos galos sejam reabilitados.

Aves traumatizadas e anti-sociais

Os galos são submetidos a inúmeros abusos para que se tornem violentos e sejam explorados nas rinhas. É o que afirma um levantamento feito pela Central de Apoio Técnico do MPMG.

O estudo mostrou que as aves são mantidas em gaiolas pequenas e individuais, em más condições de conforto, sem água e alimento. Esse cenário aumenta o estresse dos galos, deixando-os bravos como forma de defesa.

Como consequência das rinhas, os galos ficam feridos, mutilados e sem penas em regiões do corpo.


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