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VIDAS OBJETIFICADAS

Comércio de coelhos na Páscoa revela mais uma faceta da exploração animal

Tratados como mercadorias, coelhos vivem vidas miseráveis nas mãos de criadores e, após serem comprados, muitos são abandonados

4 de abril de 2021
Mariana Dandara | Redação ANDA
3 min. de leitura
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Nesta Páscoa, dê o exemplo: não compre coelhos (Foto: Animal Equality)

Condenados a uma vida de aprisionamento, os coelhos explorados para reprodução e venda vivem confinados em gaiolas. Tratados como objetos passíveis de venda, eles são expostos ao público em pet shops de maneira que, ao observá-los, o único questionamento ético a ser feito é: se esses coelhos vivem dessa forma, presos em pequenas gaiolas, como devem viver aqueles que ficam nos bastidores do comércio, onde os olhos dos clientes não alcançam?

Neste domingo de Páscoa, se os coelhos pudessem falar, certamente pediriam para serem vistos como o que são: seres vivos sencientes, que gostam de ter espaço, de brincar na grama, e que são capazes de sentir dor e sofrer. Como eles não falam, ativistas pelos direitos animais seguem usando suas vozes para representá-los e se unem em um apelo em prol de uma vida digna para os coelhos.

Objetificados por uma sociedade capitalista que gira em torno da obtenção de lucro a qualquer custo, os coelhos foram transformados em objeto de desejo dos clientes, que os tratam como presentes a serem dados a si mesmos ou ao outro. Entusiasmadas por conta da Páscoa, muitas famílias compram coelhos por impulso, especialmente para agradar crianças, e depois acabam descartando-os ao levá-los para outros lares ou até mesmo abandonando-os na rua sem qualquer pudor.

Tratados como mercadorias, coelhos vivem vidas miseráveis (Foto: Pixabay)

Seres vivos que são, os coelhos geram gastos, dão trabalho, fazem sujeira e precisam de atenção e de espaço adequado. Mas há quem não pense em nada disso e leve um coelho para casa de maneira impulsiva e, depois, ao conhecer essa realidade, decida voltar atrás e faça o animal, que de nada tem culpa, pagar o preço por seus atos impensados.

Para que abandonos não aconteçam, não se pode optar por ter mais um membro na família sem antes observar as próprias condições – financeiras, emocionais e, no caso do espaço da casa, físicas. Além disso, é urgente que as famílias se conscientizem e entendam que animais não são objetos, tampouco mercadorias, e por isso não existem para saciar os desejos do ego humano. Por conta disso, nem coelhos, nem animais de qualquer espécie, devem ser comprados.

Coelhos explorados para venda vivem presos em gaiolas (Foto: Pixabay)

Embora o número de coelhos disponíveis para adoção seja inferior à quantidade de cães e gatos à procura de um lar, há projetos que resgatam coelhos de situações de vulnerabilidade – como o “Adote um Orelhudo” – que podem ser procurados por famílias dispostas a adotar um animal dessa espécie. O preconceito contra adultos também deve ser extinto, já que a maior parte dos coelhos para adoção não serão filhotes e todos eles, de todas as idades, merecem ser felizes em um lar seguro e repleto de amor.

Nesta Páscoa, dê o exemplo: adote com responsabilidade ou opte por presentear as crianças com um coelho de pelúcia. E ao invés de ver nessa situação uma frustração para sua família, use-a como uma forma de educar os mais novos, ensinando-os sobre a importância de tratar pelúcias como os objetos que são e coelhos como vidas.

Ensine para as crianças que coelhos de pelúcia são brinquedos e que os coelhos reais são vidas que não devem ser comercializadas (Foto: Freepik)

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