INCONSCIÊNCIA

Vídeo que mostra preguiça ‘brincando com água’ na realidade é o retrato de um animal estressado

Caroline Siqueira | Redação ANDA

Um vídeo de um bicho-preguiça, que viralizou na internet, tem sido interpretado de maneira equivocada pelas pessoas


Escute
Reprodução/Redes Sociais

Um vídeo mostrando um bicho-preguiça em um barco com a mão na água viralizou no final do mês de março. Muitas pessoas acreditaram que era uma cena fofa e que o animal estava brincando com a água. Entretanto, especialistas discordam desse pensamento.

Em entrevista ao portal Terra da Gente, o biólogo e mestrando em psicologia experimental na USP, Andrew Nunes disse que “a preguiça estava molhada dentro do barco e, como estes animais são ótimos nadadores, muito provavelmente, ela estava nadando para atravessar o rio e alguém a viu e resolveu tirá-la da água. Ela está claramente estressada e, na tentativa de sair do barco, coloca os braços para fora para tentar voltar para água. Mas como o barco estava rápido e a preguiça tem os movimentos lentos, ela não conseguia sair dali”, descreve o especialista.

Reprodução/Redes sociais

Na filmagem, algumas pessoas também acariciavam o bicho-preguiça, atitude altamente perigosa com animais silvestres e que pode gerar acidentes graves. “É normal admirarmos a beleza dos animais. Entretanto, o problema nesse caso é quando o animal está se mostrando estressado e o seu comportamento é entendido, de forma equivocada, como algo positivo”, esclarece Nunes.

Outra questão levantada pelo biólogo é a questão da humanização dos animais. Muitas pessoas querem que os animais tenham comportamentos humanos, e até mesmo interpretam algumas ações dos animais como se fossem, mas não são. Mesmo os primatas, animais mais próximos a nós na linha evolutiva, enganam. Quando eles sorriem, por exemplo, não significa que eles estão felizes, mas sim com medo e desconfortáveis.

Ao colocarmos roupas e alimentarmos os animais baseados em nossa percepção como humanos, sem pensar na dieta ideal de cada animal, estamos prejudicando a saúde deles e os estressando intensamente.

“Penso que este nosso comportamento de colocar nossas emoções nesses animais é simplesmente pelo fato de querermos ser o centro de tudo, os melhores no que fazemos e, por isso, colocamos animais nessa posição humanizada. Temos que começar a tirar nossos próprios comportamentos destes animais e pensar como realmente são os comportamentos deles”, pontua Nunes.

Frequentemente, vídeos de animais exóticos, como macacos, com roupas e recriando cenas comumente humanas viralizam na internet pelo sentimento de proximidade e fofura que eles transmitem. Isso faz com que as pessoas, leigas no assunto, queiram ter animais similares, o que consequentemente estimula o tráfico.

“Não compartilhem fotos e vídeo de primatas com roupas ou em uma situação que não seja a natural desses animais. Busquem informações do que realmente está acontecendo nos vídeos ou fotos compartilhados nas redes sociais. E se tiverem dúvidas, perguntem a um profissional da área”, finaliza Andrew Nunes.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.

Você viu?

MAUS-TRATOS

PROTEÇÃO ANIMAL

INESPERADO

ASCENSÃO

GRATIDÃO

INDEFESAS


LEIA EM PRIMEIRA MÃO AS NOTÍCIAS MAIS ANIMAIS DO MUNDO

>