SEASPIRACY

Documentário mostra impacto do consumo de peixe na devastação de ecossistemas marinhos

Mariana Dandara | Redação ANDA

Conforme apontado por ativistas pelos direitos animais e ambientais, a única solução para salvar a biodiversidade marinha é interromper o consumo de peixe.


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Foto: Animal Equality

Disponível na Neftlix, o documentário Seaspiracy traz uma reflexão necessária à respeito dos ecossistemas marinhos. Tratados como objetos inanimados, os peixes sufocam até a morte após serem retirados da água. Essa crueldade, no entanto, não é prejudicial apenas para eles, mas para os oceanos como um todo.

Conforme revelado pelo filme, cerca de 40% da pesca global não é comercializada – por ser jogada fora ou não contabilizada. Em meio a esse alto número estão golfinhos, tartarugas, tubarões e outros animais capturados acidentalmente. Muitos são jogados de volta ao mar, mas não sobrevivem por terem ficado muito tempo sem oxigênio ou sofrido algum trauma.

Todos os anos, aproximadamente 50 milhões de tubarões, animais essenciais para a preservação dos oceanos, são capturados acidentalmente. Cerca 10 mil golfinhos têm o mesmo destino na França. Os dados são da Sea Shepherd, entidade que luta pela preservação marinha.

O documentário mostra ainda que os selos que atestam a “pesca sustentável” podem ser uma farsa. Ao ser questionado sobre o caso, Mark J Palmer, do Instituto Earth Island – responsável por gerenciar rótulos que atestam que o produto é seguro para os golfinhos -, disse que não dá para ter certeza se a pesca daquele animal não causou a morte de golfinhos.

Foto: Divulgação

“Quando você estiver no oceano, como saber o que eles estão fazendo? Temos observadores a bordo – os observadores podem ser subornados”, disse Palmer, que frisou que “ninguém pode” atestar a efetividade do selo.

Diante deste cenário, há quem pense ser melhor consumir peixes criados em cativeiro. A resposta é não. No documentário dirigido e narrado pelo cineasta britânico Ali Tabrizi, a realidade da piscicultura é exposta. Um especialista que concede entrevista durante o filme chama essa atividade de “pesca selvagem disfarçada”, já que os peixes vendidos não são retirados do mar, mas muitos deles são alimentados com peixes advindos da natureza. Além disso, o salmão criado em viveiros é alimentado com uma substância química para que sua carne fique com a coloração rosa esperada pelos consumidores. Muitos deles morrem com anemia e doenças cardíacas. Outros sofrem com infestações de piolhos do mar e são comidos vivos pelos parasitas.

Voltando à pesca selvagem, as redes que capturam espécies acidentalmente, condenando golfinhos à morte, também contaminam os oceanos. Feitas de plástico, elas são abandonadas na água e, junto de outros equipamentos de pesca, são grandes responsáveis pela poluição oceânica. Na Grande Mancha de Lixo do Pacífico, no norte do Oceano Pacífico, 46% do plástico advém da pesca. Nessas redes, animais marinhos ficam presos e morrem. Outros consomem pedaços fragmentados de plástico, adoecem e também perdem a vida.

Os problemas relativos ao ecossistema, entretanto, não são os únicos a serem abordados pelo filme. Relatos brutais de trabalho escravo na Tailândia, para a captura de camarões, também são exibidos. Um deles é de um ex-pescador que foi abusado e ameaçado com uma arma. Segundo ele, cadáveres de pessoas mortas foram colocados dentro de freezers em um navio.

Foto: Animal Equality

Conforme apontado por ativistas pelos direitos animais e ambientais – e também pelo próprio diretor de Seaspiracy -, a única solução para salvar a biodiversidade marinha é interromper o consumo de peixe. Cada ação individual é importante e, por isso, é incentivada pelo diretor do documentário.

Atualmente, estamos chegando à marca de 2,7 trilhões de peixes mortos para consumo por ano. Consumidores comprometidos com a ética e a preservação ambiental, não têm outra saída senão dar o exemplo, interrompendo definitivamente o consumo de peixes – e de outros animais, já que todos sofrem e a agropecuária também devasta o meio ambiente – para deixar de ser corresponsáveis por tamanha atrocidade.


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