LIBERDADE

Elefantas que sofrem confinadas em recinto de 150 m² serão levadas de zoo para santuário

Mariana Dandara | Redação ANDA

Pocha e Guillermina deixarão um zoológico argentino considerado "catastrófico para elefantes" para viver em paz no Santuário de Elefantes Brasil (SEB)


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O chão de concreto e as grades não farão mais parte da vida das elefantas (Foto: Governo de Mendoza/Divulgação)

Os dias de sofrimento de Pocha e Guillermina estão contados. Em um mês, as elefantas poderão deixar para trás os pequenos recintos, de apenas 150 metros quadrados, nos quais foram aprisionadas no zoológico de Mendonza, na Argentina, para trilhar um novo caminho em direção ao Santuário de Elefantes Brasil (SEB), na Chapada dos Guimarães, no estado de Mato Grosso.

Confinada no zoo desde 1968, a elefanta asiática Pocha, que tem cerca de 55 anos, foi trazida da Alemanha em um barco a vapor. Sua filha, Guillermina, também não teve um destino mais feliz. Pelo contrário, nasceu no zoológico argentino 30 anos depois da chegada de sua mãe. Condenada ao aprisionamento desde o nascimento, ela nunca soube o que é viver na natureza.

O passado, no entanto, já não tem mais o mesmo peso, já que a exploração para entretenimento humano está prestes a nunca mais fazer parte da vida das elefantas, que terão sua realidade transformada. Embora não possam ser soltas na natureza – por não terem condição de sobreviver -, Pocha e Guillermina chegarão o mais perto possível da vida em liberdade. Deixarão para trás o chão de concreto e o ambiente extremamente reduzido para desfrutar – no caso de Guillermina, pela primeira vez na vida – da sensação de pisar na terra, respirar o ar puro vindo das árvores, caminhar livremente e viver em paz.

Os preparativos da transferência das duas já foram iniciados. Leandro Fruitos, que integra a equipe responsável por levar as elefantas para o novo lar através da Fundação Franz Weber, comemorou a oportunidade que esses animais tiveram.

“É muito emocionante. Cada vez que damos um passo à frente a emoção fica à flor da pele, porque os cuidadores das elefantas, os veterinários e toda a equipe observam como os animais se comportam tão bem, respondendo aos requerimentos e aos estímulos novos. Isso nos dá a certeza de que este é o momento indicado, parece que os animais sabem que algo bom vai acontecer, e estão colaborando muito”, disse Weber ao ECOA, do UOL, em entrevista à jornalista Luciana Taddeo.

A sensação de que Guillermina e Pocha sabem que algo bom as espera tem relação com as respostas das elefantas ao treinamento de reforço positivo. Duas especialistas norte-americanas realizam o treinamento há dois meses para preparar os animais para a quarentena de 30 dias que manterá ambas em isolamento sanitário – a medida respeita um protocolo de translado de fauna de um país a outro e não tem ligação com a pandemia de coronavírus. Durante o período da quarentena, as elefantas serão vacinadas, desparasitadas e submetidas a exames.

Pocha e Guillermina conhecendo as caixas de transporte (Foto: Governo de Mendoza/Divulgação)

Tamy, pai de Guillermina, será o único com quem a dupla terá contato no isolamento. Ele já vive com as duas no zoológico e será levado ao Brasil assim que for finalizada a construção de seu recinto no santuário.

Embora a transferência esteja marcada para daqui um mês, as imensas caixas de transporte nas quais Pocha e Guillermina serão levadas já estão posicionadas no recinto do zoológico para que elas se familiarizem com os ambientes nos quais permanecerão durante a viagem. As caixas serão colocadas em cima de dois caminhões para serem transportadas até a Chapada dos Guimarães, num percurso de mais de 3 mil quilômetros. Por terem uma sensibilidade olfativa aguçada, mãe e filha poderão sentir o cheiro uma da outra durante a viagem através das aberturas presentes nas caixas. Por ser um trajeto longo, foram previstas paradas técnicas a cada três horas de viagem. Para promover bem-estar e conforto às elefantas, Pocha e Guillermina poderão ter contato nesses momentos.

No ano passado, ao conceder entrevista ao ECOA, o fundador do Santuário de Elefantes Brasil, Scott Blais, disse que o zoológico argentino onde vivem os três elefantes que serão levados para o SEB é “um dos piores” já vistos por ele ao longo de seus mais de 30 anos de experiência. Segundo Blais, o local é “catastrófico para elefantes”.


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