EVENTO CRUEL

Polícia investiga farra do boi que culminou na morte de boi após queda em piscina

Mariana Dandara | Redação ANDA

A farra do boi é proibida pela Lei Estadual 17.902/2020, que prevê multa de até R$ 10 mil para quem participar desse evento em Santa Catarina


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Foto: Reprodução/GOR

A farra do boi que culminou na morte de um boi na cidade de Bombinhas, em Santa Catarina, é alvo de uma investigação da Polícia Civil que visa descobrir se os participantes do evento criminoso realizado no último sábado (27) também têm participação em outras farras do boi organizadas na mesma região no ano passado.

Promover a farra do boi é crime previsto no artigo 32 da Lei Federal n. 9.605/1998, conforme acórdão do Supremo Tribunal Federal (STF). Os infratores podem ser punidos com pena de três meses a um ano de detenção, com aumento de um terço da pena em caso de morte do animal.

Além da legislação federal, a farra do boi é proibida pela Lei Estadual 17.902/2020, que prevê multa de até R$ 10 mil para quem participar desse evento em Santa Catarina. De autoria do deputado Marcius Machado (PL), a medida visa coibir a farra do boi que, mesmo proibida, continua sendo promovida em várias cidades de Santa Catarina em decorrência da impunidade.

No evento realizado no último final de semana, cerca de 50 pessoas perseguiam um boi que, ao se desesperar em busca de abrigo, entrou em uma pousada e caiu na piscina. Não bastasse tanto sofrimento, o animal foi morto após a captura.

Imagens de câmeras de monitoramento da cidade devem auxiliar nas investigações. De acordo com o delegado Ricardo Melo, um novo inquérito foi aberto na tarde de segunda-feira (29) para que as investigações sobre as farras do boi do ano passado fossem incluídas no indiciamento do grupo envolvido no evento do final de semana.

“A gente vai identificar se são os mesmo. Ainda, se tiver indivíduos reiteradamente envolvidos nessa situação, nesse ano de novo, nós vamos representar, inclusive, por prisão preventiva dessas pessoas que já foram investigadas no ano passado”, explicou o delegado ao G1.

No ano passado, durante as investigações das denúncias recebidas pela Polícia Civil a respeito da farra do boi, descobriu-se a existência de um morador da cidade de Tijucas, na Grande Florianópolis, que seria o responsável por fornecer bois para os eventos criminosos.

O organizador das farras do boi investigadas em 2020, segundo a polícia, seria do município de Bombinhas. Integrantes e farristas que participam ou financiam os eventos foram identificados nas cidades de Porto Belo e Governador Celso Ramos.

“O que a gente tem é a conclusão da investigação da prática da farra do boi que ocorreu principalmente no ano passado. A gente identificou uma verdadeira associação criminosa voltada para essa prática, não só em Bombinhas, mas em toda a região”, informou o delegado.

As pessoas que integram o grupo investigado devem ser indiciadas por maus-tratos a animais, associação criminosa e adulteração de identificação de veículo utilizado no transporte dos animais. As autoridades resgataram oito bois que sofreram maus-tratos nas mãos dos criminosos.

“Farra do boi não é cultura, mas sim tortura”

De acordo com o deputado estadual Marcius Machado (PR), a farra do boi é um ritual típico do litoral brasileiro, trazido pelos descendentes de açorianos, que consiste em soltar um boi com fome em um local ermo e correr atrás do animal até que ele fique exausto. Os participantes perseguem o boi munidos de pedaços de pau, pedras, chicotes, facas, cordas e lanças.

“Estando próximo de morrer, os ‘farristas’ o matam e dividem a carne. Ou seja, a crueldade acaba com um churrasco”, contou Machado. “Há a necessidade de endurecer a penalidade com o fim de coibir práticas nefastas, como forma de educação, para que as próximas gerações não cometam o mesmo erro. Como diz o slogan: farra do boi não é cultura, mas sim tortura”, concluiu.


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