CRUELDADE

Chineses abandonam animais em Hong Kong durante onda de emigração

Mariana Dandara | Redação ANDA

Nos últimos meses, registrou-se um aumento de 30% no número de cães abandonados em Hong Kong, com uma média de 20 abandonos por mês


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Foto: Pixabay

As recentes políticas de Hong Kong, uma região administrativa especial chinesa, levou inúmeras pessoas a emigrarem da China.

Insatisfeitos com a imposição da lei de segurança nacional chinesa e com a violência dos protestos de 2019, chineses e alguns estrangeiros decidiram abandonar seus lares e partir para outros países, como a Grã-Bretanha, o Canadá e vários outros locais. Outras dezenas de milhares de pessoas podem sair da China nos próximos anos.

Com a mudança, muitas famílias que não conseguem pagar os custos das viagens dos animais ou não encontram novos lares para eles em Hong Kong, optam pela crueldade de abandoná-los na rua à própria sorte. De acordo com veterinários entrevistados pelo jornal Público, os preços elevados, o cancelamento de voos e os procedimentos mais rígidos por conta da pandemia de coronavírus têm dificultado a transferência de cães e gatos para outros países.

Nos últimos meses, registrou-se um aumento de 30% no número de cães abandonados na região administrativa, com uma média de 20 abandonos por mês, segundo dados da Hong Kong Dog Rescue. A Sociedade de Prevenção de Crueldade contra Animais (SPCA) também tem recebido muitos telefonemas de pessoas que estão cogitando a possibilidade de abandonar animais. De acordo com a veterinária Jana Gray, que atua como cirurgiã na SPCA, funcionários da instituição lutam para conscientizar a população e reduzir os abandonos. “Quando se adota um animal, deve-se considerar que é algo para a vida”, afirmou.

Abrigos de Hong Kong têm recebido cães e gatos que permanecem nesses locais por um período máximo de seis meses, prazo dado pelas instituições para que os tutores providenciem a documentação necessária para transportá-los para outros países. Apesar desse empenho por parte dos chineses em garantir o transporte dos animais, as dificuldades não são poucas. Recentemente, a companhia aérea Cathay Pacific, com sede em Hong Kong, anunciou que os animais não poderiam viajar em suas aeronaves até maio.

De acordo com Okka Scherer, proprietária de dois canis na ilha Lantau de Hong Kong, as pessoas que estão deixando a China “não tinham como plano emigrarem tão cedo, não estavam preparadas para isso”.

Apesar desse cenário devastador, milhares de pessoas não abriram mão dos animais. Dados do Departamento de Agricultura e Pesca de Hong Kong mostram que, entre 2018 e 2020, aumentou em 35% a emissão de certificados de saúde de animais que seriam levados para outros países. Estatísticas da SPCA revelam ainda que a quantidade de microchips de identificação exigidos para a entrada de animais em países europeus, além da Nova Zelândia e da Austrália, quadruplicou ou quintuplicou no mesmo período.

Um dos exemplos de tutores que não abandonaram os animais é o mecânico de aeronaves Don Yip, de 40 anos. Ele investiu mais de 14 mil dólares (aproximadamente R$ 76 mil) para transportar três cães e um gato para a Grã-Bretanha.

“Os animais são parte da minha família. Eu não conseguiria lidar com o fato de os perder”, disse Yip ao jornal Público, em uma verdadeira demonstração de amor e respeito pelos animais que serve de exemplo para todas as famílias que não valorizam seus companheiros de quatro patas


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