DESUMANO

Produtores rurais matam milhares de galinhas para reduzir custos

Mariana Dandara | Redação ANDA

Entre reduzir seus lucros e por fim à vida de galinhas que só conheceram o sofrimento, sem dar a eles a chance de descobrir o que é uma vida feliz, os produtores optaram por matar as aves


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A maior parte das granjas confinam galinhas em gaiolas do tamanho de um ipad (Foto: Mercy For Animals)

Exploradas pela indústria de ovos, milhares de galinhas que viviam vidas miseráveis foram mortas para que produtores rurais não tivessem prejuízos. Num ramo em que o lucro importa mais do que seres vivos, o bem-estar e o direito à vida dessas aves sequer são cogitados.

Uma das granjas – que matou 150 mil galinhas – está situada no município de Bastos, no interior do estado de São Paulo. A cidade produz 20% dos ovos consumidos em todo o país. São 200 ovos por segundo, 23 milhões por dia, produzidos por 35 milhões de galinhas que nunca saberão o que é viver em paz em uma fazenda, ciscando e cuidando de seus filhotes, sem o risco de serem confinadas em gaiolas minúsculas para depois serem mortas.

Também no interior de São Paulo, outra granja, desta vez da cidade de Guarantã, condenou 100 mil galinhas à morte e estuda a possibilidade de fazer o mesmo com outras 50 mil.

Pintinhos são tratados de maneira cruel pela agropecuária (Foto: Mercy For Animals)

A morte é o destino certo de todas as galinhas exploradas pela indústria alimentícia. A diferença, desta vez, foi o motivo e o tempo para executar a matança. Normalmente, galinhas exploradas até à exaustão são enviadas ao matadouro quando param de produzir ovos. No entanto, as milhares de galinhas mortas atualmente morreram mais cedo. Elas ainda não haviam parado de produzir, mas já não geravam lucro porque o preço do ovo caiu e o valor da soja e do milho, usados na alimentação das aves, aumentou.

Durante a pandemia, produtores rurais aumentaram o número de galinhas exploradas em suas granjas acreditando que o consumo de ovos aumentaria. No entanto, aconteceu o contrário. Com mais oferta do produto e menos pessoas consumindo-o, o preço despencou. Diante disso, os produtores não pensaram duas vezes: entre reduzir seus lucros e por fim à vida de animais que só conheceram o sofrimento, sem dar a eles a chance de descobrir o que é uma vida feliz, optaram por matar as aves.

Exploração e sofrimento

As aves exploradas para consumo humano vivem vidas miseráveis. Presas em gaiolas minúsculas, nas quais ficam em pé sobre grades desconfortáveis, ou confinadas em galpões superlotados, elas suportam sofrimento inimaginável.

O estresse é tamanho que esses animais costumam mutilar a si mesmos e arrancar partes dos corpos das outras aves em resposta ao abalo psicológico que sofrem. Para evitar a mutilação, os fazendeiros submetem as aves ao processo de debicagem, por meio do qual o bico desses animais é cortado sem qualquer anestesia – procedimento que causa bastante dor.

Imagem de granja registrada durante investigação feita por ONG expõe tratamento padrão ofertado às galinhas, que sofrem confinadas em pequenas gaiolas (Foto: Mercy For Animals)

As galinhas poedeiras são tratadas como verdadeiras máquinas. Os frangos suportam a terrível vida do confinamento até serem mortos. Os pintinhos, por sua vez, por não pertencerem a mesma linhagem dos frangos e não terem a capacidade de botar ovos como as fêmeas, são mortos ainda filhotes, triturados vivos.

Comovidos com o sofrimento animal e com os efeitos nefastos da agropecuária sobre o meio ambiente, ativistas conscientizam a população sobre a necessidade de fazer a transição para o veganismo como forma de interromper um ciclo que financia atrocidades contra os animais e a natureza.

Pintinho sente dor e é submetido ao risco de sofrer lesões ao ser arremessado em granja (Foto: Mercy For Animals)

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