SOB AMEAÇA

Projeto que combate o tráfico luta pela preservação do papagaio-de-peito-roxo

Mariana Dandara | Redação ANDA

No segundo semestre deste ano, a instituição deve realizar a maior soltura do projeto em dez anos, com aproximadamente 50 animais retornando à natureza


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Foto: Vanessa Tavares Kanaan/ Instituto Espaço Silvestre

Um projeto do Instituto Espaço Silvestre, que luta para vencer os desafios impostos pela pandemia de coronavírus, tem permitido que o papagaio-de-peito-roxo comece a recuperar sua população em uma estreita faixa de vegetação na qual vive entre as cidades de Passos Maia e Ponte Serrada, em Santa Catarina.

Vivendo no Parque Nacional das Araucárias, a espécie foi beneficiada por ações de combate ao desmatamento e ao tráfico de animais silvestres, práticas criminosas que colocam o papagaio em risco de extinção.

No segundo semestre deste ano, a instituição deve realizar a maior soltura do projeto em dez anos, com aproximadamente 50 animais retornando à natureza.

Na opinião da diretora técnica do instituto, Vanessa Tavares, o isolamento social imposto pela pandemia pode ter conscientizado a população e aumentado a empatia das pessoas com os animais. “Na pandemia muitas pessoas tiveram a oportunidade de sentir o que é ficar isolado de outros da sua espécie, o que é ficar em casa, o que é não poder se comportar da maneira que a gente quer e talvez seja mais fácil ter empatia pelo que, talvez, os animais passem também”, disse ao G1.

De acordo com ela, o objetivo do projeto é reabilitar aves vítimas do tráfico – tanto as que são resgatadas em ações policiais quanto as que são entregues voluntariamente pelas pessoas que as mantinham em cativeiro (no segundo caso, o responsável pelo animal não responde criminalmente por ter colaborado ao entregar o animal por conta própria).

“O projeto começou em 2010 com uma soltura experimental e foi solto um grupo pequeno de animais. Desde então, nós estamos trabalhando com o aumento do número de animais por grupo”, explicou.

Em 2011, foram libertos 13 papagaios da espécie, que passaram a ser monitorados na natureza. Com o decorrer dos anos, outras aves puderam voltar a viver no lugar de onde nunca deveriam ter saído. No total, 189 papagaios resgatados pelo projeto foram reintroduzidos no habitat após rigoroso processo de reabilitação.

Foto: Vanessa Tavares Kanaan/ Instituto Espaço Silvestre

“As vezes, as pessoas não se veem como parte do tráfico, como criminosas, e isso acaba sendo um grande problema porque as pessoas, por mais que tenham boas intenções e amor pelos animais, fazem parte do tráfico, do comércio e da retirada ilegal dos animais da natureza e é isso que está levando à extinção do papagaio-de-peito-roxo em diversos locais, inclusive no local que hoje abriga o parque”, reforçou.

E embora a pandemia tenha trazido dificuldades – incluindo a necessidade de repassar orientações sobre as aves apenas via redes sociais -, conquistas surgiram durante esse período. “Com a pandemia, nós notamos que houve um interesse bem maior dos animais pela utilização das caixas ninho, talvez porque não houvesse uma circulação muito grande de pessoas, mas ainda não sabemos exatamente o porquê. Mas tivemos, inclusive, a postura de um ovo numa caixa ninho pela primeira vez na história do projeto”, contou.

Segundo ela, a baixa disponibilidade de ocos naturais, já que a floresta está degradada e as espécies competem por esses locais, seria uma possível explicação sobre as dificuldades dos papagaios-de-peito-roxo no momento do acasalamento. Sem conseguirem se reproduzir, a espécie fica ainda mais ameaçada.

“Ao longo dos anos tentamos fazer algumas experiências com caixas ninho, que simula um oco encontrado na natureza, uma delas gerou um dos filhotes nascidos em cativeiro”, afirmou a diretora, que revelou também a participação da comunidade nas ações. “A maior parte dos nossos cidadãos cientistas, ou seja, que nos auxiliam a monitorar os papagaios soltos eram pessoas que, quando jovens, retiravam papagaios da natureza. Eles entendem muito da biologia, são pessoas que gostam, mas que jogaram num time e agora jogam em outro”, disse.


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