ESTUDO

Tatu-canastra é raro no Cerrado e corre o risco de desaparecer no estado de MS

Mariana Dandara | Redação ANDA

Para piorar esse cenário, a espécie se reproduz lentamente e atinge a maturidade necessária para a reprodução apenas quando completa sete anos de idade


Escute
Foto: Divulgação/Instituto de Conservação de Animais Silvestres

Maior tatu do mundo e considerado um engenheiro do ecossistema por conta da importância das ações que realiza na natureza, o tatu-canastra é visto raramente no Cerrado e pode desaparecer por completo no Mato Grosso do Sul. O alerta foi feito por um estudo do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS).

Podendo chegar a 1,5 metros de comprimento e pesar 60 kg, a espécie foi alvo do estudo que observou a ocorrência desses animais em 37 municípios do Mato Grosso do Sul, sendo 22 integrantes do Cerrado e o restante pertencente à Mata Atlântica.

De acordo com Arnaud Desbiez, presidente do ICAS e fundador do Projeto Tatu-canastra, a situação é alarmante. “Sabíamos que, no Pantanal, a viabilidade da espécie não estava ameaçada a curto prazo. Mas no Cerrado, pelo que líamos e víamos, sabíamos que a situação era urgente. Então a primeira pergunta que a gente queria fazer foi: existe ainda tatu-canastra do Cerrado do Mato Grosso do Sul? E onde?”, disse ao G1.

“Dividimos esses locais em microbacias e vimos a porcentagem de área nativa que ainda restava em cada uma delas. Ranqueamos essas áreas, falamos com os proprietários e íamos visitar o fragmento andando e procurando por sinais do tatu-canastra”, continuou.

Por conta da raridade da espécie no Cerrado, os pesquisadores precisaram se atentar aos mínimos detalhes para identificar a presença desses animais no bioma.

Foto: Divulgação/Instituto de Conservação de Animais Silvestres

O estudo concluiu que existem diferentes fragmentos de habitat no Mato Grosso do Sul. O maior deles possui apenas 170 km² e poderia abrigar menos de sete tatus-canastra. “O resultado assustou muito, porque a gente viu que tinha menos de 70 fragmentos do tamanho da área de vida do tatu-canastra no Pantanal. A pesquisa mostra que essa espécie está muito ameaçada no Cerrado e que o habitat está muito fragmentado”, disse Desbiez.

“Isso significa que, para trafegar de um fragmento para o outro, o tatu-canastra tem que atravessar rodovias e grandes áreas de pastagem, correndo o risco de ser perseguido, caçado, atropelado ou até mordido por cães, uma situação extremamente preocupante”, completou.

Para piorar esse cenário, a espécie se reproduz lentamente e atinge a maturidade necessária para a reprodução apenas quando completa sete anos de idade. Após a gestação, só um filhote é gerado e, além disso, o tatu-canastra se reproduz uma vez a cada três anos.

“É uma espécie que não tem a capacidade de recuperar ameaças e nos dá medo que nos próximos 15 a 30 anos o tatu-canastra possa se extinguir”, lamentou Desbiez.

Para tentar reverter o risco ao qual o tatu-canastra está submetido atualmente, os pesquisadores traçaram o próximo passo do estudo: descobrir quantos animais da espécie vivem no Cerrado e encontrar uma forma de conectar os fragmentos de habitat no bioma.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.

Você viu?

MIGRAÇÃO

EXPLORAÇÃO

APELO

LUTO

FLORIANÓPOLIS (SC)

SÃO PAULO

INOVAÇÃO

AMOR

ESTUDO

ÁFRICA DO SUL


LEIA EM PRIMEIRA MÃO AS NOTÍCIAS MAIS ANIMAIS DO MUNDO

>