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O Projeto de Lei 2979/2019, de autoria do deputado Nivaldo Albuquerque (PTB-AL), sugere a criação de um programa de fomento aos matadouros públicos do Brasil, incentivando a exploração animal e perpetuando a ideia de que bois, porcos, frangos e outros seres vivos devem ser tratados como mercadorias que podem ser submetidas a todo tipo de sofrimento.
A proposta, que será avaliada pela Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados, estabelece incentivos aos matadouros que possibilitariam a construção, a modernização e adequação desses estabelecimentos.
O autor do projeto alega que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) deve “promover a destinação de recursos voltados ao implemento de equipamentos públicos, pertencentes aos municípios, aptos a realizarem o abate de rebanhos”.
Segundo ele, não se pode negar a existência e a importância dos matadouros brasileiros. O objetivo do deputado é ampliar o funcionamento desses estabelecimentos, o que, se for aprovado, pode aumentar o número de animais explorados e mortos no Brasil.
De acordo com o texto do projeto de lei, os custos do programa serão pagos pelas dotações orçamentárias alocadas ao Ministério da Agricultura e outras dotações consignadas.
A Câmara dos Deputados fez uma enquete online para que os internautas possam votar contra ou a favor do projeto.
Exploração e sofrimento
Os animais explorados para consumo humano são submetidos a extremo sofrimento. Maltratados, torturados e covardemente mortos, eles são vítimas da gula e da ganância. Criados para serem mortos, vivem muito menos do que viveriam se não fossem condenados à morte.
No caso dos bois, a indústria, que os vê como mercadorias lucrativas, os queima com ferro quente para identificá-los, os eletrocuta com picanas elétricas para guiá-los de maneira forçada, e os mata precocemente. Após serem queimados e eletrocutados – procedimentos dolorosos que causam sofrimento físico e psicológico -, eles são amontoados em caminhões superlotados.
Em meio aos próprios excrementos e sem espaço para deitar e descansar, eles viajam por horas. Sofrem com a privação de água e alimento, além de suportarem as condições climáticas sem qualquer abrigo. Quando o tormento do transporte chega ao fim, sem que acidentes ocorram, inicia-se a tortura da morte. Em caso de acidentes, os bois são deixados à própria sorte. Veterinários não são acionados e eles agonizam até perderem a vida. Os que sobrevivem são levados de volta ao matadouro.
A vida não é menos tenebrosa para as aves exploradas para consumo humano. Presas em gaiolas minúsculas, nas quais ficam em pé sobre grades desconfortáveis, ou confinadas em galpões superlotados, elas suportam sofrimento inimaginável.
O estresse é tamanho que esses animais costumam mutilar a si mesmos e arrancar partes dos corpos das outras aves em resposta ao abalo psicológico que sofrem. Para evitar a mutilação, os fazendeiros submetem as aves ao processo de debicagem, por meio do qual o bico desses animais é cortado sem qualquer anestesia – procedimento que causa bastante dor.
As galinhas poedeiras são tratadas como verdadeiras máquinas. Os frangos suportam a terrível vida do confinamento até serem mortos. Os pintinhos, por sua vez, por não pertencerem a mesma linhagem dos frangos e não terem a capacidade de botar ovos como as fêmeas, são mortos ainda filhotes, triturados vivos.
Os porcos também vivem vidas miseráveis. As fêmeas são aprisionadas em jaulas minúsculas, que impedem sua movimentação e nas quais permanecem até o dia em que são mortas. Os filhotes são castrados sem anestesia, muitas vezes na frente das mães, que se desesperam sem poder salvá-los. A verdade é que na indústria não existe animal que não sofra, independentemente da espécie.
Comovidos com o sofrimento animal e com os efeitos nefastos da agropecuária sobre o meio ambiente, ativistas conscientizam a população sobre a necessidade de fazer a transição para o veganismo para deixar de ser responsável pelas atrocidades cometidas contra os animais e a natureza, que é devastada pela agropecuária por meio da poluição, do desmatamento e do desperdício de água.
Todo esse ciclo de horror prova que a carne que chega ao prato dos consumidores é resultado de uma vida miserável de um animal que teve seus direitos negados, foi explorado e tratado como um objeto descartável.


