ALARMANTE

Pantanal enfrenta pior seca dos últimos 60 anos sob risco de novas queimadas

Mariana Dandara | Redação ANDA

A expectativa dos cientistas é de que a estiagem se estenda por alguns anos e gere consequências graves para a natureza


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Foto: DW / Deutsche Welle

A estiagem que atinge o Pantanal atualmente – período em que o bioma deveria estar alagado em decorrência das chuvas – preocupam especialistas, que temem que as queimadas voltem a destruir a região. Sem água, os animais sofrem. Jacarés se amontoam em lagos que se transformaram em meras poças e brigam entre si. Parte deles já morreu.

Trata-se da pior seca dos últimos 60 anos, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres (Cemaden). A expectativa dos cientistas é de que a estiagem se estenda por alguns anos e gere consequências graves para a natureza e para os animais silvestres.

Não se sabe ainda o que exatamente ocasionou a seca. Dentre as possibilidades, estão as mudanças climáticas e o desmatamento da Amazônia – com o desmate da floresta, menos nuvens são formadas e, assim, o número de chuvas no Pantanal sofre queda. Um ciclo natural, como o enfrentado entre 1968 e 1973, quando foi registrada uma forte estiagem, também é investigado. Pesquisadores acreditam ainda que os três fatores, somados, podem ter causado a seca atual.

O temor dos especialistas é de que as queimadas que devastaram um quarto do Pantanal ano passado retornem ao bioma. “Este ano é muito mais seco que 2020”, disse à agência Deutsche Welle Alessandro Amorim, guarda-florestal da maior reserva natural privada do Brasil, a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).

Considerada uma das reservas mais bem administradas do país, a RPPN, fundada pelo Sesc em 1997, teve 95% do seu território queimado em 2020. Durante 50 dias, Amorim combateu as chamas que, segundo investigações, fazem parte de um incêndio criminoso, assim como ocorreu no restante do bioma. Os maiores responsáveis pelas queimadas no Pantanal foram pecuaristas, coletores de mel, e acidentes automobilísticos.

“Nunca vi nada igual”, disse Amorim. “O calor, a fumaça, o vento quente, as paredes de fogo. Os animais vinham correndo da floresta, carbonizados”, lamentou.

Relatório prova relação entre pecuária e queimadas

As queimadas que consomem o Pantanal mato-grossense, e que já destruíram cerca de 36% do bioma, foram iniciadas por pecuaristas que vendem bois e vacas para o grupo Amaggi, de Blairo Maggi, ex-ministro brasileiro, e para o grupo Bom Futuro, de Eraí Maggi.

O levantamento realizado pelo portal Repórter Brasil, com base no estudo feito pela ONG Instituto Centro de Vida, identificou a origem das queimadas. A análise cruzou dados com focos de calor registrados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em cinco propriedades da região Poconé, no dia 11 de julho.

Entre as terras rurais apontadas no estudo, está a fazenda Comitiva, de Raimundo Cardoso Costa, fornecedor do Grupo Bom Futuro. Desde o dia 20 de julho, as propriedades do fazendeiro registraram pelo menos 171 focos de incêndio. Outro pecuarista apontado como um dos responsáveis pelas queimadas é José Sebastião Gomes da Silva, dono da Fazenda Espírito Santo.

O fogo na região, que já devastou cerca de 116.783 hectares, território equivalente à cidade do Rio de Janeiro, é reflexo de práticas negligentes que fazendeiros assumem para ampliar a pastagem dos animais de forma “barata” e perigosa.

A agropecuária e a destruição ambiental

A Polícia Federal também reuniu provas que demonstram que o fogo no Pantanal teve início através das mãos de fazendeiros que incendiaram a vegetação para transformá-la em pasto para a criação de bois explorados para consumo humano.

A prática é comum na agropecuária, que desmata não só o Pantanal, mas todo o Brasil, incluindo a Amazônia, para perpetuar a crueldade promovida contra os animais, que além de serem criados em áreas desmatadas, são alimentados com grãos advindos de plantios feitos em regiões que também foram alvo do desmate.

A destruição ambiental provocada pelos pecuaristas é alarmante. Relatório publicado em junho pela organização internacional Trase estima que 81% das áreas desmatadas na Amazônia brasileira em 2018 foram ocupadas por pastos. Além disso, exorbitantes quantidades de água são desperdiçadas durante a fabricação de produtos de origem animal (são necessários 16 mil litros de água para se fabricar um único quilo de carne, segundo dados da Water Footprint). Os dejetos dos animais também poluem e suas flatulências liberam gases de efeito estufa. Todos esses fatores favorecem as mudanças climáticas e o aquecimento global, que interferem em todos os tipos de vida no planeta, inclusive na humana.


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