INJUSTIÇA

Ativistas denunciam prisão ilegal de protetora de animais no Paraná

Mariana Dandara | Redação ANDA

A protetora de animais Cristiane Fortes é conhecida por se dedicar à causa animal e salvar a vida de dezenas de cães


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Foto: Divulgação

A protetora de animais Cristiane Fortes, da região do município de Quatro Barras, no Paraná, foi presa no início do mês após as autoridades alegarem que ela submetia cães a maus-tratos. Ativistas da causa animal denunciam que a prisão é ilegal e que Cristiane sempre se dedicou a proteger os cachorros, tendo inclusive dado apoio à Delegacia de Meio Ambiente em uma denúncia de abuso contra animais no passado.

Um veterinário levado ao abrigo da protetora pela Secretaria do Meio Ambiente alega que cerca de 6 de 83 cachorros que vivem no local sofriam maus-tratos porque estavam abrigados em um canil lotado, tinham pulgas, berne e dermatite.

Ativistas argumentam que todos os protetores estão com abrigos lotados e que é impossível não ter animais doentes em meio a dezenas deles. A protetora Adriana Biega acompanha o trabalho de Cristiane há anos e diz que há muitas dificuldades para aqueles que decidem resgatar animais abandonados. “Vi a Cris curando feridas de cães em beira de estrada! Sim, ela estava com muitos animais, mas ela reside em um lugar aonde não se tem programas de castração, aonde abandonam diariamente animais em estradinhas rurais, no meio do mato ou até mesmo em lixões. Sou protetora também, sei das dificuldades: ração, medicamentos, castração e por fim uma família para cada resgatado – mas isso cada dia mais é como um sonho difícil de se realizar, ainda mais em tempos de pandemia, dias em que o número de abandonos aumentou!”, afirmou em entrevista à ANDA.

“A prisão da protetora Cristiane Fortes torna a classe protetora vulnerável, pois estamos além do limite, muitas sobrecarregadas e sem apoio do governo e pouca ajuda da sociedade. Agora devemos ter medo de resgatar essas vidas? Seremos nós as próximas?”, desabafou.

Foto: Divulgação

O Fórum de Defesa dos Direitos dos Animais de Curitiba e Região (FDDA) também se pronunciou e divulgou uma nota oficial através das redes sociais para “manifestar seu repúdio pela forma como tem sido tratado o caso da protetora de animais Cristiane Rocio Fortes, em prisão preventiva, no dia 08 de fevereiro de 2021, por maus-tratos e abusos contra os animais que estavam sob seus cuidados, no município de Quatro Barras, Paraná”.

“O ato foi executado por agente da Polícia Civil do Paraná e adquiriu grande destaque nas redes sociais e jornais, principalmente porque há várias versões sobre o que levou à atitude do agente da segurança pública paranaense, bem como da condição de maus-tratos dos cães, da condição de saúde mental e emocional da referida protetora, bem como, e aí talvez o aspecto mais grave da história, a hipótese de que esta cidadã cumpria com acordo de parceria feita entre o município de Quatro Barras e a cidadã mencionada, abrigando cães resgatados e abandonados, vítimas de abandono e maus-tratos”, escreveu o FDDA.

“O caso segue sua trajetória judicial, no entanto, os cães que ficaram sob responsabilidade do município de Quatro Barras, segundo o que se noticia, encontram-se em condições de abandono e maus-tratos, inclusive, e principalmente, pela ausência de sua protetora e cuidadora ora afastada, com veiculação de casos de mortes por brigas entre si. Por divulgação em mídia social do Sr. Delegado responsável pela ação, a ré se encontra em prisão provisória. É o que se noticia, com imagens que giram pelas redes sociais. Muita comoção e revolta, pois os animais estão pagando com a vida o preço alto devido à falta de implantação efetiva das políticas públicas de proteção aos animais domésticos, que poderiam estar prevenindo toda esta série de sofrimentos”, completou.

O Fórum lembrou que a prisão de Cristiane fez protetores de animais e ONGs se sentirem ameaçados “diante da possibilidade de serem os próximos, seja por motivações políticas ou por desejo de promoção social de quem tem o dever de cumprir suas atribuições, ou principalmente, por dificuldades de manter seus abrigos no padrão desejável e em perfeitas condições para o bem-estar animal”.

Foto: Divulgação

A advogada da ANDA, Letícia Filpi, reforçou que o caso de Cristiane Fortes não se trata de um crime de maus-tratos, mas sim de negligência do Estado em relação à protetora. “Seis cães com dermatite, pulga e berne em meio a mais de 80 animais é plenamente normal”, afirmou. Segundo ela, o Estado não tem política pública de acolhimento aos protetores de animais.

“Ao invés do Estado acolher essa protetora e dar para ela o respaldo que ela precisa, com dinheiro público para cuidar dos animais que a sociedade abandona no meio da rua, o delegado mandou prender baseado numa acusação de crime de maus-tratos, sendo que de 83 cães, apenas 6 tinham pulgas e dermatite, isso é irrisório. E não configura maus-tratos a questão da falta de espaço, já que não é por má vontade, omissão, negligência, imperícia ou dolo. A questão é a falta de política pública de incentivo às protetoras”, afirmou.

“Então, na verdade, quem deveria ser responsabilizado pela situação desses cães é o município. Se o delegado quer tanto responsabilizar alguém que seja o município. Uma coisa é um protetor que maltrata, que deixa carcaça de animal morto, bate nos animais, deixa o animal morrer de fome e sede. Outra coisa é uma protetora que tem 83 animais, se desdobra e apenas 6 estava com dermatite e pulga. Isso não configura maus-tratos. Essa protetora estava fazendo um serviço de utilidade pública e deveria ser incentivada, deveria ter acolhimento do Estado ao invés de ser presa. É um absurdo, é uma prisão ilegal, isso foi um abuso de autoridade”, continuou.

Foto: Divulgação

Letícia lembrou ainda que Cristiane precisa receber amparo jurídico através de um advogado e que sua prisão causa indignação. “Não é assim que se trata os protetores. Tem tanta gente maltratando animal e o delegado vai prender justamente uma que estava se desdobrando para ajudar? Não há maus-tratos, não há crime. O que existe é a omissão do Estado e uma prisão ilegal”, concluiu.

Nas redes sociais, internautas também saíram em defesa de Cristiane e afirmaram que ela realizava um sério trabalho na causa animal. “Conheço um pouco do trabalho dela. A prefeitura não está tomando conta dos cães e sim um filho dela, que por sua vez não pode deixar os cães para trabalhar”, escreveu um deles. “Por que não prendem quem maltrata e abandona?”, questionou outro.


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