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Museu debaixo d’água ajuda a proteger vida marinha no mar Mediterrâneo

Redação | Vivian Oliveira

Ecomuseu subaquático foi inaugurado perto da ilha de Sainte-Marguerite, na França


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Imagem de escultura de Jason Decaires para o museu subaquático Under Water
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Recentemente, um ecomuseu subaquático foi inaugurado perto da ilha de Sainte-Marguerite, na costa de Cannes, França. Seis esculturas mascaradas foram instaladas no fundo marinho e projetadas para encorajar o retorno da vida marinha para a área.

Cada escultura é feita de materiais com PH neutro e superfície texturizada, o que propicia a criação de abrigo e espaço para reprodução e proteção da vida marinha.

A exibição submersa está envolta de tapetes de Posidonia oceânica. Comumente conhecida como “grama de Netuno” ou “tênia do Mediterrâneo”, essa erva marinha forma grandes campos subaquáticos que são uma parte importante do ecossistema marinho.

Ervas marinhas são também conhecidas como “os pulmões do oceano” porque podem gerar enormes quantidades de oxigênio. Barcos estão sendo mantidos longe da área para evitar que suas ancoras danifiquem os campos de Posidonia oceânica e para a segurança dos mergulhadores.

Fundado por Mairie de Cannes, o projeto demorou quatro anos para ser desenvolvido. O local antigamente estava repleto de resíduos como motores antigos e tubulações, os quais foram retirados para dar espaço para o novo museu.

As esculturas mascaradas foram baseadas em membros da comunidade local, incluindo Maurice, um pescador de 80 anos, e Anouk, em jovem estudante de nove anos.

As máscaras estão dívidas em duas partes. O lado da face direcionado para a costa é “poderoso e majestoso”, enquanto o lado direcionado para o oceano mostra “fragilidade e decomposição”.

O que inspirou o escultor?

Para o escultor, Jason Decaries Taylor, seu trabalho deve ser visto como uma metáfora do oceano.

“Da terra, nós vemos uma superfície calma e serena ou poderosa e majestosa”

“Todavia, abaixo da superfície, está um ecossistema frágil e finalmente equilibrado, o qual vem sendo, durante anos, continuamente degradado e poluído pela atividade humana”.

Por mais que seja sua primeira instalação no Mar Mediterrâneo, o artista britânico já havia criado obras ecológicas no oceano. Desde exibições da vida marinha em um fiorde em Oslo, até auxiliar na recuperação de corais “dizimados” pelo furacão Ivan, em Grenada, seu trabalho vem sendo exibido em corpos de água ao redor do mundo.

“Em geral, meu objetivo é mudar nosso relacionamento com o mar, como o vemos”, explica Decaires Taylor.

Ele afirma que, frequentemente, quando pensamos em conservação, imaginamos recifes de coral em locais tropicais; porém, aquela localização debaixo d’água menos óbvia pode ser tão bela e ter tanta biodiversidade quanto as outras. “Cada localização tem um meio-ambiente específico e suas dificuldades”.

“Na Noruega, estava em um fiorde marrom e muito frio que eu particularmente não queria mergulhar”, disse o artista. Porém, quando ele estava dentro da água, viu uma abundância de vida marinha. “Eu até vi gaivotas mergulhando debaixo d’água”.

Seringas-do-mar tubulares e transparentes e mexilhões já se fixaram na base das esculturas, espécies que podem ajudar a limpar a água desta área que foi poluída pela indústria.

Cientistas são capazes de monitorar o desenvolvimento da fauna e flora que são atraídas para as esculturas. O artista acrescenta que a ideia é que cada escultura eventualmente fique oculta, tomada, pelo crescimento de vida marinha, uma realidade que projetos anteriores já estão vivenciados.

Nas Ilhas Canárias, por exemplo, Decaires Taylor informa que um trabalho com a universidade local tem demonstrado um aumento de 200% em biomassa e concluiu que as obras de arte podem ajudar a proteger o leito marinho de correntes fortes.


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