DESTRUIÇÃO AMBIENTAL

Área de Mata Atlântica está sendo desmatada para a construção de condomínio em SP

Mariana Dandara | Redação ANDA

A área de mata onde as obras foram iniciadas é o lar de várias espécies de animais silvestres que estão sob ameaça


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Foto: Divulgação

Uma área de 36 mil metros quadrados de Mata Atlântica se tornou alvo da especulação imobiliária em São Paulo. Indignados, moradores lutam desde 2016 contra a construção de um condomínio residencial no local, situado na região do Morumbi. O movimento em prol do meio ambiente conta com o apoio da Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA), do vereador Toninho Véspoli e de seus assessores, além do Defenda São Paulo e de sua advogada, Renata Esteves.

Há anos, moradores da região se empenham para que seja executado o projeto em andamento que implantaria no local o Parque Linear Caxingui, que garantiria a preservação da Mata Atlântica e dos animais silvestres que dela necessitam para sobreviver.

Ontem (7), os moradores se uniram em um protesto em prol da preservação da natureza. Também foram eles os responsáveis por recorrer ao Ministério Público, que acatou a denúncia e deu início a uma Ação Civil Pública contra a Prefeitura de São Paulo, que cedeu o terreno ao setor imobiliário.

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Na última semana, à revelia da Justiça, que ainda não emitiu decisão em segunda instância sobre o caso, a construtora Cyrela enviou tratores ao local para raspar a cobertura verde que já estava em recuperação sobre o terreno delimitado para o empreendimento.

A jornalista e ambientalista Ana Aragão afirmou, em entrevista à ANDA, que é inaceitável que um condomínio residencial seja construído em uma área que integra o Plano Municipal de Preservação da Mata Atlântica. Ela lembrou ainda que o local é um sítio arqueológico e uma região produtora de água, com 17 nascentes e dois afluentes.

A área de mata onde as obras foram iniciadas é o lar de várias espécies de pássaros nativos, como tucanos, papagaios, pica-paus, garças, sabiás, marrecas-caneleiras, corujas e gaviões, quase todos em processo de desaparecimento. O local também abriga pequenos mamíferos e roedores, como micos, saruês, saguis, cuícas, caxinguelês e preguiças. A fragmentação da mata oferece um enorme risco para esses animais – muitos deles, inclusive, já foram vistos caminhando pela fiação elétrica instalada no local ou sofreram ferimentos após se envolverem em brigas com cães e serem atropelados.

“Os animais que dependem da Mata Atlântica e dos cursos d’água da Bacia do Caxingui vão morrer de inanição, fome e sede. O local está sendo devastado pela especulação imobiliária predatória”, denunciou a ambientalista.

Foto: Divulgação

Manifestação pela preservação da Mata Atlântica

No ato realizado ontem (7), dezenas de manifestantes protestaram contra a construção do condomínio. Crianças que participaram da manifestação usaram máscaras com estampas de animais, levaram bichinhos de pelúcia e carregaram cartolinas com desenhos que foram afixadas no muro do empreendimento. Os ativistas respeitaram as normas de distanciamento social impostas pela pandemia de coronavírus.

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“Foi uma tentativa de sensibilizar os desembargadores da Turma Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e apontar o quanto a vida dos seres indefesos dependem de nós, humanos”, disse Ana Aragão.

“Não faltaram bicicletas, os cachorros das famílias, avós, pais, no ensolarado ato, do qual todos proclamaram por ‘uma cidade que permita a convivência com a vida selvagem, sem exterminá-la'”, concluiu.

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