DECRETO

Governador promete proibir exploração de galgos em corridas no RS

Redação ANDA

Protetores de animais denunciam treinamentos exaustivos e anti-naturais, maus-tratos, uso de anabolizantes, abandono de galgos doentes e feridos e a realização de apostas clandestinas durante as corridas


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Foto: Pixabay

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, anunciou na última sexta-feira (5) que irá proibir, através de decreto, a exploração de galgos em corridas no estado.

O anúncio foi feito após reunião com membros do Movimento Galgo Livre Brasil, do Proyecto Galgo Argentina (PGA), do Trato Ético Animal (Aptehá Uruguay), do Núcleo Bageense de Proteção aos Animais (NBPA) e da Brigada Ambiental, além da secretária do Trabalho e Assistência Social, Regina Becker, que é ativista pelos direitos animais.

O movimento Galgo Livre BR comemorou a decisão do governador e lembrou que a luta pelo fim das corridas de galgo, que condenam os cães a extremo sofrimento, teve início em 2018 e contou com o apoio das entidades PGA Argentina e Aptehá Uruguay. “Estamos comprometidas com essa luta com todas as nossas forças para torná-la realidade. Com os dentes cerrados e o coração quase na mão, hoje dizemos que a contagem regressiva para o fim das corridas de galgos começou no Brasil”, afirmou.

De acordo com o grupo de proteção animal, o governador se comprometeu a enviar, em caráter de urgência, um projeto de lei de autoria do deputado Gabriel Souza que visa proibir as corridas de galgo no estado. “A proposta deve ser votada em março, garantindo proteção aos animais utilizados para competições”, explicou.

A expectativa do movimento é que a proibição no Rio Grande do Sul leve à criminalização das corridas em todo o território nacional. Na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 1441/2019, de autoria de Ricardo Izar (PP-SP), prevê o banimento desses eventos no Brasil.

Em setembro do ano passado, o Ministério Público de Bagé (RS) acolheu a denúncia do Instituto Sulamericano de Estudos e Defesa Animal (i-Seda) contra as corridas de galgos. Associada a maus-tratos com os animais, a prática passou a ser investigada. 

Um mês antes, o anúncio da Prefeitura de Bagé, no Rio Grande do Sul, sobre a construção de um centro de eventos ao lado da pista de corrida do Parque do Gaúcho Dimas Costa, na qual criadores da raça forçam os animais a competir, gerou revolta entre defensores dos animais.

Nas redes sociais, a secretária de Cultura e Turismo de Bagé, Anacarla Oliveira, anunciou o início da obra, com inauguração realizada na última sexta-feira (14). Segundo ela, o centro de eventos “abrigará um importante espaço que proporcionará conforto, viabilizando ainda mais os eventos e atividades turísticas culturais e esportivas que lhe é peculiar”.

Moradores da cidade e defensores da causa animal discordam. Na opinião deles, explorar galgos em corridas não é cultura, tampouco esporte. “Um absurdo a prefeitura investir em exploração animal. Deveriam investir em políticas públicas favoráveis aos animais. Corridas de galgos não são cultura nem esporte, são crueldade e exploração de animais”, escreveu uma internauta em resposta à secretária.

Protetores de animais denunciam treinamentos exaustivos e anti-naturais, maus-tratos, uso de anabolizantes, abandono de galgos doentes e feridos e a realização de apostas clandestinas durante as corridas. Apesar de negarem maus-tratos, os criadores admitem realizar apostas.

Em entrevista ao jornal GaúchaZH, a presidente do Núcleo Bajeense de Proteção Animal, Patrícia Coradini, informou que 60 galgos foram resgatados em Bagé em 2020. Segundo ela, a maior parte dos cachorros foi encontrada com fraturas ou ferimentos causados pelas corridas. O uso intensivo de anabolizantes também levou ao resgate de cães com atrofia muscular.

“Aumentou demais nos últimos anos o número de galgos abandonados. Muitos criadores não têm dinheiro para o tratamento ou simplesmente largam o cachorro porque o animal não consegue mais correr. É comum a gente chegar segunda-feira e encontrar um cão com a pata quebrada na porta do núcleo”, contou Patrícia.

Em 2018, quase mil cachorros da raça galgo explorados em corridas morreram ou foram mortos no Reino Unido, segundo a Greyhound Board of Great Britain (GBGB), entidade reguladora desses eventos.

Muitos dos cães que foram mortos poderiam estar vivos se tivessem encontrado pessoas comprometidas em dar a eles uma chance. Isso porque boa parte dos quase mil cães mortos tiveram suas vidas tiradas devido “aos custos elevados dos tratamentos médicos” e por serem considerados inúteis para os treinadores e competidores, que não tinham mais como explorá-los.


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