DIREITOS ANIMAIS

ANDA contesta na Justiça informações prestadas por zoo sobre orangotango Sansão 

Mariana Dandara | Redação ANDA

Sansão sofre com a solidão no zoológico, já que não dispõe da companhia de outro animal da espécie


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Sansão vive uma vida solitária no zoo de SP (Foto: Reprodução/Facebook/Zoológico de SP)

A Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) moveu um recurso na Justiça em resposta à contestação apresentada pelo Zoológico de São Paulo, onde o orangotango Sansão vive atualmente. O recurso tem como objetivo a transferência do orangotango para o santuário Instituto Anami.

Na ação, a equipe jurídica da ANDA, Frederico dos Santos França e Leandro Ferro, argumenta que Sansão sofre com a solidão no zoológico, já que não dispõe da companhia de outro animal da espécie. No santuário, ele poderá interagir com Katai, o que contribuirá para incrementar seu bem-estar.

Segundo o corpo jurídico, Sansão é um orangotango híbrido e “não há interesse na utilização de animais híbridos em programas de reprodução visando a conservação, logo sua única utilização é a exposição pública”.

Sobre os supostos riscos da transferência de Sansão do zoo até o santuário, por se tratar de um animal idoso, a ANDA argumenta que os animais resgatados pelo Projeto GAP, do qual faz parte o santuário, não são sedados para o transporte, que é feito de forma segura. “Os animais em processo de resgate, em regra, não são sedados para transporte, valendo-se de anestésicos apenas em último caso, após esgotadas todas alternativas possíveis, o que difere muito da forma que zoológicos realizam as transferências de animais em razão de permutas, compras e vendas de indivíduos”, diz o recurso.

A estrutura inadequada do zoológico também é apontada pela equipe jurídica da ANDA. Isso porque Sansão passa mais de 16 horas por dia confinado em um espaço de 100 metros quadrados, “quatro vezes menor do que o recinto disponível no Santuário Instituto Anami”.

Traçando um paralelo com o recente caso do chimpanzé Black, é citada, com base em perícia técnica realizada recentemente no zoológico de Sorocaba (SP) e no Santuário dos grandes Primatas, para onde Black foi levado, o parecer do perito técnico João Francisco de Azevedo Mattos, docente e mestre em medicina veterinária e atuante no manejo e resgate de fauna, ética e bem-estar animal e deontologia veterinária, que expôs os prejuízos da visitação humana aos locais onde os animais vivem, como acontece no zoológico. Ao responder uma pergunta de um questionário elaborado pelo Ministério Público, no qual o perito é questionado sobre a nocividade da visitação pública para o bem-estar de Sansão, Mattos afirmou que as visitas são nocivas. “Os animais ficaram incomodados com a minha presença, vocalizando, batendo palmas, esmurrando o chão e infligindo trauma às mudas de árvores dentro do recinto”, afirmou.

O santuário também é benéfico para Sansão por ser um local mais seguro do que o zoológico. “Assim, por não expor os animais ali residentes ao contato com milhares de humanos, é que os animais em santuários estão substancialmente mais protegidos e seguros do que em zoológicos, onde recintos como o de Sansão são vulneráveis ao arremesso de objetos e alimentos inadequados ao animal. No mais, é cristalino que uma rotina de vida no santuário é que o mais se aproxima do que uma espécie selvagem teria em seu estado natural, sem contato algum, ou substancialmente reduzido com a espécie humana e, em contrapartida, compartilhando da vida com membro da sua espécie”, reforça a ação movida pela ANDA.

Para Leandro Ferro, é essencial rebater os argumentos falaciosos do zoológico. “Seguimos firmes rebatendo todas inverdades que o zoológico de São Paulo insiste em propagar sobre Sansão. Fizemos uma análise minuciosa da vida dele antes de entrar com o processo e não desistiremos facilmente. O estado brasileiro tem o dever de proporcionar a melhor vida possível para todos animais, e viver enclausurado num zoológico, sendo assediado todos os dias, não é cabível à dignidade de nenhuma espécie”, concluiu.


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