GANÂNCIA HUMANA

Gigante do ramo de laticínios francesa é denunciada por poluir rios

Talita Soares | Redação ANDA

03/01/2021

Investigação alega que Lactalis violou regulamentos ambientais em diversas usinas e liberou derivados de leite que mataram peixes


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Pixabay

A maior companhia de laticínios da França poluiu repetidamente os rios do país durante a década passada, de acordo com um novo relatório da organização francesa de mídia Disclose.

Durante uma investigação de um ano sobre a gigante de laticínios Lactalis, Disclose descobriu que 38 dos locais de produção da empresa na França quebraram regulamentos ambientais. Em muitos casos, conforme o relatório, isso envolveu a soltura em rios de derivativos de leite – que podem ser fatais para a vida aquática em grandes quantidades – e de subprodutos de estações de tratamento de águas residuais. O relatório contém evidência de diversos casos que afirmam ter resultado na morte dos peixes.

Junto com os rios alegadamente afetados estão alguns dos mais famosos do país, como o Loire, na área ao redor de Saint-Florent-le-Vieil. Outros incluem o Véronne na região de Auvergne; o Seiche, que flui pela Bretanha; e o Isère, nos portões do parque natural de Vercors.

“A informação que fomos capazes de reunir revela um enorme escândalo de poluição ambiental”, clama o co-editor-chefe do Disclose, Geoffrey Livolsi, que liderou a investigação. “A frequência da poluição e o número de locais industriais envolvidos levantam sérias questões sobre a habilidade do grupo de seguir regulamentos ambientais”.

“Em alguns lugares, descobrimos que Lactalis também ignorou os alertas da administração ao não iniciar o trabalho de conformidade exigido – abandonando procedimentos por vários anos, ultrapassando suas permissões de descarga de efluentes e poluindo corpos d’água”, ele afirma.

Durante a investigação, as atividades de 60 dos cerca de 70 locais de produção da companhia foram examinadas. Desses espaços, mais da metade pareceram falhar ao cumprir as regulamentações do código ambiental do país em algum ponto entre 2010 e hoje – com muitos casos de não conformidade ocorrendo nos últimos dois anos, o relatório diz.

De acordo com o trabalho, Disclose obteve e analisou centenas de documentos e dados de processos judiciais anteriores e pedidos de liberdade de informação. Na maioria dos casos, o relatório afirma, as usinas acusadas de despejar poluentes nos rios foram identificadas por autoridades ambientais. Em outros, o papel se refere a evidências obtidas via fotografias e vídeos, ou de especialistas de água independentes.

Lactalis se descreve como a líder mundial na indústria de laticínios. Ela possui marcas ao redor do planeta e emprega cerca de 80.000 pessoas em 94 países, com um faturamento de € 18,5 bilhões (cerca de R$ 123 bilhões).

Em uma declaração ao The Guardian, a companhia diz: “A abordagem do Grupo Lactalis em relação à responsabilidade social e ambiental se intensificou com o passar dos anos, e recursos significativos são realocados para esse processo contínuo de melhoria”.

A companhia apontou que as regulações permitem “ultrapassagens únicas, e elas não significam necessariamente que poluição ocorreu”.

A empresa adicionou: “Com isso dito, o Grupo Lactalis reconhece a existência de não conformidades temporárias e implementou um plano de investimento ambicioso para que essas não conformidades não aconteçam novamente. Por exemplo, nos últimos 10 anos, muitas estações de tratamento estiveram, ou estão agora, envolvidas em um programa de modernização ou substituição”.

A companhia disse que já investiu €60 milhões (cerca de R$ 399 milhões) na melhoria de suas usinas de tratamento de águas residuais.

Os achados surgem em meio a um foco renovado da França na limpeza dos rios do país. Em particular, um objetivo foi definido para fazer o rio Seine seguro para banho até as Olimpíadas de Paris, em 2024.
A publicação do relatório da Disclose na segunda-feira levou a pedidos para que regulamentos existentes fossem mais rígidos – e para que proteções ambientais mais firmes fossem implantadas.

“O atual sistema de regulamentação e controle para agroindústrias que apresentam riscos ao meio ambiente é totalmente obsoleto e ineficiente”, diz Suzanne Dalle, que é responsável por campanhas agrícolas do Greenpeace França. “Nesse caso, Lactalis permitiu que acidentes se multiplicassem em suas facilidades, com consequências dramáticas em termos de poluição aquática em particular”.

“Essas organizações colocam nosso meio ambiente em risco e contribuem para mudança climática. É urgente fortalecer regulamentos, controles e sanções associadas”.

Entre as marcas mais conhecidas dessa companhia está a extensão Prèsident, vendida em 160 países, mas que também produz muitos queijos especiais franceses, considerados emblemáticos de sua região.


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