POLUIÇÃO

Brasil despeja 325 mil toneladas de plástico no mar todo ano

Maria Vitória de Moura | Redação ANDA

23/12/2020


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Imagem ilustrativa: Pixabay

São despejadas no mar brasileiro, todos os dias, 890 toneladas de plástico. Em apenas 24 horas, bilhões de itens de plástico escorrem pelos esgotos e acessam os rios, até invadirem o litoral. Essas são embalagens abandonadas em lixões, sacos plásticos carregados pelas chuvas e ventos, materiais deixados sobre as areias das praias que acabam nas águas do Atlântico.

Grande parte desse volume de lixo acaba sendo ingerida por animais marinhos, que morrem contaminados. Outra parte é engolida por você. Esse plástico, após anos de exposição à água e à luz, acaba convertido em pequenos fragmentos, microplásticos que vão parar dentro de peixes de todas espécies, incluindo aquelas levadas à sua mesa em um belo almoço com a família.

Um estudo inédito realizado por cientista e estudiosos da Organização Oceana mediu a extensão da poluição marinha causada pelo Brasil. Os pesquisadores reuniram estudos técnicos e dados oficiais do próprio governo por um ano e meio, a fim de traçar um perfil sobre o impacto que o plástico vem causando no mar brasileiro. O Estadão teve acesso exclusivo a esse relatório, cujo conteúdo expõe o quão profundo é o problema gerado pelo descarte irregular do plástico e como é urgente que uma solução para o assunto seja encontrada.

O Brasil é responsável por colocar 6,67 milhões de toneladas de lixo plástico na vida cotidiana das pessoas todos os anos, o que faz do país o maior produtor de plástico na América Latina. Além disso, a maior parte desse material não é recolhido e quase 5% acaba indo para o fundo do mar. São 325 mil toneladas por ano despejadas no atlântico.

Informações revelam que 500 bilhões de itens descartáveis de plástico são produzidos anualmente pelo Brasil. Sendo 15 mil itens por segundo. São copos, talheres, sacolas e embalagens para todo tipo de uso. O problema se torna ainda maior quando grande parte desse material não é reutilizada, mas sim descartada de forma incorreta, se tornando um objeto de contaminação.

Devido a pouca reciclagem do plástico, esse fica acumulado em aterros e lixões ou vai parar diretamente no meio ambiente, em áreas naturais, como o mar. Os dados reunidos no relatório “Um oceano livre de plástico – desafios para reduzir a poluição marinha no Brasil” relatam que há taxas divergentes sobre o alcance da reciclagem de plásticos, mas confirmam que pelo menos 77% do resíduo de plástico nacional está, de fato, acumulado em aterros, lixões ou disperso no meio ambiente.

Parte deste problema se deve, de fato, à conscientização e educação da população sobre como lidar com o plástico, explica a cientista marinha Lara Iwanicki, uma das responsáveis pelo relatório. Contudo, Iwanicki chama a atenção, primeiramente, para o papel crucial da indústria em geral, que tem ignorado e assunto e parado de buscar alternativas que possam reduzir o uso e consumo do polímero.

Fica conveniente transferir essa responsabilidade de tratamento e descarte só para o consumidor e os municípios, ignorando o fato daquilo que é colocado por toda a indústria no mercado. É preciso se voltar, também, para o início do problema, com o objetivo de reduzir a quantidade de plástico descartável produzida na fonte”, diz a cientista. “Incentivar a criação de outras alternativas de embalagens, por exemplo, tem o poder de impulsionar inovação, criar novos mercados para soluções criativas. Tem uma economia nova atrás disso.”


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