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Criação de “rede de proteção” planetária pode impedir a perda de vida selvagem

19/10/2020


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Pixabay

Líderes mundiais estão se preparando para participar de uma cúpula importante sobre biodiversidade organizada em Nova York no meio de evidências crescentes de que os governos estão falhando em impedir a perda de espécies sem precedentes no mundo.

No início de setembro, um relatório das Nações Unidas revelou que a comunidade internacional falhou em alcançar totalmente qualquer um dos 20 objetivos de biodiversidade acordados em 2010.

Porém, os cientistas da organização de pesquisa ambiental Resolve desenharam uma planta de áreas protegidas para uma “rede de proteção” planetária que eles dizem poder ajudar a impedir a perda catastrófica de biodiversidade.

Os cientistas começaram por mapear as áreas protegidas existentes. Essas compõem cerca de 15% da massa territorial do planeta.

Depois, eles identificaram as áreas desprotegidas atuais que são lar de espécies raras específicas. Preservar o habitat dessas espécies iria demandar proteger outros 2,3% da massa territorial do planeta.

No próximo passo, eles identificaram outros 6% de terra que são lar do maior número de agrupamentos distintos de espécies.

Os cientistas também mapearam as áreas que abrigam os maiores mamíferos do planeta, muitos dos quais embarcam em migrações de longa distância. Conservar o habitat deles demanda proteger adicionais 6,3% de massa territorial.

Os pesquisadores também propuseram proteger outros 16% de terra compostos pelos ecossistemas mais intactos – aqueles que experimentaram pouco ou nenhum contato humano.

Finalmente, os cientistas adicionaram as áreas que eles dizem que deveriam ser protegidas para prevenir mais colapso climático – se essas áreas já não tivessem sido incluídas em outras categorias.

No geral, a proposta da “rede de proteção” se sobrepõe significativamente com os maiores estoques naturais de carbono do mundo.

“As estratégias globais para impedir a crise dupla de perda da biodiversidade e de mudança climática são frequentemente formuladas separadamente, mesmo que elas sejam interdependentes”, escreveram os autores do estudo.

Se implementada, a “rede de proteção global” abarcaria 50,4% da massa de terra do planeta.

O autor principal Eric Dinerstein disse ao The Guardian que a análise, publicada na revista Science Advances, reuniu os conjuntos de dados globais mais utilizados sobre os recursos de biodiversidade para identificar as áreas que demandam atenção adicional de conservação.

“Nós queríamos cobrir tudo, das espécies com o menor alcance – como a perdiz de Udzungwa, encontrada somente em uma faixa específica de montanha na Tanzânia – a fenômenos como a migração de caribus na tundra canadense, que ocorre sobre vastas áreas. Porque tudo isso é biodiversidade”.

No início deste ano, as Nações Unidas apresentaram o rascunho de um plano para proteger 30% das terras e oceanos até 2030, o que irá fornecer a espinha dorsal para um acordo sobre a natureza a ser finalizado em Kunming, na China, em 2021.

O movimento foi bem-recebido pelos ativistas ambientais e especialistas em vida selvagem, embora alguns tenham dito que o número 30% refletiu o que era politicamente praticável ao invés do que era cientificamente recomendado.

“É um chão, não um teto”, disse Brian O’Donnell, diretor da Campanha pela Natureza (Campaign for Nature em inglês). “Esta é uma meta provisória, e nós apoiamos fortemente a ciência apresentada pelos autores da Rede de Proteção Global e outros cientistas que estão mostrando que, em última análise, precisamos de metas ainda mais ambiciosas.”

“Toda a ciência até hoje mostra que nós precisamos muito mais terra e mar sob conservação do que 30%”, disse Dr. James Watson, diretor de ciência de conservação na Sociedade de Conservação da Vida Selvagem (Wildlife Conservation Society em inglês) e professor na Universidade de Queensland. “Portanto, eu penso que [a meta de 30%] deve ser vista como o mínimo e não pode ser justificada como baseada em evidências.”

Watson disse que a proposta para uma rede de proteção abarcando 50% de todas as terras era mais ambiciosa, mas acrescentou: “Deve haver um foco mais completo na retenção dos últimos ecossistemas intactos do planeta para que este plano tenha sucesso.”

As questões de conservação global assumiram uma urgência renovada desde o surto de Covid-19, com um número de relatos sugerindo que o aumento do contato humano com a vida selvagem está ligado a um risco aumentado do “transbordamento” de doenças.

Os autores do artigo sobre a rede de proteção global acreditam que proteger os ecossistemas com mais biodiversidade poderia diminuir o risco de vírus mortais passarem da vida selvagem para os humanos.

“Nós sabemos que quando os humanos têm maior contato com o interior das florestas tropicais, por exemplo, nós aumentamos muito o risco de transmissão de doenças de animais para humanos”, disse Dinerstein.

Perguntado se ele pensava que a comunidade internacional adotaria metas de biodiversidade mais ambiciosas em um futuro próximo, Dinerstein foi cautelosamente otimista.

“Provavelmente não serão as Nações Unidas que irão fazer isso, porque eles não se movem rapidamente”, disse. “Eu suspeito de que será uma combinação de cientistas do clima e da biodiversidade, líderes indígenas e as Gretas Thunberg do mundo que reúnem a sociedade civil. Serão os jovens que enfrentarão essas ameaças existenciais à civilização que seus mais velhos simplesmente não conseguiram entender. Mas eu penso que o resto da sociedade civil virá e nós chegaremos lá.”


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