Cientistas alertam para o risco de extinção de baleias, golfinhos e botos

19/10/2020


Baleias ameaçadas de extinção | Foto: Reprodução Pixabay

Mais de 350 cientistas e conservacionistas de 40 países estão pedindo uma ação global para proteger baleias, golfinhos e botos da extinção.

Em uma carta internacional, coalizão de cientistas e conservacionistas avisa que mais da metade de todas as espécies vivas de cetáceos agora têm um estado de conservação preocupante: 13 espécies estão “criticamente ameaçadas” ou “ameaçadas”, sete são “vulneráveis”, outras sete estão “quase ameaçadas” e 24 são “não possuem dados”.

Espécies como a baleia franca do Atlântico Norte e uma toninha encontrada no Golfo da Califórnia, estão no “fio da navalha da extinção”, segundo informa a carta.

A coalizão salienta que esses declínios “dramáticos” eram evitáveis, uma vez que faltou vontade política para proteger os animais marinhos.

“É fundamental que os governos desenvolvam, financiem e implementem ações adicionais necessárias para melhor proteger e salvar essas espécies icônicas – para que elas não acabem seguindo o caminho dos baiji”, disse a Dra. Susan Lieberman, da Wildlife Conservation Society, em entrevista à BBC News, referindo-se ao golfinho do rio chinês (baiji), que foi a primeira espécie de golfinho levada à extinção pela atividade humana.

As populações de cetáceos estão ameaçadas pela poluição química e sonora proveniente da pesca e dos navios, bem como pelas mudanças climáticas que interromperam os padrões de migração e esgotaram as fontes principais de alimentos para os mamíferos marinhos.

Golfinhos também ameaçados de extinção | Foto: Reprodução Pixabay

De acordo com o World Wildlife Fund, baleias, golfinhos e botos também são frequentemente prejudicados por “captura acidental” em operações de pesca, causando cerca de 300.000 mortes de cetáceos a cada ano. Os animais marinhos ficam presos em equipamentos de pesca, com ganchos cortando seus corpos e causando infecções ou as redes e linhas os prendem e sufocam o animal. Mesmo que um cetáceo se liberte do equipamento ancorado, ele muitas vezes pode nadar por meses ou anos com o equipamento ainda enrolado em seus corpos, limitando sua capacidade de comer e se reproduzir.

“Temos um longo caminho a percorrer antes que possamos ter certeza de que os peixes que estamos comendo não estão causando a captura acidental de espécies protegidas como baleias e golfinhos”, disse Sarah Dolman, da Whale and Dolphin Conservation,  à BBC News.

A coalizão de cientistas e conservacionistas também observa, que as políticas para proteger os cetáceos são “muito pouco” e “feitas tardiamente”. Atualmente e nas próximas gerações, muitas espécies de cetáceos se extinguirão, a menos que ações abrangentes sejam tomadas para limitar o excesso de poluição das atividades humanas e interromper a pesca excessiva.

Além disso, o grupo também apela às nações, pescadores regionais e organismos internacionais para implementar tecnologias de monitoramento para ajudar a preservar as espécies de cetáceos que são essenciais para a saúde de todo o ecossistema marinho.


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