Incêndios florestais

Secretarias de Meio Ambiente de MT e MS refutam falácia do ‘boi bombeiro’

A criação de bois no Pantanal não só não impede a expansão do fogo, como também está associada à ocorrência das queimadas

Foto: Araquém Alcântara/Divulgação
Foto: Araquém Alcântara/Divulgação

As secretarias de Meio Ambiente de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul refutaram a falácia do “boi bombeiro” defendida por integrantes do governo Bolsonaro, como os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Tereza Cristina (Agricultura).

O questionável argumento dos ministros é de que os bois ajudam a prevenir as queimadas no Pantanal. No entanto, segundo as secretarias, a criação desses animais no bioma não só não impede a expansão do fogo, como também está associada à ocorrência das queimadas.

Para Jaime Verruck, secretário da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico e Produção e Agricultura Familiar (Semagro), de Mato Grosso do Sul, os bois não colaboram com o controle das queimadas.

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“A ideia do boi bombeiro, de que diminuíram os bois, comeu menos, então pegou mais fogo, eu acho que é muito simplista”, disse Verruck ao jornal Folha de S. Paulo.

Dados de 2018 do IBGE, os mais recentes sobre o tema, mostram que municípios pantaneiros onde há maior criação de boi também registram números mais altos de incêndios. Isso porque as áreas onde esses animais são criados precisam ser incendiadas e desmatadas para a transformação da vegetação em pasto. O mesmo ocorre no resto do Brasil, inclusive na Amazônia, onde 81% das áreas desmatadas em 2018 foram ocupadas por pasto, segundo dados da organização internacional Trase.

A Polícia Federal reuniu provas suficientes para indiciar pelo menos quatro fazendeiros pelo início das queimadas na região da Serra do Amolar, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Cabe ao Ministério Público Federal decidir se irá denunciar os investigados à Justiça Federal.

As provas foram obtidas através de imagens de satélite da Nasa e do Inpe que indicam que as queimadas foram provocadas pela ação humana em propriedades rurais. A PF também colheu depoimentos de trabalhadores de fazendas e moradores da região que se somaram às provas contra os fazendeiros.

A PF e o MPF acreditam que é possível que os pecuaristas combinem entre si a prática das queimadas. Isso porque peritos concluíram que os incêndios na região tiveram início no dia 30 de junho, quase no mesmo horário, em quatro fazendas.


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