Estresse

Obras atrasadas no zoo do RJ forçam animais a conviver com barulho e poeira

Para o biólogo e especialista em bioética Frank Alarcón, a obra é prejudicial para os animais mantidos pelo zoo

Reprodução/G1
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O atraso nas obras realizadas no Zoológico do Rio de Janeiro estão forçando os animais silvestres a viver em meio a tapumes, serras elétricas e máquinas. Irregularidades nas obras, como o desaparecimento e a morte de animais, além do estresse ao qual as espécies são submetidas, estão sendo investigadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara de Vereadores.

Até o momento, apenas 30% da reforma, iniciada em dezembro de 2018, foi realizada. Com término inicial previsto para junho deste ano, as obras foram adiadas e devem terminar no primeiro semestre de 2021, quando o zoo deve ser aberto ao público, o que novamente condenará os animais à exploração para entretenimento humano.

O Grupo Cataratas, que tem a concessão do zoológico, disse que as obras atrasaram por conta da pandemia de coronavírus, negou que os animais estejam sendo prejudicados pelo barulho e pela poeira e afirmou que eles estão sendo acompanhados.

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Para o biólogo e especialista em bioética Frank Alarcón, a obra é prejudicial para os animais mantidos pelo zoo. “Um canteiro de obras significa que existe um tráfego muito grandes de equipamentos, que vai fazer terraplanagem, pessoas que estão cortando metais, que estão martelando estacas no chão, causando, evidentemente, vibrações. O fluxo intenso de pessoas entrando e saindo dos recintos próximos aos animais provocam alterações na sensibilidade olfativa e auditiva desses animais, que são, por definição, muito mais sensíveis do que nós, seres humanos, para essas variações do meio ambiente”, explicou ao G1.

Além do estresse ao qual os animais são submetidos, denúncias indicam a morte, o sumiço e a transferência de animais durante as obras. Em 2018, 1.341 animais viviam no local. Até a última terça-feira (13), apenas 820 moravam no zoo. Dentre os casos registrados, está o sequestro de uma arara-azul, confirmado pela RioZoo. Segundo o Grupo Cataratas, a segurança foi reforçada após o animal ser levada do local em 7 de junho de 2019.

Segundo o diretor de Operações no Grupo Cataratas, Manoel Browne de Paula, “há uma taxa natural de mortalidade, uma taxa natural de óbitos, e essa taxa, aqui no bioparque, está em torno de 7,5%. Como nós não temos muitas reposições, não estamos trazendo novos animais, hoje o número é de 820”.

Em 2017, o RJ2 mostrou que, conforme alegação do Grupo Cataratas, alguns animais foram levados para o Rancho Cerro Azul, em Cachoeiras de Macacu, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Um documento do mesmo ano, assinado pela RioZoo, mostra que duas cabras foram entregues a terceiros e que outros animais, como avestruzes e lhamas, morreram. O zoo alega não haver laudos de necrópsia.

Dentre as situações investigadas pela CPI da Câmara, está a morte da elefante Carla. Uma das informações apuradas pela comissão é de que o animal morreu em decorrência de uma tuberculose. O Grupo Cataratas, no entanto, diz que o laudo da morte ainda não é definitivo.

“Não tem ainda a causa morte dela, está em análise. Nós estamos fazendo laudos laboratoriais e esses laudos demoram de 20 a 30 dias a diante para confirmação”, disse o diretor de Operações do Grupo Cataratas.


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