Eduardo Bolsonaro faz vídeo com biólogo multado por crimes ambientais para defender falácia do ‘boi bombeiro’


Reprodução/Twitter

O deputado federal Eduardo Bolsonaro fez um vídeo (confira ao final da reportagem) com o biólogo Richard Rasmussem, multado por crimes ambientais, para defender o argumento falacioso de que os bois atuam como bombeiros em meio às queimadas no Pantanal.

Sem respaldo científico e explicações bem fundamentadas, o biólogo afirmou que os “pesquisadores sabem e não podem negar, porque o boi vai consumindo, baixando os níveis daquela massa orgânica”.

Visto como criminoso ambiental pelo Ibama, Rasmussem coleciona multas por crimes contra a fauna – dentre elas, por ter mantido um criadouro ilegal de animais silvestres. Ele também é acusado de maltratar animais para fazê-los reagir às suas ações exibidas na televisão. Dentre os escândalos envolvendo o nome do biólogo, está a acusação de ter matado um boto para forjar uma denúncia.

Nomeado embaixador do ecoturismo brasileiro pela Embratur durante o governo de Jair Bolsonaro, Rasmussen agora sustenta a falácia do “boi bombeiro”, defendida por pecuaristas que querem beneficiar o ramo da agropecuária ao afirmar que os bois ajudam a impedir que as chamas se alastrem porque consomem pasto seco e inflamável. A primeira aliada de Bolsonaro a defender esse argumento questionável foi a ministra da Agricultura, Tereza Cristina Dias, que integra a bancada ruralista.

Expandir a atuação da agropecuária no Pantanal, no entanto, não é a solução para as queimadas. Pelo contrário, é a causadora delas. Isso porque o fogo é usado para por fim à vegetação com o intuito de transformar o território em pasto para criar bois e plantar grãos usados na alimentação desses animais. Portanto, quanto maior for a quantidade de bois no bioma, mais intensos serão os incêndios.

Dados expostos pela BBC News Brasil também desmentem o biólogo. Durante o vídeo, Rasmussem alegou, sem qualquer prova, que “o boi foi embora do Pantanal, começou a ficar inviável por uma série de questões”, relacionando uma suposta ausência de bois no bioma ao aumento das queimadas, que alcançaram recordes históricos durante o governo Bolsonaro. No entanto, segundo informações divulgadas pelo jornal, a criação de bois no Pantanal aumentou nos últimos anos, o que não só contradiz a afirmação do biólogo sobre os animais terem ido embora, como prova que a teoria do “boi bombeiro” não tem fundamento – afinal, se tivesse, o aumento no número de bois no Pantanal teria impedido que 2020 tivesse batido a lamentável marca do pior ano da história do bioma em número de queimadas.

Histórico do biólogo

Richard Rasmussem é acusado de ganhar a vida e conquistar fama estressando animais selvagens para exibi-los no programa Aventura Selvagem, apresentado por ele no SBT. Um dos casos, exposto pelo jornal Estado de Minas, é de um filhote de jararaca que foi cutucado com um graveto para que desse um bote. Na televisão, o animal selvagem foi retratado como agressivo, mas na verdade apenas se defendia de uma provocação.

Outra vítima do biólogo, ainda segundo o jornal mineiro, foi um lagarto da República Dominicana, que foi esfregado e apertado por Rasmussem até que finalmente se sentisse ameaçado o suficiente para mostrar seu mecanismo de defesa: inflar o papo e se fingir de morto.

O biólogo Valter Barrela explica que essas ações estressam os animais. “Mas ele (Richard) tem de fazer o showzinho dele. Se não incomodar o animal, não vai ter audiência”, disse.

Em 2005, um criadouro de animais silvestres que Rasmussem mantinha de maneira ilegal foi fechado pelo Ibama. No local, 194 animais eram criados. Técnicos do órgão ambiental encontraram animais mal alimentados e mortos. Na época, o biólogo foi multado em R$ 250 mil e teve a autorização para manejo de fauna cassada no estado de São Paulo.

Em uma reportagem de 2014 do programa Fantástico da Rede Globo, imagens feitas pelo biólogo e apresentador Richard Rasmussen que foram ao ar no programa e o mostram matando um boto, estão sendo denunciadas por um documentário que alega manipulação das imagens.

O programa que exibiu a reportagem em julho de 2014 com cenas chocantes de pescadores matando um boto-cor-de-rosa que seria usado como isca para a pesca da piracatinga, afirmava que os animais estavam sendo mortos frequentemente, porém, o documentário “A River Below”, mostrou o contrário. O animal que foi morto tinha filhotes na barriga.

O diretor do filme, Mark Grieco, viu as imagens e decidiu trazer o inicial projeto de documentário para o Brasil. No entanto, ao chegar na Amazônia, foi informado de que Rasmussen teria pago R$ 100 para cada pescador que aparece nas imagens pegar um boto e matá-lo, produzindo as imagens exibidas no programa, segundo o site Notícias da TV.

Rasmussen apesar de não ser identificado como autor das imagens e ter negado o pagamento aos pescadores da região, admitiu ter participado da gravação ao site.

Procurada pela mesma reportagem, a emissora Globo afirmou que “a TV Globo não foi procurada pelos autores do documentário e não teve acesso a ele. Como em toda a reportagem que coloca no ar, a Globo sabia quem era o responsável pelas imagens e tomou providências para checar a veracidade das informações. O material foi cedido pela Ampa e, na gravação bruta, com o áudio ambiente, não havia nada que sugerisse qualquer irregularidade ou método ilícito na captação de imagens. Toda a estrutura em volta da captação e o comportamento dos pescadores mostravam que essa, para eles, era uma prática frequente, que desempenhavam com desenvoltura.”


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.



Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.

Você viu?

MAUS-TRATOS

PROTEÇÃO ANIMAL

INESPERADO

ASCENSÃO

GRATIDÃO

INDEFESAS


LEIA EM PRIMEIRA MÃO AS NOTÍCIAS MAIS ANIMAIS DO MUNDO

>