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Veganismo é uma religião?

Divulgação

Certo dia, ouvi a seguinte frase: veganismo é quase como uma religião.

Não tenho nenhuma religião, mas fiquei pensativa. Será que algumas pessoas pensam assim? Me preocupei. E parei para refletir.

Religião e espiritualidade são duas coisas diferentes.

A religião, não importa qual seja, prega a não violência, e tem o propósito de buscar ordem no meio do caos, de promover a fé, a esperança e o engajamento na luta por um mundo melhor. Religião teve (e tem) sua importância no mundo, trás mais sentido para nossas vidas e expande nossos olhares para além das questões humanas. Através da religião, podemos exercitar a espiritualidade.

Porém, para praticar a espiritualidade, não é necessário ter uma religião. Espiritualidade é simplesmente cultivar crenças, fé, valores, moralidade, e um sentido de vida mais amplo. Sendo assim, o veganismo não é uma religião, mas pode, sim, ter um lado espiritual, pois desperta forças sublimes como as do amor e da compaixão, componentes básicos para a espiritualidade.

Além disso, o veganismo é uma filosofia de vida que propõe um mundo menos violento, mais justo, e que luta para aliviar o sofrimento, bem como promover a paz, o bem-estar, e liberdade de todos os seres senscientes (senscientes são seres que possuem capacidade de sentir e de ter consciência).

E se trata de uma preocupação com animais humanos e não humanos, já que cada uma das nossas escolhas, boas ou más, trazem consequências, pois se considera a lei do retorno, uma das leis mais respeitadas no mundo.

Por exemplo, estamos vivendo uma pandemia que é consequência do consumo de animais. Esta pandemia é resultado das nossas atitudes de explorar animais.

E o veganismo nos convida a nos responsabilizar mais pelas nossas atitudes, e a construir um mundo com mais empatia e respeito.

Por outro lado, o simples ato de se tornar vegan, não torna automaticamente a pessoa espiritualizada. Pois, embora ser vegano tenha uma definição, cada pessoa experiencia o veganismo de uma forma singular.

Conforme cada pessoa vive esta experiência, isso poderá acarretar impactos positivos, ou negativo.

Por exemplo, o excesso de engajamento em qualquer prática pode levar ao fundamentalismo e consequente rejeição do público. Enquanto o pouco envolvimento, pode resultar em vazio, falta de sentido e automatismo.

E lutar por um proposito como esse, pode trazer benefícios como diminuição da angústia, mais autocontrole e foco. E pode melhorar a nossa relação com o mundo a nossa volta.

Embora veganismo não seja uma religião, se aproxima disso, e isso não precisa soar ofensivo. Veganismo é uma prática linda e necessária para os dias de hoje, pois busca lutar contra os preconceitos e romper barreiras que nos desintegram dos outros seres.

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