Ecoturismo muda o comportamento de animais selvagens e os coloca em perigo

Bruna Araujo
outubro 1, 2020

Pixabay

Animais como mamíferos, aves e répteis perdem o medo de predadores depois que começam a ter contato com humanos, dizem especialistas. Biólogos analisaram cerca de 200 estudos científicos para investigar mudanças em diferentes traços “anti-predadores” – que podem ajudar um animal a enganar um predador e escapar e sobreviver – após o contato humano.

O contato com humanos – como em zoológicos e recintos turísticos – gradualmente desgasta o instinto natural ‘anti-predador’ em várias espécies, descobriram os pesquisadores. Na natureza, esses animais são colocados em grande perigo, situação em que eles têm que escapar de predadores, afirma a equipe internacional de cientistas.

A questão também afeta animais na natureza que vivem perto de cidades e novos empreendimentos urbanos, que estão sendo atraídos pelo lixo e domesticados por humanos.

“Embora seja sabido que o fato de ser protegido por humanos diminui as capacidades anti-predadores em animais, não sabíamos quão rápido isso ocorre e até que ponto isso é comparável entre os contextos”, disse Benjamin Geffroy, do Instituto de Biodiversidade Marinha, Exploração e Conservação da França.

“Acreditamos que eles devem ser sistematicamente investigados para desenhar um padrão global do que está acontecendo no nível individual. Precisamos de mais dados para entender se isso ocorre também com a mera presença de turistas.”

Exemplos de técnicas anti-predadores podem variar entre espécies – desde mudar de cor como método de camuflagem, até viver no subsolo, só saindo de seus habitats à noite, se fingir de morto ou simplesmente fugir.

Os pesquisadores analisaram os resultados de 173 estudos científicos revisados por pares que investigam traços anti-predadores em 102 espécies de mamíferos, aves, répteis, peixes e moluscos.

A equipe analisou a mudança nas respostas anti-predadores durante o contato com humanos em três contextos diferentes – urbanização, cativeiro e domesticação.

Como exemplo, um animal no contexto da urbanização seria uma raposa em um jardim aos fundos de uma casa, ou os pombos na praça londrina Trafalgar Square.

O exemplo de cativeiro seria um antílope em um campo de tiro africano ou um peixe de prata atlântico em uma fazenda, enquanto a domesticação poderia ser simplesmente uma galinha em um galinheiro.

Os cientistas descobriram que o contato com humanos levou a uma rápida perda de traços anti-predadores dos animais.

Animais mostraram mudanças imediatas nas respostas anti-predadores na primeira geração após o contato com humanos.

Essa resposta inicial é resultado da flexibilidade comportamental, que pode mais tarde ser acompanhada de mudanças genéticas se o contato humano continuar ao longo de muitas gerações, afirma a equipe.

Os pesquisadores também descobriram que a domesticação alterou as respostas anti-predadores dos animais três vezes mais rápido do que a urbanização, enquanto o cativeiro causou as mudanças mais lentas dentre os três.

É provável que os animais mantidos em cativeiro – como tigres e elefantes na África – tenham menos contato imediato com os humanos do que aqueles em ambientes domésticos ou urbanos.

Os resultados também mostraram que os herbívoros mudaram o comportamento mais rapidamente do que os carnívoros e que as espécies solitárias tendem a mudar mais rapidamente que aqueles que vivem em grupos.

A perda de comportamentos anti-predadores pode causar problemas quando essas espécies domesticadas ou urbanizadas encontram predadores ou quando animais em cativeiro são soltos de volta na natureza.

Podemos estar criando “um escudo humano” para animais que os protegem da predação – mas sem esse escudo na natureza, eles ficam muito vulneráveis.

“Conservar a variedade de respostas anti-predadores que existem dentro de uma população, em última análise, ajudará a sustentá-la”, dizem os especialistas em seu trabalho de pesquisa.

“Isso pode envolver expor intencionalmente animais a predadores ou a pistas relacionadas a predadores (como pegadas), com o objetivo de conservar estas espécies, evitando a perda de traços anti-predadores necessários.”

Entender como os animais respondem ao contato com humanos tem implicações importantes para a conservação e planejamento urbano, programas de reprodução em cativeiro e manejo da pecuária.

O estudo foi publicado na revista científica PLOS Biology.


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