Novo relatório aprofunda conexão entre a pecuária e as queimadas no Pantanal


Queimadas no Pantanal | ANDA
Mayke Toscano/Secom-MT Fonte: Agência Senado

As queimadas que consomem o Pantanal mato-grossense, e que já destruíram cerca de 36% do bioma, foram iniciadas por pecuaristas que vendem bois e vacas para o grupo Amaggi, de Blairo Maggi, ex-ministro brasileiro, e para o grupo Bom Futuro, de Eraí Maggi.

O levantamento realizado pelo portal Repórter Brasil, com base no estudo feito pela ONG Instituto Centro de Vida, identificou a origem das queimadas. A análise cruzou dados com focos de calor registrados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em cinco propriedades da região Poconé, no dia 11 de julho.

Entre as terras rurais apontadas no estudo, está a fazenda Comitiva, de Raimundo Cardoso Costa, fornecedor do Grupo Bom Futuro. Desde o dia 20 de julho, as propriedades do fazendeiro registraram pelo menos 171 focos de incêndio. Outro pecuarista apontado como um dos responsáveis pelas queimadas é José Sebastião Gomes da Silva, dono da Fazenda Espírito Santo.

O fogo na região, que já devastou cerca de 116.783 hectares, território equivalente à cidade do Rio de Janeiro, é reflexo de práticas negligentes que fazendeiros assumem para ampliar a pastagem dos animais de forma “barata” e perigosa.

A relação dos “Reis da Soja” e o desflorestamento

Não é apenas o sobrenome Maggi que Blairo e Eraí compartilham. Os empresários, e primos, são fornecedores dos frigoríficos JBS, Marfrig e Minerva. Os proprietários de terras desmatadas para a criação de gado e cultivo de grãos, também perpetuam na família a coroa do “Rei da Soja”, agora sob posse do dono do grupo Bom Futuro.

Em 2018, a empresa de Blairo Maggi, ministro da Agricultura no governo Michel Temer e ex-senador, registrou mais de R$ 804 milhões de lucro. Os números atraentes para o setor agropecuário são frutos de desflorestamento para plantação de soja, na qual proprietários de imóveis em vegetação nativa se respaldam na legislação para utilizar as terras em até 20% nas áreas florestais, 65% do cerrado e 80% das terras do sul do país.

Figura um tanto polêmica, Blairo Maggi já recebeu do Greenpeace o troféu Motoserra de Ouro, em 2005, por contribuir com o desmatamento, segundo a ONG. Atualmente, o empresário é um crítico das políticas ambientais do governo Bolsonaro, afirmando que a gestão pode prejudicar o Brasil no mercado internacional.

Investigação

O incêndio que devasta o Pantanal é alvo de investigação pela Polícia Federal, no Mato Grosso do Sul. Investigadores apuram práticas criminosas provocadas por fazendeiros na área rural de Corumbá.

Enquanto isso, voluntários e bombeiros tentam diariamente salvar animais que vivem na região. Veterinários e ativistas buscam montar pontos de apoio para acolher e tratar das espécies resgatadas, muitas em estado grave.


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