Fazenda se torna refúgio de onças feridas em incêndios no Pantanal


Reprodução/Revista Época

Feridas, onças resgatadas dos incêndios que estão devastando o Pantanal encontraram um refúgio em uma fazenda em Corumbá (GO), onde funciona a base de operações do Instituto de Preservação e Defesa de Felídeos da Fauna Silvestre do Brasil em Processo de Extinção (NEX).

Atualmente, 22 onças e uma jaguatirica vivem no local. Vários desses animais foram levados à fazenda após serem vítimas do tráfico. Dois deles vieram do Pantanal.

O estágio de sofrimento vivido pelas onças-pintadas Amanaci e Ousado, em decorrência de queimaduras sofridas em meio aos incêndios, impressionaram até mesmo a equipe da entidade, que está acostumada a receber animais retirados de situação de risco.

“Me emociono a falar delas. Elas pisaram em brasas, sentiram muitas dores. É a prova da força das onças para suportar e sobreviver”, afirmou a presidente da ONG, Cristina Giani, em entrevista à revista Época.

Ousado estava ferido quando foi encontrado no Parque Estadual Encontro das Águas – o maior abrigo de onças-pintadas do mundo. Resgatado por uma equipe da Marinha do Brasil, ele foi encaminhado ao NEX com ferimentos nas patas.

Amanaci teve o mesmo destino, mas antes recebeu atendimento veterinário na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Ela foi encontrada dentro de um galinheiro na cidade de Poconé (MT) enquanto tentava fugir das queimadas. A onça sofreu ferimentos na barriga, na virilha e nas patas.

Reprodução/Revista Época

“Eles estavam em um estado horrível, não se alimentavam e sentiam muita dor. A onça é um bicho bravo e arredio, e não aceita ser subjugado. É como deve ser. No resgate da Amanaci ela estava deitada com as patas para cima, não reagia, não andava, não levantava para beber água, tremia muito e defendia as patas o tempo todo”, contou o veterinário do NEX, Thiago Luczinski.

Num primeiro momento, as onças receberam medicamentos fortes com base em opioide e morfina. “Agora eles não estão mais precisando de analgésicos tão fortes”, explicou o veterinário.

A cada dez dias, Amanaci recebe aplicações de células-tronco que visam recuperar o tecido das patas do animal, acelerando o processo de cicatrização. À Época, Luczinski explicou que a situação de Amanaci é a mais crítica, já que ela sofreu queimaduras de terceiro grau que afetaram os tendões e geraram uma lesão grave.

Como o caso de Ousado tem menor gravidade, as células-tronco não serão destinadas a ele. Para o tratamento, a escolha foi a ozonioterapia. “Os ferimentos são bem extensos, mas ele está se alimentando muito bem, voltou a caminhar, nos primeiros dias ele não ficava nem em pé e já ganhou peso”, contou o veterinário.

Reprodução/Revista Época

Os valores referentes ao tratamento de Ousado e Amanaci, incluindo os honorários dos veterinários, custa R$ 10,5 mil mensais – sem contar com o custo da aplicação de células-tronco, que está sendo realizada por meio de parceria.

E embora Ousado tenha mais chance de retornar à natureza que Amanaci, o veterinário se preocupa com a possibilidade de soltura em meio ao habitat devastado. “Onde ele estava não tem mais como voltar. Como soltar o animal em um lugar onde já não há mato, comida. Será muito mais complicado do que imaginamos”, disse.


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