Crime ambiental

Polícia Federal já tem provas para indiciar fazendeiros por queimadas no Pantanal

Os pecuaristas devem ser indiciados por danos a áreas de preservação permanente e unidades de conservação, incêndio e poluição

Imagens: Ahmad Jarrah e Bruna Obadowski / A Lente
Imagens: Ahmad Jarrah e Bruna Obadowski / A Lente

A Polícia Federal já reuniu provas suficientes para indiciar pelo menos quatro fazendeiros pelo início das queimadas na região da Serra do Amolar, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Cabe ao Ministério Público Federal decidir se irá denunciar os investigados à Justiça Federal.

As provas foram obtidas através de imagens de satélite da Nasa e do Inpe que indicam que as queimadas foram provocadas pela ação humana em propriedades rurais. A PF também colheu depoimentos de trabalhadores de fazendas e moradores da região que se somaram às provas contra os fazendeiros.

A PF e o MPF acreditam que é possível que os pecuaristas combinem entre si a prática das queimadas. Isso porque peritos concluíram que os incêndios na região tiveram início no dia 30 de junho, quase no mesmo horário, em quatro fazendas.

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Testemunhas afirmam que dias antes dos fazendeiros ordenarem que os funcionários ateassem fogo na vegetação, eles providenciaram a retirada dos bois explorados para consumo que viviam nas fazendas.

Os pecuaristas foram ouvidos pela polícia e negaram as acusações. Eles devem ser indiciados por danos a áreas de preservação permanente e unidades de conservação, incêndio e poluição, crimes que podem levar a 15 anos de reclusão.

Daniel Rocha, delegado da PF que está à frente do caso, afirmou ao UOL que peritos de Brasília analisaram imagens de satélite e praticamente “deram o mapa da trajetória do fogo”. Para que o inquérito seja concluído, Rocha aguarda a transcrição das conversas telefônicas e os laudos da perícia.

“Quando sobrevoamos a região, vi uma imagem que jamais podia imaginar. Um mar de água doce transformado em fumaça e fogo”, disse. “Fizemos a perícia nas propriedades e temos indícios de que os incêndios foram provocados a fim de criar novas áreas de pastagens”, completou.

A motivação dos incêndios no Pantanal expõe um problema comum ao Brasil: a destruição ambiental causada pela agropecuária, que queima e desmata áreas de vegetação para criar pasto para bois explorados para consumo ou para o plantio de grãos, como a soja, usados na alimentação desses animais. Não é atoa que ativistas pelos direitos animais e ambientalistas incentivem a população a abandonar o consumo de produtos de origem animal por conta não só da crueldade animal, mas também da devastação do meio ambiente e do desperdício dos recursos naturais, como a água.

Uma outra frente da investigação reforça a relação entre o fogo no bioma e a agropecuária. Peritos das polícias Militar e Civil de Mato Grosso do Sul concluíram que as queimadas registradas nas fazendas da Nhecolândia, região central do Pantanal, também foram causadas por fazendeiros que devem ser multados e indiciados após a conclusão de um laudo pericial.

“A perícia deixou claro que o incêndio teve origem nas fazendas e foi motivado pelo homem e pela seca”, afirmou o tenente PM Anderson Ortiz ao UOL.

O Pantanal queima há três meses, sem interrupção. Quase 3 milhões de hectares já foram destruídos, incluindo 85% do Parque Encontro das Águas, em Mato Grosso. A reserva abriga o maior número de onças-pintadas do mundo – espécie ameaçada de extinção que corre ainda mais risco por conta do fogo.

Presidente do Instituto Homem Pantaneiro, o tenente-coronel reformado da Polícia Militar Ângelo Rabelo atua no combate às queimadas. Segundo ele, “infelizmente quatro felinos ficaram com as patas feridas”. As chamas já chegaram na região das grandes lagoas, na fronteira do Brasil com a Bolívia, e destruíram as matas ciliares que protegem o rio Paraguai e seus afluentes.


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1 COMENTÁRIO

  1. Melhor notícia do mundo! Vibrações para que as pessoas donas do poder acordem antes que seja tarde! Natureza é imprescindível, sem ela dinheiro nenhum supre a vida.

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