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Cadela jogada de prédio é adotada na Bahia: ‘ela faz parte de nossa família’

Foto: ONG Bicharada / Divulgação
Foto: ONG Bicharada / Divulgação

Uma cadela que foi arremessada na terça-feira (22) de um prédio em Itabuna, na Bahia, encontrou uma família disposta a oferecer a ela o amor que antes lhe foi negado. Agredida pelo antigo tutor, que a jogou pela janela do apartamento, Vitória ficou desacordada e ferida, mas se recuperou após ser resgatada e levada a uma clínica veterinária.

Com apenas dois meses de idade, Vitória já conheceu o sofrimento de perto, mas agora já sabe também o que é amor. Na casa de seu novo tutor, o percussionista Marcelo Nascif, de 44 anos, carinho não falta.

Marcelo decidiu adotar a cadela após encontrá-la ferida. Comovido com a situação, ele resgatou o animal e acionou uma ONG. “Eu estava na porta de casa e vi o pessoal na rua gritando, e fui ver o que era. Eu não vi o homem jogando ela. Quando cheguei lá, ela já estava na mão de um vizinho. Ele estava chorando. A minha reação na hora foi resgatá-la. Ela estava muito ferida. Peguei ela, levei no lava jato e lavei a boca dela. Dei um banho, pois ela estava desacordada. Eu abri a boca dela, ela estava sem respirar direito. Comecei a fazer massagem. E ela começou a reagir”, contou ao G1.

“Assim que eu dei o banho nela, que fiz a retirada do sangue, eu levei ela para minha casa. A gente chamou o pessoal da ONG. Quando eles chegaram, ela já estava acordada, já estava reanimada. E eles levaram ela para adotar”, completou.

Uma equipe da ONG Bicharada esteve no local e encaminhou a cadela ao veterinário. Apesar de não ter sofrido ferimentos graves, Vitória apresentava sinais de que sentia dor e, por isso, ficou internada. Na tarde de quarta-feira (23), ela recebeu alta e foi para a casa do percussionista.

“Quando chamei eles, eu já estava com desejo de adotar. Eu disse que ela ia ficar comigo, que eu iria criar ela. Eu também tenho um filho de cinco anos que pediu para ficar com ela. Ele começou a chorar, quando levaram para o veterinário. Quando ela voltou, foi a alegria para ele”, disse Marcelo.

“É uma vitória. Muito emocionante. Nos apegamos muito a ela. Foi uma benção de Deus não ter deixado ela morrer, devido à queda. Estamos super felizes, ela faz parte de nossa família agora. Ela se chama Vitória. A gente deu esse nome pelo fato dela ter sobrevivido. Ela é uma sobrevivente. Meu filho que pôs o nome”, acrescentou.

Arquivo Pessoal

Marcelo contou que o último cachorro adotado pela família morreu há cerca de 10 anos, o que gerou muito sofrimento aos tutores. Por isso, o percussionista não quis outro animal. Mas isso mudou quando ele viu a cadela Vitória, que, segundo ele, foi enviada por Deus.

“Já tivemos um outro cachorro, mas ele morreu. Tem mais de 10 anos. Eu fiquei muito chocado. Não queria mais criar. Mas Deus mandou essa vitória para gente. Desde quando chegou, ela estava dormindo muito por causa do medicamento. Mas hoje já acordou brincando comigo. Está super bem”, disse.

Investigação

A delegada Katiana Amorim instaurou um procedimento para investigar o crime. Segundo ela, serão colhidos depoimentos dos envolvidos com o caso em até 30 dias.

“O procedimento já foi iniciado para apurar o fato e será registrado ainda nesta semana. A lei dá o prazo de 30 dias para conclusão. Todos os envolvidos vão ser intimados e ouvidos na delegacia. Isso durante os próximos 30 dias, dentro do prazo que a lei estabelece. O crime que vai ser investigado é o de maus-tratos a animais”, afirmou.

“Eu estou na 2ª DT há muitos anos. Casos de maus-tratos a gente sempre apura, sempre que necessário. Mas não é comum maus-tratos a animais chegarem na delegacia. Alguém denunciar e a gente investigar não é comum”, concluiu.


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