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Após anos aprisionada em zoo, elefanta Bambi inicia transferência para santuário

Foto: Carlos Trinca/EPTV
Foto: Carlos Trinca/EPTV

A elefanta Bambi iniciou sua viagem com destino ao Santuário de Elefantes do Brasil, em Mato Grosso, na tarde da última quinta-feira (24). O trajeto, do zoológico de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, até a Chapada dos Guimarães, deve ser percorrido até sábado (26).

A transferência da elefanta teve que ser adiada duas vezes porque Bambi teve dificuldade de adaptação à caixa de transporte. As equipes do zoo e do santuário respeitaram o tempo da elefanta e, por isso, a viagem demorou mais do que o previsto para ser iniciada.

Alimentos foram usados para atrair a elefanta, que entrou e saiu da caixa diversas vezes. A estrutura foi mantida com as extremidades abertas para facilitar a movimentação de Bambi e deixá-la mais segura.

Na quinta-feira (24), em uma nova tentativa das equipes, a elefanta se adaptou à caixa. “Nós retomamos o trabalho hoje pela manhã mantendo novamente a caixa aberta. Ela foi entrando e saindo, melhorando em relação à resistência que ela estava oferecendo à caixa. A gente até estava pensando em outras estratégias para hoje a tarde, mas como ela melhorou muito, nós resolvemos insistir no procedimento e às 15h ela entrou na caixa”, explicou o diretor do zoológico de Ribeirão Preto, Alexandre Gouvêa.

Durante o trajeto, estão previstas paradas para alimentar a elefanta, que será monitorada através de uma câmera. “O tempo de viagem vai depender de como ela vai se comportar no trajeto. Como ela acabou resistindo um pouco, muito mais do que os outros elefantes que a gente já fez transferência, pode ser que ela tenha um comportamento que a gente precise dar uma atenção maior. Isso não é um problema, está previsto, mas quanto mais cedo a gente chegar no Santuário, melhor para a Bambi. É a última vez que ela vai passar por esse processo”, afirmou Daniel Moura, diretor do SEB.

Ao final da viagem, Bambi será examinada por veterinários e permanecerá em uma área de três hectares no santuário. Após um período de adaptação, ela começará a ter contato com os outros elefantes que vivem no SEB, onde poderá desfrutar de um território com 30 hectares, com riacho, lago, árvores e lama.

Disputa judicial

O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a transferência da elefanta Bambi do Zoológico Municipal Dr. Fábio Barreto para o Santuário de Elefantes Brasil (SEB).

Com cerca de 56 anos de idade, Bambi foi explorada pela indústria circense por quase toda a vida e passou pelo Zoológico de Leme antes de ser transferida, em 2014, para Ribeirão Preto, onde vivia em condições degradantes.

Ao decidir pela transferência, o desembargador Roberto Maia reconheceu os maus-tratos impostos à elefanta. “Em sede de cognição sumária e provisória, destaco a existência de imagens e laudos técnicos dando a plausibilidade às alegações de maus-tratos, robustecida pela insatisfação popular, além do perigo existente, desde o próprio prolongamento do sofrimento em si, como possível morte do elefante e a especialização do SEB para acolhimento deste espécime”, diz trecho da liminar.

Foto: Alexandre Gouvêa / Arquivo Pessoal

A advogada da ANDA, Letícia Filpi, explicou que o pedido de transferência para o santuário foi feito à Justiça “em virtude das condições degradantes do zoológico e da inoperância em tratar uma elefanta que, além de idosa, estava doente”. Visivelmente magra, Bambi está cega de um olho, sente muitas dores e vive em um recinto de concreto no zoo – realidade bem distante do que é necessário para um animal silvestre.

Filpi lembrou ainda que a ação movida pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal em prol da elefanta contou com a importante participação da ANDA, que desempenhou o papel de “amicus curiae” – isso é, o responsável por fornecer informações aos tribunais para que os magistrados tenham base para tomar suas decisões.

“A ANDA entrou como ‘amicus curiae’ neste processo. Nós fizemos uma primeira petição para o juiz endossando a petição inicial. Pedimos a transferência de Bambi em virtude das condições degradantes do zoológico”, explicou a advogada.


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