Poluição sonora afeta comunicação entre as baleias, diz estudo


Baleia Jubarte | Reprodução: Pixabay

Assim como os seres humanos, as baleias e outros mamíferos usam o som como forma de comunicação. Mas pesquisas nos últimos 20 anos, apontam que as baleias estão cada vez mais silenciosas. O motivo é o aumento dos ruídos nos oceanos que tem por razão principal o transporte comercial em navios.

O canto das baleias é exclusivo para grupos e populações delas, e cientistas acreditam que os machos usam as “canções” como forma de atrair parceiros para acasalamento. Essas “músicas”, podem ter inúmeras partes e serem de longa duração, o que torna a poluição sonora dos oceanos cada vez mais nociva para estes mamíferos.

Cientistas afirmam que o barulho pode ser ensurdecedor para as baleias, pois em qualquer dia o oceano está repleto de ruídos de navios, testes sísmicos, perfuração de petróleo e comunicações militares. “É tão barulhento que, para os padrões humanos, as baleias deveriam usar protetores de ouvido para amortecer o barulho ou então ficar surdos”, explica Christopher Clark, da Cornell University.

Barcos comerciais navegam ao lado de baleias jubarte | Reprodução: Pixabay

Estudos recentes analisaram, o impacto que o ruído do transporte marítimo produz nas baleias jubarte, no Japão. E conclui-se que a uma distância de 1.200 metros dos navios, o animal ou reduzia ou parava completamente de se comunicar e só retornava após 30 minutos da passagem dos navios. “Este estudo é muito importante por causa de sua localização única em uma área tão primitiva com muito pouco tráfego de navios” conta Denise Risch da Associação Escocesa de Ciência Marinha, “Nas áreas mais ocupadas, muitas vezes é difícil separar várias causas potenciais para uma mudança observada no comportamento das baleias”.

Para os cientistas, a descoberta trata-se do primeiro passo para estudar com profundida como as baleias interagem com a poluição sonora e como isso as afetará a longo prazo. “Poucos estudos investigaram o impacto de navios acompanhando-os desde sua origem, em animais individuais e no contexto de um comportamento específico. Esses dados são vitais para avaliar e modelar os impactos do ruído de longo prazo e em larga escala ”, finaliza Risch.


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