Sem precedentes

Pantanal vive o pior ano de sua história em número de queimadas

Foram mais de 5,2 mil focos de calor registrados pelo Inpe em setembro no Pantanal e quase 16 mil no ano de 2020

Foto: Amanda Perobelli/Reuters
Foto: Amanda Perobelli/Reuters

O ano de 2020 é o pior da história do Pantanal em número de queimadas. O mês atual, que ainda nem chegou ao fim, também já se consolidou como o pior setembro do bioma. Os dados são do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O fogo já destruiu 33% do Pantanal em Mato Grosso, transformando a vegetação em cinzas, ferindo e matando animais silvestres.

O combate às queimadas tem sido realizado com afinco por brigadistas e voluntários. O número de pessoas que trabalham para controlar as chamas, no entanto, é pequeno diante da imensidão do bioma. Segundo o biólogo Gustavo Figueirôa, coordenador de uma equipe de voluntários, também falta estrutura.

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“A logística aqui está muito complicada. Não tem lugar suficiente para as pessoas ficarem, não tem veículos suficientes para as pessoas andarem. O fogo já passou pela região do Porto Jofre, está subindo para o norte novamente. O que a gente encontra aqui são poucos focos de incêndio, mas muitas áreas queimadas. Felizmente encontramos uma onça pintada e uma família de ariranhas sem machucados, sem queimaduras. Isso é um alívio. A fumaça está muito forte, a gente mal consegue enxergar dez metros na frente”, contou ao Jornal Nacional.

Foram mais de 5,2 mil focos de calor registrados pelo Inpe em setembro no Pantanal e quase 16 mil no ano de 2020. O cenário visto atualmente no bioma é classificado pelo climatologista da UFMT, Rodrigo Marques, como uma catástrofe para a natureza.

“A gente tem visto aí algo que fugiu completamente do controle, muito por conta da negação: ‘não, não é nada disso que estão falando’. E, agora que de fato viram que é algo sem precedentes, a gente vai pagar um preço muito alto, porque a gente não vai recuperar tudo que perdeu e vai levar um bom tempo para recuperar parte do que foi perdido”, afirmou o especialista.

Não se sabe ainda qual é o impacto das queimadas sobre os animais e o meio ambiente, tampouco o tempo que o bioma levará para se restabelecer. Uma força-tarefa foi formada para investigar o número de animais mortos. Os corpos encontrados serão registrados através de um aplicativo, com data e coordenadas geográficas. As equipes precisam localizar os animais mortos em até 72 horas depois do incêndio para que as ossadas não desapareçam.

Equipes também se mobilizam para montar e abastecer pontos de alimentação e água para os animais sobreviventes, que são condenados à fome e à sede por conta da devastação do habitat. Um grupo já arrecadou cinco toneladas de alimentos, compostos em sua maioria por frutas e legumes.

Especialista em onças, o médico veterinário Antônio Carlos Csermak Júnior saiu de Minas Gerais para ajudar os animais no Pantanal. O cenário, para ele, é desolador.

“É muito triste, qualquer queimadura a gente sabe a dor que é. Mesmo a situação do incêndio sendo controlada, a gente cuidando dos animais que a gente conseguir ter acesso, vai faltar comida para esses animais depois, então é preocupante, sim”, concluiu.


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