Equipes investigam número de animais mortos por incêndios no Pantanal

Mariana
September 18, 2020

Foto: Christine Strussmann/Arquivo Pessoal

Voluntários, representantes de órgãos públicos, membros de universidades e de ONGs se uniram para levantar o número de animais mortos pelas queimadas que estão destruindo o Pantanal. O bioma já perdeu quase 3 milhões de hectares.

Até o momento, 20 pessoas investigam as mortes em ações de campo iniciadas há 10 dias em Mato Grosso e nesta semana em Mato Grosso do Sul. Os resultados serão publicados posteriormente em periódicos científicos.

Os corpos encontrados serão registrados através de um aplicativo, com data e coordenadas geográficas. As equipes precisam localizar os animais mortos em até 72 horas depois do incêndio para que as ossadas não desapareçam.

Fazem parte dos trabalhos representantes do projeto Bichos do Pantanal, da ONG Panthera, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), do Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP), do Instituto Homem Pantaneiro, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), entre outras instituições. Os protocolos são elaborados pela unidade do Pantanal da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que também ficou responsável por analisar os dados coletados.

Responsável pelas ações de campo em Mato Grosso do Sul, o pesquisador Diego Viana, do Instituto Homem Pantaneiro, afirmou ao G1 que “este é um trabalho sem precedentes no Pantanal e muito importante pela união de diversas instituições em prol de um mesmo objetivo”.

“A padronização de método de levantamento de dados é fundamental para que os resultados sejam confiáveis. Nesse caso, adotamos uma técnica reconhecida mundialmente como adequada, uma vez que corrige erros de detecção de animais ou objetos a diferentes distâncias da pessoa que está fazendo os registros”, complementou Walfrido Moraes Tomas, pesquisador da Embrapa Pantanal e coordenador da força-tarefa.

Pequenos mamíferos e serpentes foram os animais mais encontrados neste início da investigação. Por se deslocarem de maneira lenta, eles são alvos mais fáceis do fogo. Os maiores têm mais chance de fugir para áreas úmidas. No entanto, em locais em que há pouca água, quase todas as espécies são atingidas pelas queimadas. Os pesquisadores já encontraram jacarés, onças e antas mortas.

Com base em levantamentos anteriores, o projeto Bichos do Pantanal apresentou estatísticas sobre o impacto dos incêndios. Entre 30% e 35% da flora e aproximadamente 20% dos mamíferos podem ter sido afetados pelo fogo. Cerca de 2 mil espécies de plantas, 580 de aves, e 280 de peixes, 174 de mamíferos, 131 de répteis e 57 de anfíbios vivem no Pantanal. Não há dados sobre o número de invertebrados.

Foto: Christine Strussmann/Arquivo Pessoal

“A gente está no meio do inferno. É uma das piores estações de fogo que já vimos ocorrer no Pantanal nos últimos 10 anos. De algumas semanas para cá tivemos uma diminuição dos focos de incêndio, mas foi porque tudo o que havia para ser queimado, já foi”, lamentou Wilkinson Lopes Lázaro, doutor em ictiofauna do projeto Bichos do Pantanal, doutor em ecologia e recursos naturais pela UFRJ e professor da Unidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT).

A força-tarefa não conta com linha de financiamento e, por isso, tem limitações financeiras, de pessoal e de logística. Instituições com o ICMBio e o INPP apoiam as ações ao ceder funcionários e arcar com diárias. Parte dos pesquisadores atua voluntariamente e todos os membros das equipes enfrentam o trabalho sobrecarregado, a exposição às cinzas e à poeira e o risco de fogo subterrâneo. As polícias militares ambientais de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul auxiliam na investigação, além de brigadistas do Prevfogo e do ICMBio.

“É uma luta muito árdua, porque muitas das áreas que salvamos mês passado, o fogo dá a volta e está queimando agora. Muitas vezes o resultado de sucesso de um mês atrás está perdido. Os bombeiros já têm a infraestrutura de turnos, toda a rotina de equipes, de rendimento. Para o brigadista voluntário, o guia de turismo, fazendeiro, pesquisador, não tem turno. Vai depender da demanda. Houve vários dias de varar a noite, de 24 horas, 30 horas de combate. A gente não tem outra opção, não tem ninguém para substituir. A gente se dedica até a exaustão”, relatou o brigadista voluntário Fernando Tortato, que é biólogo e pesquisador da ONG Panthera.

Outra vertente da investigação está relacionada à vida aquática. Isso porque um estudo da ONG Bichos do Pantanal concluiu que o bioma perdeu 17% das áreas com água nos últimos 10 anos, cerca de 14 mil quilômetros quadrados – o que afeta diretamente a alimentação e o ciclo de reprodução de peixes e a cadeia alimentar de outros animais.

O agravamento da “dequada” – quando a vegetação aquática morre no recuo das águas por decomposição de matéria orgânica em excesso – também deve aumentar a mortandade de peixes por conta do esgotamento temporário de oxigênio na água.

Foto: Christine Strussmann/Arquivo Pessoal

“A fauna toda vai ser impactada em função da alteração da qualidade da água. É interessante levantar essas informações agora para elaborarmos estratégias para mitigar situações futuras como essa. Se não tivermos chuvas em 10 dias, a situação vai piorar ainda mais. O ambiente pantaneiro é muito dependente do ciclo da chuva. Estamos perdendo água no Pantanal, e isso é preocupante. O Pantanal é sinônimo de água”, reforçou Claumir Muniz, doutor em ecologia e recursos naturais e professor da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT).

Pesquisadores citaram ainda as mudanças climáticas como agravante das queimadas, que são provocadas, em sua maioria, pela ação humana. Para piorar, previsões indicam o aumento da presença do fogo e a redução do ciclo de chuvas nos próximos anos.

“Contar as carcaças dos animais mortos permite estimar o impacto dos incêndios. Essa informação tem um valor inestimável por informar numericamente o impacto desses eventos catastróficos, e assim sensibilizar a população em geral, mas também as autoridades, proprietários, gestores de áreas protegidas, sobre a necessidade de se adotar práticas de manejo que evitem esta sinergia entre eventos climáticos extremos e comportamento de risco ambiental”, concluiu o pesquisador Walfrido Moraes Tomas.


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