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Enquanto Pantanal arde em chamas, Bolsonaro diz que Brasil é país que mais preserva a natureza

DIEGO BRESANI/DIVULGAÇÃO
DIEGO BRESANI/DIVULGAÇÃO

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse ontem (17) que o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente. A declaração, que ignora o recorde de queimadas que já destruíram quase 3 milhões de hectares do Pantanal, foi dada durante a inauguração de uma usina fotovoltaica na Paraíba.

“O Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente e, não entendo como, é o país que mais sofre ataques no tocante ao seu meio ambiente. O Brasil está de parabéns pela maneira como preserva o seu meio ambiente”, disse Bolsonaro.

Os dados oficiais, no entanto, desmentem o presidente. Além das queimadas no Pantanal, o fogo tem destruído outras regiões do país. De janeiro a agosto, o estado de São Paulo registrou 2.744 focos de incêndio, 53% a mais do que no mesmo período de 2019. Na Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, as queimadas registradas nos primeiros 14 dias de setembro já superaram o número de incêndios ocorridos em todo o mês de setembro de 2019. Até o dia 15, foram 20.485 focos de calor, ante 19.925 no ano passado. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

As provas de que o Brasil não preserva o meio ambiente como deveria, no entanto, não se restringem à devastação dos biomas. Isso porque é necessário levar em consideração o desmonte ambiental promovido pelo governo, que tenta esconder essa realidade com um discurso vazio que parabeniza o país por algo que não está sendo feito.

O governo Bolsonaro, através da ação do próprio presidente e de seu ministro de Meio Ambiente, Ricardo Salles, criou um órgão para perdoar multas ambientais; colocou militares sem competência técnica para chefiar o ICMBio e o Ibama; reduziu a fiscalização contra crimes ambientais; transferiu o Serviço Florestal Brasileiro do Ministério do Meio Ambiente para o Ministério da Agricultura, comandado por uma ruralista; atacou ONGs; contestou dados oficiais sobre desmatamento e queimadas; interrompeu o Fundo Amazônia, que financiava ações de preservação da floresta; exonerou funcionários de órgãos ambientais que possuíam perfil técnico e exerciam trabalho exemplar de proteção à natureza; liberou agrotóxicos de maneira excessiva; revogou decreto que proibia o avanço das plantações de cana-de-açúcar sobre os biomas pantaneiro e amazônico; entre tantas outras ações.

Foto: Ernane Júnior/Facebook

O resultado do desmonte é visto não só nas florestas que são derrubadas e ardem em chamas, mas também na redução de multas que deveriam punir criminosos ambientais. As penalidades aplicadas pelo Ibama em Mato Grosso do Sul sofreram queda de 22% em 2020, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Em Mato Grosso, a redução foi de 52%, com 173 infrações relacionadas à natureza punidas em 2020, ante 361 em 2019.

Já em Mato Grosso do Sul, 50 multas foram aplicadas por crimes contra o meio ambiente neste ano. Em 2019, foram 64. A junção das penalidades registradas nos dois estados resultaram em 48% de queda.

A política ambiental desastrosa do Brasil já prejudica empresas brasileiras, que sofrem com a imagem negativa do país no exterior e perdem negócios. Esse cenário alarmante levou um grupo de países a enviar uma carta ao governo brasileiro na última quarta-feira (16) para pressionar Bolsonaro. O documento, assinado pelos governos da Alemanha, Bélgica, Dinamarca, França, Holanda, Itália, Noruega e Reino Unido, revela que a alta no desmatamento dificulta investimentos e transações comerciais com o Brasil.

Reuters/A. Perobelli

Em um trecho da carta, os países afirmam que “enquanto os esforços europeus buscam cadeias de suprimentos não vinculadas ao desflorestamento, a atual tendência crescente de desflorestamento no Brasil está tornando cada vez mais difícil para empresas e investidores [da Europa] atender a seus critérios ambientais, sociais e de governança”.

O manifesto cita ainda uma preocupação crescente por parte de consumidores, empresas, investidores e também pela sociedade civil europeia por conta dos recordes de desmatamento do Brasil.

Bolsonaro, no entanto, não cede à pressão internacional. Para ele, as críticas são desproporcionais. Enquanto outros países enxergam a imensa destruição ambiental a qual o Brasil foi condenado, com forte interferência do agronegócio que desmata para criar bois, o presidente segue de olhos fechados.


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