Sob ameaça

Queimadas atingem últimos refúgios de onças-pintadas no Pantanal

Ameaçado de extinção, o maior felino das Américas luta para sobreviver em meio aos incêndios que devastam o Pantanal

(Bloomberg / Colaborador/Getty Images)

A sobrevivência das onças-pintadas está sob ameaça no Pantanal. As queimadas, que se dispersam e destroem áreas cada vez maiores, chegaram aos últimos refúgios desses animais, que correm risco de serem extintos. Dentre eles, o Parque Estadual Encontro das Águas, na região de Porto Jofre, em Poconé (MT). Segundo o governo de Mato Grosso, a área de preservação ambiental reúne a maior concentração de onças-pintadas do mundo, que agora lutam para fugir do fogo.

Muitos animais, no entanto, não conseguem escapar das chamas. Os que não têm a sorte de serem resgatados com vida, agonizam e morrem em meio à mata, carbonizados ou sufocados pela fumaça.

Recentemente, uma onça-pintada com graves queimaduras nas patas foi resgatada às margens do Rio São Lourenço. O resgate, acompanhado pela reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, contou com o apoio do “piloteiro” Vandir Garcia, o Cabelo, que oferece serviço de transporte no rio. “O fogo neste ano aqui está muito brabo. Os animais não conseguem escapar”, afirmou Cabelo.

FAÇA PARTE DO #DiaDeDoarAgora EM 5 DE MAIO

Com as patas em carne viva, a onça de aproximadamente 100 quilos lambia as patas para remover a pele queimada em uma tentativa desesperada de amenizar o próprio sofrimento. Estima-se que o animal, do sexo masculino, tenha cerca de dois anos de idade.

Chegar à beira do rio provavelmente foi uma tarefa difícil para a onça por conta da dor causada pelas queimaduras. Mas o esforço garantiu a sua sobrevivência, já que em meio à mata ela poderia ter morrido por asfixia, como tem acontecido com tantos outros animais.

O estado de saúde da onça, no entanto, não tornou o resgate mais fácil. Debilitada e sem forças, ela teve que ser sedada durante uma operação comandada por Eduarda Fernandes Amaral, de 20 anos. Liderança no município de Porto Jofre, ela é responsável por fazer a mediação entre donos de pousadas, Corpo de Bombeiros, ONGs e agentes do governo estadual que se uniram para combater as queimadas. “O Pantanal é muito grande para os poucos bombeiros que vieram”, lamentou Eduarda em entrevista ao Estadão.

Foto: Ernane Júnior/Facebook

Assustada, a onça-pintada resistiu ao resgate e, após uma hora de tentativas, o veterinário Jorge Salomão, de 36 anos, da ONG Ampara Animal, conseguiu sedá-la usando uma zarabatana. Carregada e colocada em uma jaula, a onça recebeu os primeiros socorros e foi levada para uma pousada que abriu as portas para receber os animais atingidos pelo fogo.

Um helicóptero da Marinha foi providenciado para o transporte do animal, que foi levado para o hospital veterinário da Universidade Federal de Mato Grosso, onde está recebendo tratamento.

A expectativa agora é que a onça-pintada sobreviva e tenha um destino diferente daqueles que morreram carbonizados, asfixiados ou atropelados enquanto fugiam dos incêndios.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui