Proteção animal

PL que proíbe exploração de animais em testes para cosméticos é aprovado em SC

A proposta também proíbe que animais sejam explorados em experimentos voltados a produtos de perfumaria e higiene pessoal

Pixabay
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A Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC) aprovou, em votação realizada na última quarta-feira (9), um projeto de lei que proíbe a exploração de animais em testes para cosméticos.

A proposta também proíbe que animais sejam explorados em experimentos voltados a produtos de perfumaria e higiene pessoal.

De autoria do deputado João Amin (PP), o Projeto de Lei 55/2017 tem como objetivo zelar pelo bem-estar animal e, para isso, proíbe a exploração de animais para o desenvolvimento, experimento e teste de produtos cosméticos, de higiene pessoal, perfumes e seus componentes.

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Na votação, a proposta recebeu voto contrário do deputado Bruno Souza (Novo), mas foi aprovada graças aos votos dos demais parlamentares.

Embora especialistas alertem sobre a ineficiência dos experimentos com animais para formulação de medicamentos, que também são cruéis e condenam milhares de animais à morte, os testes para fabricação de remédios foram excluídos do projeto e continuarão a ser realizados legalmente.

“A pesquisa científica com animais é uma falácia”

O médico norte-americano Ray Greek milita há décadas pelo fim da exploração de animais em testes para medicamentos. O compromisso do especialista é convencer a comunidade científica sobre a ineficácia desses experimentos.

“A falácia nesse caso é de que devemos testar essas drogas primeiro em animais antes de testá-las em humanos. Testar em animais não nos dá informações sobre o que irá acontecer em humanos. Assim, você pode testar uma droga em um macaco, por exemplo, e talvez ele não sofra nenhum efeito colateral. Depois disso, o remédio é dado a seres humanos que podem morrer por causa dessa droga. Em alguns casos, macacos tomam um remédio que resultam em efeitos colaterais horríveis, mas são inofensivos em seres humanos. O meu argumento é que não interessa o que determinado remédio faz em camundongos, cães ou macacos, ele pode causar reações completamente diferentes em humanos. Então, os teste em animais não possuem valor preditivo. E se eles não têm valor preditivo, cientificamente falando, não faz sentido realizá-los”, explicou Ray Greek em entrevista à revista Veja.

De acordo com o médico, empresas farmacêuticas já admitiram que futuramente os remédios serão testados em computadores, depois em tecido humano e, por fim, em seres humanos. Para Ray Greek, a medicina estaria “no mesmo lugar em que ela está hoje” se nunca tivessem sido realizados experimentos envolvendo animais. “A maioria das drogas é descoberta utilizando computadores ou por meio da natureza. As drogas não são descobertas utilizando animais”, explicou.

A pesquisa, segundo o médico, deveria ser baseada em tecidos e genes humanos. “É daí que os grandes avanços da medicina estão vindo. Por exemplo, o Projeto Genoma, que foi concluído há 10 anos, possibilitou que muitos pesquisadores descobrissem o que genes específicos no corpo humano fazem. E agora, existem cerca de 10 drogas que não são receitadas antes que se saiba o perfil genético do paciente. É assim que a medicina deveria ser praticada. Nesse momento, tratamos todos os seres humanos como se fossem idênticos, mas eles não são. Uma droga que poderia me matar pode te ajudar. Desse modo, as diferenças não são grandes apenas entre espécies, mas também entre os humanos. Então, a única maneira de termos um suprimento seguro e eficiente de remédios é testar as drogas e desenvolvê-las baseados na composição genética de indivíduos humanos. Para se ter uma ideia, a modelagem animal corresponde a apenas 1% de todos os testes e métodos que existem. Ou seja, ela é um pedaço insignificante do todo. O estudo dos genes humanos é uma alternativa. Quando fazemos isso, estamos olhando para grandes populações de pessoas. Por exemplo, você analisa 10.000 pessoas e 100 delas sofreram de ataque cardíaco. A partir daí analisamos as diferenças entre os genes dos dois grupos e é assim que você descobre quais genes estão ligados às doenças do coração. E isso está sendo feito, porém, não o bastante. Há também a pesquisa in vitro com tecido humano. Virtualmente tudo que sabemos sobre HIV aprendemos estudando tecido de pessoas que tiveram a doença e por meio de autópsias de pacientes. A modelagem computacional de doenças e drogas é outra saída. Se quisermos saber quais efeitos uma droga terá, podemos desenvolvê-la no computador e simular a interação com a célula”, concluiu.


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