Mais de 75% das doenças infecciosas que atingem os seres humanos têm origem na exploração de animais

silvana
September 11, 2020

Pixabay

Ao menos 75% de patógenos infecciosos das doenças emergentes do ser humano vem de animais, segundo a Organização Mundial da Saúde. Sarah Olson, trabalha há quase 10 anos em prevenir transmissões de doenças e na chegada de uma possível epidemia mundial. Quando o novo coronavírus , o SARS-CoV-2, apareceu, foi muito difícil ver que as previsões não eram suficientes. “Fomos atingidos em nossos pontos fracos. Não havíamos feito o suficiente e ainda falta muito a ser feito”. Adicionou. A investigadora do programa de saúde da Sociedade de Conservação da Vida Silvestre de Nova York (Estados Unidos) acaba de publicar um estudo que recorre, pela primeira vez, amostras ao longo de uma cadeia alimentar de animais silvestres vivos no Vietnam destinados ao consumo. “sabia que íamos encontrar coronavírus [da família do SARS-CoV-2] nessas espécies [roedores e morcegos], mas a quantidade me deixou impactada”, reconhece.

A prevalência de animais infectados é cada vez maior à medida que avança a cadeia. Nos animais da fazenda, desde que são criados, já se pode detectar a presença de coronavírus em quase 21% deles. Mais tarde, quando chegam ao mercado depois que animal foi passou pelo transporte, no estresse que isso acarreta, já teve contato com a urina e as fezes de outros animais entre outras coisas, chega a 32% segundo o estudo. A partir daí, o animal se converteu em comida e acaba no prato de um restaurante. E o final da cadeia, e aí a presença do vírus alcança 55,6%. “Isso nos diz claramente que aumenta o risco de contágio a seres humanos”, comenta a autora do estudo publicado no PLOS ONE.

“O vírus está presente desde a origem e é muito chamativo porque as porcentagens são muitos altas em comparação com outros estudos”.

Elisa Perez Ramírez, expert em vírus emergentes do Centro de Investigação em Sanidade Animal

Os investigadores também viram que diferentes vírus circulam na mesma cadeia, que há infecções entre animais e que, por tanto, podem ocorrer recombinações de vírus. Nas mesmas fezes, encontraram uma mescla de vírus provenientes tanto de ratos, morcegos, como também de aves. “Isso indica que há um contato entre eles e que, ainda que o ambiente possa alterar a amostra, o vírus está presente e isso que se deve lembrar”, Opina Elisa Peréz Ramírez, Experta em vírus emergentes do Centro de Investigação em Sanidade Animal, no município madrilenho de Valdeolmos. Para a investigadora espanhola, este estudo é muito interessante, já que é o primeiro que mostra toda a cadeia alimentar desses mercados úmidos. “Em comparação com outros estudos”, comenta.

O que acontece na Ásia parece coisa de outro mundo, mas a globalização o aproxima do país vizinho. “Parece de algo distante e por sorte o controle veterinário na Europa e Espanha não tem nada a ver. Os veterinários se impressionam muito ao ver em que condições são criadas estas espécies, nesses mercados úmidos. É uma bomba relógio. Como o sacrificam, os fluidos, muitas espécies em um espaço pequeno, se supõem um risco muito alto para todos”, aponta Peréz Ramírez. Mas isso é apenas o princípio. Se estima que há até 1,67 milhões de vírus ainda desconhecidos e dentro disso, 631.000 e 827.000 poderiam ser transmitidos a humanos. “Temos muito que saber. Estamos apenas arranhando a superfície. O que acontece com o mundo selvagem é como uma enorme caixa negra, cujo conteúdo não conhecemos ainda”, compara Olson, a investigadora que lidera o novo estudo.

O que fazer?

Explica Victor Briones, investigador do Centro de Vigilância Sanitária Veterinária da Universidade Complutense de Madrid, que para poder dirigir tudo isso é indispensável a Rastreabilidade, é dizer, um seguimento de um mesmo animal (ou produto) ao longo de todo o processo. Porém, por hora, não existe. “Não se sabe nada, nem em que condições foi criado, nem se foi caçado, se é de uma fazenda legal ou ilegal, se estava perto de outros animais, se estava em uma jaula com outros. É muito difícil saber onde nascem as contaminações”, afirma.

“Os veterinários se impressionam muito ao ver em que condições são criadas estas espécies, nesses mercados úmidos. É uma bomba relógio. Como o sacrificam, os fluidos, muitas espécies em um espaço pequeno, se supõem um risco muito alto”

Elisa Perez Ramírez, experta em vírus emergentes do Centro de Investigação em Sanidade Animal

Atuar em princípio de cadeia é impossível, ainda que soubéssemos exatamente que animal está na origem de uma pandemia global. A transmissão do vírus entre os animais é inevitável e sobretudo natural. Portanto, devemos nos concentrar no último elo: o ser humano. “Temos que nos conscientizar sobre o consumo tanto aos clientes, como aos comerciantes. Proibir totalmente não vejo como uma possibilidade, porque poderia seguir fazendo de maneira ilegal e isso é ainda mais difícil de controlar”, adverte Briones. “Mas se não há consumo, tudo isso pode ser feito dentro dos padrões legais”, propõe.

As pessoas que promove esses mercados de vida selvagem pensam que não há animal mais fresco que um vivo. Está muito fixado que matar diante do cliente é uma prova de que está fresco. Portanto, teria que mudar de mentalidade. Se si reduz a demanda, toda a cadeia mudaria e isso poderia ser uma saída desse círculo vicioso que afeta a saúde global. Porém, não é tão simples. Cada contexto é diferente e as iniciativas têm que adaptar se a cada caso específico. Tem que levar tudo em consideração e nos assegurar que todo o mundo tenha as mesmas oportunidades. Acredito que temos que atuar na educação e buscar alternativas para o suprimento de proteínas”, opina Olson.

SARS-CoV-2

Enquanto ao covid, sua origem zoonótica esteve clara desde o princípio para todos os especialistas consultados. Para Pérez Ramírez e Briones é o momento de passar da teoria à prática e de seguir investigando “mais e mais” para conhecer sua origem. “É uma pena que não se tenha levado em conta a outra parte da moeda. Toda a atenção foi para a saúde humana, algo completamente normal visto o impacto que teve, mas esquecemos a parte animal e não pode acontecer” afirma a investigadora. A experta propõe que se implante uma vigilância ativa, não esperar que os animais tenham sintomas e ir tomando amostras o quanto antes para ter uma ideia dos vírus que circulam.

A comunidade cientifica segue sem entender a lista de espécies que havia no mercado de Wuhan. “Não foi feito uma amostragem exaustiva antes de fechá-lo, mas isso foi fundamental. A essas alturas teríamos que saber mais do que sabemos agora”, conclui a experta. Antes de encerrar, menciona que a OMS enviou uma comitiva para a China para estudar a origem do SARS-Cov-2 em agosto, “somente oito meses depois do início da epidemia”, conclui.

Outra origem

Outra origem de transmissão de doenças é a exploração do meio natural. Ao desmatar e cultivar, o ser humano se expõe ao meio ambiente selvagem e as espécies que vivem aí. Um estudo recente da Science sugeriu que diminuir as terras agrícolas e o desmatamento e regulamentar o comércio de animais selvagens pode reduzir a probabilidade dos vírus infectarem as pessoas.


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