Profissionais fazem da nutrição uma ferramenta de incentivo ao veganismo


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A nutrição é uma área que pode exercer papel de fundamental importância para a disseminação do veganismo. Para garantir que isso seja feito, cada vez mais profissionais têm se especializado para atender ao público vegano.

Se antes era quase impossível encontrar um profissional capacitado para atender as demandas de uma dieta vegetariana estrita, atualmente essa dificuldade tem se tornado cada vez menor.

Conscientes da importância do veganismo como forma de preservar o planeta, a vida dos animais e a saúde humana, muitos nutricionistas têm escolhido essa área de atuação, como é o caso de Maitê Ranheiri.

Segundo ela, a escolha pela profissão foi bastante natural. “Acho que já estava em mim desde criança. A família da minha mãe sempre esteve envolvida com comida, minha avó fazia ovos de páscoa e marmitas pra vender, minha tia tinha uma fábrica pequena de chocolate, minha mãe começou a fazer salgados para festas. Minha avó se foi cedo por doenças crônicas e eu sempre pensei o que podia fazer para que não acontecesse o mesmo com outras pessoas. Eu sempre quis ser nutricionista mesmo nem sabendo o que uma nutri fazia. Foi tudo muito intuitivo, não tinha opção de outra profissão”, contou Maitê em entrevista à ANDA.

Enquanto cursava nutrição na universidade, Maitê acompanhava os conteúdos produzidos por uma nutricionista vegana que lhe serviu de inspiração. Depois, iniciou seus estudos sobre vegetarianismo.

“Vi que era possível trabalhar com nutrição sem sofrimento animal. Trabalho muito com consciência alimentar e compaixão pelos animais e pelas pessoas, acho que tudo faz muito sentido agora pra mim”, disse.

A nutricionista Fernanda Maia também estudou muito por conta própria para adquirir conhecimentos sobre nutrição baseadas em vegetais. Ela, que entrou na universidade sendo vegetariana, conta que sempre teve uma alimentação saudável e que escolheu a nutrição porque “queria uma profissão para cuidar de pessoas”.

E o interesse pelo veganismo não é só delas. As profissionais revelam notar um aumento no número de vegetarianos e veganos, além de pessoas que ainda consomem carne, mas estão interessadas em mudar seus hábitos. Segundo Fernanda, é possível notar a ascensão do veganismo diariamente.

Maitê também tem observado esse aumento. “Algumas pessoas me procuram sem a intenção de se tornar vegetarianas e a sementinha é plantada sem intenção minha, pela questão da consciência mesmo”, contou.

A profissional orienta os interessados em fazer a transição para o veganismo a incluir na dieta “saladas cruas e cozidas, fazendo com que ocupem metade do prato, com muitas cores, incluindo um vegetal verde-escuro”. Carboidratos também são importantes. Segundo ela, é recomendado consumir um tipo de carboidrato por refeição, “como arroz integral ou branco, batata doce ou aipim, massa, milho cozido”, além de “proteínas como as leguminosas (lentilha, feijão, ervilha, soja ou grão de bico)”. As gorduras ficam por conta das oleaginosas, que são “castanhas e sementes (gergelim tostado ou semente de abóbora ou semente de girassol)”, e do azeite de oliva extra virgem.

Para garantir o aporte necessário de vitamina C, que aumenta a absorção do ferro, Maitê recomenda o consumo de “saladas cruas e limão espremido na comida (na hora de comer)”. O consumo de uma fruta de sobremesa, “preferencialmente as ricas em vitamina C”, também é uma opção.

Fernanda lembra, no entanto, que garantir uma vida saudável vai além do prato. “Saúde é um conjunto de hábitos e fatores”, reforçou.

Quanto à vitamina B12, as profissionais são taxativas: é preciso suplementar. A suplementação, que também é recomendada para muitos onívoros, é de baixo custo – uma ampola comercializada em farmácias, para ser aplicada por meio de injeção, custa uma média de R$ 12 e os comprimidos também são acessíveis.

“A orientação é que os veganos suplementem para manter os níveis dessa vitamina porém, qualquer pessoa com níveis baixos de vitamina B12 e outros exames devem suplementar, tanto onívoros quanto vegetarianos e veganos”, explicou Maitê.

Fernanda reforçou que a suplementação deve ser feita por todo vegano após a realização de exames sanguíneos, mas pontuou também que “a B12 não deve ser avaliada de forma individual, são necessários outros exames complementares para avaliar essa suplementação”. A nutricionista afirmou, porém, que suplementar a B12 não é uma necessidade exclusiva de quem não consome produtos de origem animal. “Em algum momento todos os onívoros também terão que suplementar”, disse.

O conhecimento sobre essas questões, no entanto, ainda não chega à população como um todo e não alcança nem mesmo todos os profissionais de nutrição – daí a importância de procurar um nutricionista especialista em vegetarianismo estrito para ter um acompanhamento nutricional adequado.

Para que essa realidade se transforme e a nutrição possa ser usada como ferramenta incentivadora do veganismo, Fernanda reitera que é necessário mudar “toda a forma de ensino nas faculdades”.

“Os profissionais, que não são veganos, tem a obrigação de saber e entender que a alimentação nos moldes atuais é insustentável para o nosso planeta! Precisamos mudar com urgência a forma de pensar. Carne não é proteína, carne é um animal que sofreu!”, reforçou.

Maitê concorda. Para ela, “a nutrição trabalhada de forma consciente e compassiva (consigo mesmo, primeiramente) pode aumentar a consciência e compaixão em relação aos outros seres, tanto pessoas, como animais e o planeta”.

Para concluir sua argumentação, a profissional citou um texto que, segundo ela, faz sentido para o seu trabalho como nutricionista: “ser vegetariano, é nos dias de hoje, fazer parte de um futuro onde a consciência sobre o respeito pela existência e bem estar de todas as criaturas se faz presente. É, além de opção, uma filosofia de vida, onde a ética e a compaixão se tornam companheiras nas atitudes. Onde o desejo por um mundo mais justo e sem sofrimento para todos os seres vivos se afasta da utopia através da prática de hábitos e escolhas alimentares. É caminhar para um futuro mais consciente, justo, harmônico e saudável. É praticar o amor pela vida e por todas as criaturas”.


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