Porco grita ao ser usado como isca para atiçar cães explorados para caça de animais silvestres

Mariana
September 1, 2020

Veterinárias alertam que filhote de porco pode ter sofrido lesões graves (Reprodução)

Alvo de uma barbárie, um filhote de porco foi usado como isca para atiçar cachorros explorados para a caça de animais silvestres na cidade de Ibiaçá, no Rio Grande do Sul. Segurando o porco pela perna, um homem o carrega em meio a dezenas de cães acorrentados. Além dos latidos dos cachorros, é possível ouvir o porco gritar de medo e dor.

O caso foi registrado em um vídeo (confira ao final da reportagem). Nas imagens, três homens carregam o porco, amarrado pela pata, em meio aos cachorros, que vivem em condições degradantes, acorrentados a casinhas de madeira, na lama.

O vídeo foi submetido à análise de duas médicas veterinárias, que atestaram os maus-tratos. “A situação observada é altamente reprovável por causar lesões neste suíno, mal-estar e alto estresse, confirmando, dessa forma, a violação do artigo 32 da Lei 9.605/98”, escreveu em um laudo técnico a veterinária Paula Fachin Guarda.

A médica veterinária Cristiane Fonseca também avaliou as imagens e confirmou a possibilidade de lesão, além de sofrimento psicológico e risco de morte. Segundo ela, carregar o porco pendurado pela pata causa dor e estresse.

“Do ponto de vista clínico, este é um ato doloroso, pois pode causar diversas lesões, desde fratura de osso, lesão em tendão, ruptura, lesão de músculo, até mesmo deslocamento de costelas. Do ponto de vista psicológico, este ato provoca extremo estresse no animal, faz com que a resistência do organismo se torne baixa e pode ter como consequências: infecção de pele, diarreia, vômito, infecções urinárias, tremores, convulsões, agressividade, micções indesejadas, apatia, salivação excessiva, falta de apetite, taquicardia e pode até causar o óbito por parada cardiovascular”, explicou.

As especialistas reforçaram, no entanto, que os maus-tratos não foram impostos apenas ao filhote de porco, mas também aos cachorros. Segundo Paula, os cães “também estão submetidos à crueldade, a estresse por estarem restritos a correntes, com sua liberdade privada, em ambiente sujo, sujeitos à ‘provocação’ pela exposição do suíno em seu meio”.

Cães vivem acorrentados, limitados a pequenas casinhas de madeira em meio à lama (Reprodução)

Mantê-los aprisionados em correntes, conforme explicou Cristiane, pode levá-los “a desenvolver problemas de circulação, problemas cardíacos, musculares, de coluna, obesidade, agressividade, entre outros”. “Quando um animal é confinado ou acorrentado, pelos menos uma das Cinco Liberdades proclamadas pela Farm Animal Welfare Committee (FAWC) é violada: a liberdade para expressar o comportamento natural da espécie. Além das correntes, percebemos que estes cães são colocados em situação de estresse, com o suíno entre eles, estando também submetidos à crueldade”, afirmou a veterinária.

O caso foi denunciado ao Ministério Público pela ONG dos Peludos. No ofício encaminhado à Promotoria de Justiça, a entidade afirma que “o vídeo mostra o treino a que cães são submetidos para aprender a caçar, despertando assim seus instintos de predadores. Este treino é rotina bastante cruel no meio dos caçadores, que treinam os cães com os mais diversos animais, tais como tatus, gatos, tamanduás, porcos, javalis, lagartos, etc”.

Na ação, a ONG lembra que os maus-tratos aos quais o porco foi submetido ferem a Constituição Federal, que veda qualquer submissão de animais à crueldade, sem distinção espacial, temporal ou de espécie. “O animal grita de provável dor, pavor, medo. Este animal aparenta pesar cerca de 18 kg, o que é alto peso para suportar ser pendurado e carregado por uma pata. Se não houve quebradura, houve rompimento de tendões, músculos, e deslocamento de osso”, diz trecho do documento.

A entidade aborda ainda o sofrimento dos cachorros, que vivem acorrentados e “são colocados para se reproduzir sem o menor critério ou limite e criados para servir para caçadas. Os que não tem faro para caçar, tem o destino de morrer nos matos ou são mortos pelos caçadores”.

No vídeo, três homens são filmados. Um deles foi identificado pela ONG, mas sua identidade não pode ser divulgada para não atrapalhar as investigações. Diante do caso, a associação pede ao Ministério Público que descubra se o homem identificado tem o registro de caçador, se possui licença de manejo de fauna exótica junto ao Ibama, se tem freezers em sua propriedade com corpos de animais caçados congelados, se tem armas e munições sem registro em sua residência, se tem outros animais em sua propriedade com registro na Inspetoria Veterinária do Estado, se tem javalis presos para treinos dos cães, se os cachorros estão vacinados. A ONG dos Peludos solicita ainda que o caçador perca a guarda dos cachorros e que eles sejam castrados e mantidos soltos das correntes em local passível de higienização. A punição dos atos praticados contra os animais é outro pedido da entidade.

Fundadora da ONG dos Peludos, Arlene Lazzari afirmou à ANDA que treinamentos para caça como o que foi registrado no vídeo são corriqueiros e, em alguns casos, são ainda mais cruéis. Há treinos nos quais os caçadores permitem que os cachorros mordam os animais usados como isca, machucando-os. Já nas caçadas, os dois lados sofrem ferimentos.

Porco é puxado pela pata ao ser usado como isca para cães (Reprodução)

“Um javali adulto retalha um cão. E quando o ferimento é grande, os caçadores deixam os cães para morrer no mato. Se o cão não for bom na caça, também é deixado para trás”, comentou Arlene.

O javali é o único animal que tem caça permitida no Brasil por não pertencer à fauna brasileira. O Ibama argumenta que é preciso caçá-lo para controlar a espécie, impedindo a superpopulação. Especialistas, no entanto, explicam que a ausência de queda na população de javalis desde que a caça foi autorizada prova que essa medida não é eficaz. Além de ser bastante cruel, por causar sofrimento nos javalis, e especista, por tirar a vida desses animais.

A única forma de realizar o controle populacional efetivo é através da castração. Os caçadores, no entanto, não querem isso. Segundo Arlene, caçar é uma diversão para essas pessoas e, por isso, eles capturam javalis para soltá-los em outros locais onde não há animais da espécie “para poderem caçar naquela região”.

Além disso, a ativista explica que a escolha de se tornar um “controlador” da espécie autorizado pelo Ibama é apenas uma desculpa para a prática da caça. “Eles vão com a desculpa de pegar javali, mas eles caçam tudo que você imagina”, criticou.

E para realizar as caçadas, muitos levam consigo os cachorros. Em 2019, a exploração de cães na caça a javalis foi autorizada pelo Ibama. Na opinião de Arlene, a normativa agravou a situação. “Os cães que se perdem viram ferais e vivem no mato, caem em buracos e morrem por desnutrição, se devoram de fome entre eles, ou acabam vindo para a cidade, reproduzindo-se e morrendo de fome nas ruas”, lamentou.

E o Ibama sabe como funciona a caça aos javalis e tem conhecimento de tudo o que há por trás dela, inclusive dos cruéis treinamentos com animais de outras espécies. No início do ano passado, a ONG Repraas Fauna Silvestre entregou ao órgão um extenso dossiê sobre os crimes cometidos pelos caçadores, além de arquivos coletados durante pesquisas realizadas por mais de um ano.

“É muito triste ouvir esses animais chorando, implorando socorro, e ninguém os ouve. E os caçadores se divertem. É muito cruel a prática deles”, desabafou a ativista.

Confira o vídeo abaixo:


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