Desastre ambiental

Vida selvagem de Bangladesh sofre com inundações e super ciclone

Apesar das tentativas de planejamento contra as inundações, centenas de pessoas morreram e milhões foram atingidas, enquanto um terço do território está submerso por conta da chuva incessante

Pixabay
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Bangladesh pode mergulhar em uma crise humanitária, já que está passando por uma das maiores inundações da época de monções em décadas, enquanto ainda se recupera dos efeitos do super ciclone Amphan.

Apesar da ONU enaltecer suas iniciativas de intervenção antecipada com o objetivo de preparar as comunidades para a crise, 550 pessoas morreram e 9,6 milhões foram afetadas pelo desastre em Bangladesh, Nepal e nordeste da Índia, segundo a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e Crescente vermelho.

O Ministério de Desastres Naturais de Bangladesh estimou que um terço do país já está debaixo d’água, com fortes chuvas que devem continuar até o final de julho. A ONU estima que essa inundação pode ser a mais longa desde 1988.

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Rezaul Karim Chowdhury, diretor executivo da ONG Coast, de Bangladesh, disse que o país está muito mais preparado para inundações do que no passado, mas que as populações em áreas inundadas podem acabar em extrema necessidade por conta da combinação das crises local e nacional.

Ele disse que a renda já foi atingida pelo fechamento de 25 fábricas têxteis estatais pelo governo, principalmente nas áreas do norte que foram inundadas e por conta da pandemia de Covid-19.

“O país está em lockdown há quatro meses e isso teve um sério impacto. Quarenta por cento da renda rural era proveniente de áreas urbanas e, de repente, trabalhadores e puxadores de riquixás não estavam mandando dinheiro para casa”, disse Chowdhury.

“Quase um terço da população caiu abaixo da linha da pobreza. Isso terá um impacto na segurança alimentar e no poder de compra, é uma situação crítica que precisamos superar”.

Ele disse que as organizações locais esgotaram os fundos na resposta à pandemia, de modo que a ONU e as organizações internacionais precisaram intervir, especialmente para apoiar os agricultores cujas plantações podem ser danificadas antes da colheita do arroz em agosto.

A ONU declarou que estava tentando evitar danos aos meios de subsistência, prevendo para onde o apoio precisava ser enviado com antecedência, utilizando técnicas analíticas avançadas e análises preditivas.

Isso possibilitou a liberação de US $ 5,2 milhões do fundo de reserva para emergências humanitárias no combate a inundações severas na semana passada: na forma de dinheiro, kits de higiene e saúde e equipamentos para proteger os materiais dos agricultores contra danos causados pela água.

O Subsecretário-Geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários e Coordenador de Socorro de Emergência, Mark Lowcock, disse que a organização não vai mais ser pega de surpresa quando os desastres ocorrerem.

“Fazer algo antes da crise pode salvar mais vidas e custar menos dinheiro. Além disso, é muito mais digno para as pessoas que estamos ajudando”, disse ele.

“Se sabemos que uma inundação está prestes a ocorrer, por que não damos às comunidades ribeirinhas os meios para evitar que eles, seus animais e suas ferramentas se protejam antes que o dilúvio chegue, em vez de esperar até que eles percam tudo e, só então, tentar ajudar?”.

Sheikh Rokon, fundador do grupo ativista Riverine People, disse que as monções são essenciais para a vida em Bangladesh, reabastecendo os níveis de água e dando vida a áreas úmidas sazonais, mas que as mudanças ambientais estão dificultando a vida das comunidades.

“A erosão dos rios piora a situação. Eles perdem tudo, menos a esperança, e precisam lutar por dias. Este ano, as comunidades ribeirinhas das bacias dos rios Brahmaputra e Teesta estão enfrentando erosões severas”, disse ele. “Uma comunidade ribeirinha muito pequena, the water Gypsy (ciganos da água, em tradução livre), vive nos rios, em barcos. As inundações dificultam sua vida e seus meios de subsistência”.

Rokon disse que as comunidades geralmente têm pouco tempo para se preparar, o que envolve a mudança de seus pertences para áreas protegidas.

O diretor executivo do Programa Alimentar Mundial (WPF), David Beasley, disse que melhorar o planejamento agindo junto às previsões ajudaria as famílias no longo prazo.

“Ano após ano, as inundações devastam Bangladesh. As águas não levam apenas casas e vidas, mas com elas o progresso e a esperança do povo de Bangladesh”, disse Beasley. “Nunca será demais salientar a importância de equipar as comunidades para se prepararem e se protegerem contra esses desastres”.


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