Estudo pioneiro mapeia regiões da flora amazônica e pode ajudar em esforços futuros para a conservação das espécies


Imagem panorâmica da floresta amazônica
Pixabay

Um estudo recente publicado no “Journal of Ecology” estabeleceu uma nova divisão da flora amazônica com base na distribuição de mais de 5.000 espécies lenhosas (árvores e arbustos). O trabalho, que analisou dados sobre a composição das espécies pela primeira vez, pode contribuir para futuros esforços de conservação.

Segundo os autores – os biólogos Karla Silva Souza e Alexandre Souza, do Departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) – os esforços anteriores de mapeamento se concentraram na fisionomia da vegetação ou em conjuntos de dados que incluíam espécies de animais, plantas e características de habitat.

“Enquanto o método revela padrões universais de distribuição da biota [todos os seres vivos], ele pode esconder padrões importantes para grupos específicos, como é o caso das plantas lenhosas”, explica Silva-Souza.

Na nova metodologia, os pesquisadores compilaram dados sobre a composição de espécies em 301 comunidades de plantas distribuídas em toda a Amazônia. Lugares que estatisticamente compartilharam menos espécies individuais foram separadas em sub-regiões distintas enquanto aqueles com mais espécies em comum foram agrupados sob a mesma sub-região.

No total, o estudo identificou 13 sub-regiões na Floresta Amazônica, que cobre 40% da América do Sul e inclui áreas em nove países. Essas áreas também têm espécies exclusivas, ou seja, que ocorrem apenas em uma determinada sub-região.

Enquanto algumas zonas florísticas são grandes – como a sub-região 1 (as ilustrações estão no link), próximas aos Andes – outras são pequenas e periféricas, como a sub-região 13, próxima ao Cerrado brasileiro. Algumas espécies que caracterizam estas duas sub-regiões são, respectivamente, Jacaranda macrantha (caroba) e Astrocaryum chambira (palmeira chambira); e Astronium fraxinifolium (gonçalo-alves) e Cochlospermum regium (algodão do cerrado).

A mudança climática e o futuro das espécies

Além disso, os cientistas quiseram investigar – também com base em estatísticas-se as características dessas sub-regiões estão relacionadas às atividades humanas e aos fatores ambientais e históricos. Por exemplo, a estabilidade da vegetação ao longo de milhares de anos.

“A importância das atividades humanas que observamos na distribuição das sub-regiões indica limpeza e fragmentação de florestas como resultado da invasão de terras e agricultura em larga escala”, diz Karla Silva-Souza.

“Os números também sugerem que o atual regime de chuvas e temperatura influencia a distribuição das sub-regiões e indica o profundo impacto que a mudança climática poderia ter na organização espacial da flora amazônica”, acrescenta ela.

O co-autor Alexandre Souza explica que o aumento da frequência dos anos secos na região amazônica deve causar expansão de certas sub-regiões florísticas e contração de outras. “Algumas sub-regiões podem ter suas extensões territoriais aumentadas porque têm mais espécies tolerantes à baixa pluviosidade. Estas proliferariam enquanto outras sub-regiões com plantas menos tolerantes à seca perderiam espécies e território”.

O conhecimento da distribuição espacial da flora é essencial para proteger a Amazônia, diz Karla Silva. “Muito pouco se sabe sobre as espécies que existem na região, mas à medida que aprendemos mais sobre elas através de pesquisas florísticas e esforços de identificação, divisões espaciais mais precisas podem ser estabelecidas”.

A Floresta Amazônica abriga 25% da biodiversidade global e é uma das principais forças no equilíbrio climático e biogeoquímico da Terra. Karla Silva diz que esforços de classificação como este podem ajudar a protegê-la. “Conhecer a distribuição espacial da flora nas sub-regiões contribui para aumentar o número de espécies protegidas, uma vez que os esforços de conservação são direcionados de acordo com sua distribuição na vasta região”.

CITAÇÃO:
Silva-Souza, Karla; Souza, Alexandre (2020), Woody plant subregions of the Amazon forest, Dryad, Dataset https://doi.org/10.5061/dryad.kh189322x


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