Poluição de plástico nos oceanos pode espalhar doenças fatais aos humanos


Pixabay

Microplásticos que entram em nossas águas podem atuar como um mecanismo de transporte de longa distância para que patógenos humanos e animais, como bactérias, se espalhem para novas áreas.

Mesmo sendo ultra-minúsculas, essas partículas de plástico estimulam a formação de biofilmes — uma comunidade de micróbios, incluindo patógenos, que formam uma camada viscosa na superfície.

Moluscos como mexilhões e ostras têm um sistema alimentar de filtragem que os torna muito suscetíveis à ingestão desses pedaços de plástico contaminados. Essa transferência de patógenos do plástico para a vida marinha pode exterminar as populações de moluscos em algumas regiões ou até mesmo passar os patógenos para os humanos que consomem esses animais.

Os pesquisadores afirmam que ainda existem lacunas de conhecimento sobre como os microplásticos oceânicos transportam bactérias e vírus assim que se infiltram no oceano, e se isso afeta a saúde de humanos e animais.

“Fragmentos de microplásticos se diferem marcadamente de partículas flutuantes naturais, e há evidências crescentes de que eles representam um reservatório potencial de patógenos”, disse o Dr. Ceri Lewis, do Instituto de Sistemas Globais da Universidade de Exeter. “O que é particularmente preocupante são os relatos crescentes da presença de vários patógenos em superfícies de plástico nos oceanos ao redor do mundo.”

Existem milhões de toneladas de plástico atingindo os oceanos do mundo anualmente e trilhões de partículas flutuando na superfície. Porém, essas partículas de plástico são conhecidas por transportar combinações específicas de metais, poluentes e patógenos — bactérias, vírus e outros microorganismos que causam doenças.

Um estudo anterior encontrou bactérias resistentes a antimicrobianos em concentrações entre 100 e 5.000 vezes maiores nas superfícies microplásticas do que na água do mar circundante.

A resistência antimicrobiana (AMR) ocorre quando as bactérias se adaptam em resposta aos modernos medicamentos e produtos químicos antibacterianos. Mas os efeitos de tudo isso sobre os animais marinhos e os humanos são desconhecidos, disse Lewis.

O novo estudo enfoca nas implicações para a indústria da aquicultura — a reprodução, criação e a colheita de peixes, crustáceos e outros organismos marinhos.
A aquicultura é agora o setor de alimentos de mais rápido crescimento e um bom caminho para aumentar a produção de alimentos em todo o mundo, visando alimentar uma população global em crescimento.
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura reconheceu a necessidade de dobrar a produção de frutos do mar até 2050 para atender à demanda global, com um deficit de 28 milhões de toneladas projetado na próxima década.
Em particular, os bivalves, uma classe de moluscos que inclui mexilhões e ostras, “sem dúvida oferece a rota primária para a intensificação sustentável da produção global”, dizem os especialistas.
Os bivalves são filtradores, o que significa que eles ingerem partículas de alimentos ou pequenos organismos filtrando-os aleatoriamente da água circundante.
No entanto, essa estratégia é muito suscetível à absorção de microplásticos, e estudos de laboratório e de campo já mostraram que mexilhões e ostras absorvem rapidamente partículas de microplástico da água do mar.
A contaminação microplástica média para bivalves varia de 1,5 a 7,64 partículas por indivíduo, mas com registros de até 178 partículas por indivíduo.
De maneira preocupante, números surpreendentemente altos de um tipo de bactéria marinha chamada vibrião foram encontrados em níveis elevados em microplásticos, incluindo aqueles do meio do Oceano Atlântico Norte.
“Sabe-se que algumas bactérias vibrião contribuem para doenças em bivalves, muitas vezes causando mortalidade em massa entre as larvas e, em alguns casos, em populações de bivalves adultas”, disse o Dr. Craig Baker-Austin, da Universidade de Exeter.
A equipe afirma que os biofilmes que surgem rapidamente em superfícies microplásticas provavelmente desempenham um papel fundamental no apoio às comunidades patogênicas únicas em sua superfície.

As superfícies lisas e comparativamente grandes dos plásticos em microescala podem ser adequadas para o crescimento de comunidades patogênicas. Viver dentro de um biofilme é altamente benéfico para os micróbios e pode torná-los mais infecciosos, conforme relatado para a bactéria Vibrio cholerae, com aumento no nível de resposta metabólica.

Pesquisas anteriores também descobriram uma riqueza maior de microorganismos que possuem genes antimicrobianos em plásticos do que na água do mar. Os microplásticos poderiam atuar como um local especial para uma troca mais eficaz de genes entre as bactérias, aumentando sua resistência a produtos químicos antibacterianos feitos pelo homem.

Até o momento, nenhum estudo analisou as diferenças entre como os biofilmes se formam em partículas naturais e de plástico, como alimentos e zooplâncton, embora os pesquisadores planejem investigar no futuro.

“Há uma série de artigos que descobriram bactérias potencialmente patogênicas em números muito maiores em microplásticos do que em partículas naturais, mas outros estudos não encontraram nenhuma diferença real entre o número de patógenos potenciais entre partículas de plástico e naturais”, disse o Dr. Lewis ao MailOnline. “É o que mais é absorvido na partícula plástica e sua composição química em comparação com as partículas naturais, como madeira ou zooplâncton, que acreditamos que torna os microplásticos uma preocupação maior para a fixação de patógenos.”

Os pesquisadores também mapearam a abundância de plásticos da superfície do mar em relação às áreas onde animais marinhos são explorados para consumo de maneira intensiva. Isso revelou áreas onde a transferência de patógenos poderia teoricamente ocorrer.

Um desses pontos de acesso está na China, onde 57 partículas microplásticas por indivíduo foram relatadas no molusco Yesso, explorado para consumo humano. Apesar de ter uma grande abundância de microplásticos, o Mediterrâneo possui um número relativamente baixo de partículas microplásticas por mexilhão.

Muitos estudos sugeriram que pode ocorrer a transferência de doenças do plástico para os organismos que os ingerem, mas isso não foi demonstrado experimentalmente.

“É um dos muitos riscos emergentes que devemos considerar como resultado do impacto humano no oceano e destaca a conexão entre os riscos do oceano, da saúde e segurança públicas”, concluiu Geir Myre, chefe global da empresa AXA XL.

O estudo foi publicado na Trends in Microbiology.


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