Justiça mantém urso Robinho em zoo e ONG luta pela liberdade do animal


Reprodução/Jornal Nacional/Globo

O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) acatou o pedido da Procuradoria-Geral do Município de Goiânia (PGM) e derrubou a liminar que determinava a transferência do urso Robinho para o Santuário Rancho dos Gnomos. Com a nova decisão, o animal permanecerá no Zoológico de Goiânia. O local, segundo o Fórum de Proteção e Defesa Animal, não oferece estrutura adequada ao urso.

A decisão judicial entristeceu a causa animal, que mais uma vez se uniu em uma campanha pela transferência do urso. No próximo domingo (30), uma carreata será realizada para exigir que Robinho possa viver no santuário. O evento será iniciado às 9h, em frente à entrada principal do Zoológico de Goiânia, na Alameda das Rosas, St. Oeste. Para participar, é necessário respeitar o distanciamento social e fazer uso de máscara por conta da pandemia de coronavírus.

Nas campanhas realizadas na internet em prol do urso, defende-se o posicionamento de que Robinho não é objeto de entretenimento para ser mantido preso em um zoológico para garantir diversão ao público. Argumenta-se também que a liberdade do urso não tem preço – isso porque, embora o animal nunca mais possa voltar à natureza, o conceito de liberdade seria respeitado, dentro das possibilidades do cativeiro, se a transferência ocorresse, porque no santuário o urso desfrutaria de mais de 2 mil metros quadrados para viver, espaço consideravelmente maior do que o recinto do zoológico, com pouco mais de 600 metros quadrados.

Os argumentos do Fórum Animal, no entanto, não foram considerados desta vez, mas a entidade não desistirá de tentar comover o Judiciário com a triste história de Robinho, condenado à vida no zoológico há 17 anos, quando nasceu para ser explorado para entretenimento humano.

Reprodução/Instagram/@
ursoslucyerobinho

O desembargador Sebastião Fleury, o mesmo que havia deferido liminar favorável à transferência do urso, voltou atrás e determinou que Robinho permaneça no zoo. “A fim de evitar desgastes de toda ordem, inclusive com aprolação de diversas decisões, em curto intervalo de tempo, e por figurar o Urso Robinho, animal a ser acautelado, como o maior prejudicado diante de toda a situação exposta defiro o pedido de efeito suspensivo ao agravo interno”, diz trecho da decisão do magistrado.

Antes de ingressar com recurso na Justiça, a Prefeitura de Goiânia construiu um novo recinto para Robinho. O urso vivia em um espaço reduzido, com 300 metros quadrados, com uma piscina que ficava constantemente vazia, conforme exposto em imagens registradas por visitantes do zoológico. Após a decisão judicial determinar a transferência do animal para o Rancho dos Gnomos, um novo recinto foi construído.

O Fórum Animal, no entanto, lembra que as mudanças não são suficientes. Em seu novo recinto, Robinho vive em um espaço de 680 metros quadrados, com uma piscina de 10 mil litros de água e ar-condicionado. No santuário, o urso desfrutaria de uma temperatura naturalmente mais baixa, o que por si só é melhor do que o ar criado artificialmente que lhe foi oferecido. Além disso, ele viveria em um ambiente com mais de 2 mil metros quadrados, com uma piscina natural de mais de 80 mil litros de água e cavernas.

No santuário, Robinho poderia contemplar o horizonte, ver as árvores, sentir o ar puro gerado por elas, e ouvir o canto dos pássaros. Ao contrário do zoológico, onde o urso se depara com as paredes e é obrigado a suportar o barulho de visitantes que nunca estariam no Rancho dos Gnomos, já que o santuário não é aberto ao público justamente para garantir bem-estar aos animais abrigados.

Em um vídeo publicado nas redes sociais (confira abaixo), a ONG apontou os motivos pelos quais manter Robinho no zoológico não é o melhor para o urso e lembrou que “ele não nos pertence” e não deve ser visto como um “objeto de estudo e exposição”.

“Seu novo recinto no zoológico de Goiânia é maior sim, 600 metros quadrados. Com lago novo que provavelmente estará sempre vazio, como o público sempre presenciou em todos esses anos”, afirmou a ONG, que anexou ao vídeo imagens que mostram Robinho dentro da piscina vazia.

“Continuarão os muros altos, o clima quente, o horizonte negado, a inexistência do silêncio preciso, da paz necessária. Tudo camuflado por tijolos novos, pintura fresca, vegetação escassa”, completou.

Reprodução/Instagram/@269life.nordeste

A decisão que determinou a manutenção do urso no Zoológico de Goiânia surpreendeu a entidade. Em entrevista ao G1, a advogada do Fórum Animal, Ana Paula de Vasconcelos, informou que a ONG pretende recorrer na Justiça.

“Nós respeitamos a decisão, mas não concordamos. Esperamos que as provas técnicas trazidas aos autos e com toda as denúncias que vem sendo feitas durante anos, a turma autorize novamente a transferência do urso Robinho, e que isso possa ser feito de maneira tranquila e rápida”, afirmou.

“Nós não podemos conceber que esse animal continue passando por sofrimento. Apesar da maquiagem que a prefeitura fez no seu recinto, nós continuamos afirmando que as cinco liberdades do Robinho são violadas constantemente e que ele não desfruta de qualquer bem-estar animal. Para isso, nós precisamos que a população continua mobilizando nas redes sociais e que não é uma pintura nova que vai mudar a vida do Robinho”, concluiu.

Um abaixo-assinado pede a transferência de Robinho para o santuário. Até a publicação desta reportagem, mais de 35 mil internautas tinham assinado a petição. Para aderir a essa luta, clique aqui.

Confira o vídeo divulgado pelo Fórum Animal:


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