HSBC alerta investidores sobre envolvimento da JBS no desmatamento da Amazônia


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Analistas do banco HSBC, gigante global, soaram o alarme sobre os potenciais riscos de se investir na JBS, a maior empresa de carne do mundo, após uma série de investigações trazer preocupações sobre o fato de sua cadeia de fornecimento de carne estar ligada ao desmatamento da Amazônia.

A gigante da carne “não tem visão, plano de ação, cronograma, tecnologia ou solução” para monitorar se o gado que compra é originário de fazendas envolvidas na destruição da floresta tropical, segundo análise do banco, que tem investimentos substanciais na conturbada empresa.

Recentemente, em relatório financeiro sobre a JBS – obtido pela Bureau of Investigative Journalism (Agência de Jornalismo Investigativo) –, analistas do HSBC disseram ter perguntado “diversas vezes” à empresa sobre seu plano de enfrentamento ao desmatamento, mas permaneceram insatisfeitos com as respostas, o que os levou a concluir que “a pressão está sobre a JBS”.

Os analistas expressaram inquietação de que, em sua opinião, a empresa havia permitido que um concorrente menor assumisse a bandeira da questão do desmatamento, depois que a Marfrig – outro exportador brasileiro de carne bovina – se comprometeu com a rastreabilidade total de seu gado amazônico até 2025.

“Nunca vimos um grande líder do setor negligenciar um assunto tão sério para a indústria, perdendo espaço para um participante menor”, disse o relatório. “É o maior risco que nos preocupa em relação à JBS, porque indica o grau de seriedade e propósito sobre os assuntos de governança ambiental (ESG – environmental and social governance – governança ambiental e social) para uma empresa que, em nossa opinião, tem algo a provar.”

E acrescenta: “Há uma benefício na avaliação do valor da companhia que vem junto com o fato de ela ser a maior fornecedora de soluções para o desmatamento no Brasil e, infelizmente, não vemos a JBS inclinada a liderar e conquistar esse título”.

A JBS, que tem receita anual de 50 bilhões de dólares e mata quase 35 mil animais por dia no Brasil, está sob crescente pressão dos investidores em relação ao seu histórico ambiental. A divisão de investimento do maior grupo de serviços financeiros do norte da Europa retirou a empresa de seu portfólio no mês passado. A JBS está agora excluída dos ativos vendidos pela Nordea Asset Management, que controla um fundo de 230 bilhões de euros.

O relatório do HSBC cita uma investigação recente do Bureau, do The Guardian e do Repórter Brasil, revelando que caminhões da JBS haviam recolhido gado em uma fazenda marcada como alvo de sanções do governo por desmatamento ilegal e transportado os animais para uma fazenda “limpa”, que por sua vez vendia animais para matadouros da JBS.

A JBS contestou essas revelações, mas não deu uma explicação clara sobre de onde vinham os caminhões que estavam recolhendo os animais. A investigação motivou pedidos para que supermercados e redes de fast food parassem imediatamente de negociar com a JBS.

Analistas do HSBC discutiram a recente tentativa da JBS de separar a parte brasileira de seus negócios do resto de suas operações globais, a fim de impulsionar o braço internacional da empresa na Bolsa de Valores de Nova York, retirando o “risco Amazônia” para investidores.

O relatório também faz menção a outras questões históricas. “Após seu legado de problemas de governança e corrupção, o conselho da JBS e a liderança sênior precisam de provas de que a empresa realmente iniciou um novo capítulo com mais responsabilidade sobre questões de ESG.”

Apesar de expressar preocupações, o relatório do HSBC ainda recomenda a compra de ações da JBS. “Gostamos da JBS por sua história de redução de dívidas, portfólio diversificado de proteínas, alcance geográfico, liderança na indústria e escala. Sua proposta de listagem na bolsa de Nova York provavelmente melhoraria a governança, se feita corretamente, reduziria o custo de capital e posicionaria estrategicamente a empresa para novas oportunidades de crescimento.”

O HSBC detém ações e títulos da JBS no valor de cerca de US$ 9 milhões, de acordo com uma pesquisa recente da ONG Feedback.

O HSBC disse ao Bureau que a maior parte desses títulos foram adquiridos em nome de outras partes e que, nesses casos, o banco não tem participação na decisão de investir em empresas específicas.

O relatório do banco vem em meio à indignação global sobre o destino da maior floresta tropical do mundo. A Amazônia é um tampão crucial para estabilizar o clima regional e global. Especialistas dizem que sua preservação é essencial para combater a emergência climática.

No ano passado, um estudo sobre cadeia de fornecimento realizada pela iniciativa Trase concluiu que as exportações globais de carne da JBS estavam ligadas a cerca de 300 km² de desmatamento por ano no Brasil.

A JBS disse ao Bureau e ao The Guardian: “Como devemos reportar resultados aos nossos investidores e partes interessadas ainda esta semana, acreditamos que é uma boa prática evitar mais comentários neste momento. Obrigado, como sempre, pelo seu interesse em nossa empresa”.


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