Espécie vulnerável

Queimadas ameaçam santuário de araras-azuis no Pantanal

Além de serem alvos do tráfico, as araras-azuis sofrem com os incêndios florestais, que ameaçam sua existência

PIXABAY
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As queimadas no Pantanal ameaçam a existência da arara-azul, espécie considerada vulnerável à extinção. Em 1º de agosto, o fogo chegou à fazenda São Francisco de Perigara, que abriga aproximadamente 700 araras.

O local, situado em Barão de Melgaço, no Mato Grosso, é um dos maiores santuários da espécie no Brasil. E parte dele foi destruído pelas chamas.

Segundo a bióloga Neiva Guedes, o proprietário do local cercou e protegeu a fazenda para abrigar as araras há quase 60 anos, quando elas escolheram as árvores da propriedade para viver.

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Em 2014, a arara-azul saiu do Livro Vermelho de Espécies Ameaçadas de Extinção do Brasil graças ao trabalho da pesquisadora, que estuda a espécie há 30 anos e é presidente do Instituto Arara Azul. Agora, os incêndios ameaçam esses animais e os brigadistas têm dificuldade para controlá-los.

“O fogo é muito rápido. A vegetação seca vira uma pólvora. Só vai acabar quando queimar tudo ou quando chover”, disse a especialista, em entrevista à BBC Brasil.

As equipes se esforçam para proteger pontos importantes da fazenda, como a sede, onde as araras dormem. E não tem sido em vão. Na quinta-feira (13), a situação melhorou. Logo os estragos devem ser avaliados. Os pesquisadores temem que os ninhos tenham sido atingidos – são 20 artificiais e 30 naturais.

A maior parte dos ninhos são instalados em cavidades de árvores. Como não conseguem abrir os buracos nos troncos, as aves dependem de árvores grandes e velhas para botar seus ovos. Para facilitar esse processo, ninhos artificiais são produzidos.

LUCIANO CANDISANI

Com a chegada do fogo, o número de árvores disponíveis é reduzido. Com isso, as araras passam a disputar o espaços com outras espécies. A oferta de alimentos, como castanhas, também diminui.

O temor em relação aos incêndios não é atoa. Em 2019, a fazenda Caiman, em Miranda (MS), sofreu com as queimadas. Abrigo da espécie, o local teve ninhos destruídos, inclusive com filhotes. A restrição alimentar também levou outras espécies a caçar as araras, além de seus ovos. “A gente nunca viu tanta arara adulta ser predada”, afirmou a bióloga.

Lesões também foram identificadas nas aves. A suspeita é que os ferimentos sejam decorrentes do estresse ao qual esses animais foram submetidos.

Apesar das dificuldades, a população da espécie aumentou na fazenda São Francisco nas últimas décadas. Em um período de 15 anos, a bióloga notou um crescimento de 234 a 708 aves. Entre 2013 e 2015, mais de mil animais foram registrados. Outros 60 filhotes nasceram na fazenda desde 2010.

As ameaças, no entanto, persistem. Além das queimadas, esses animais são alvos do tráfico. Para piorar, Guedes avalia que os incêndios estão cada vez piores. Segundo ela, há uma clara relação entre o fogo no Pantanal e o desmatamento na Amazônia.

BRIGADISTA PERDIGÃO

Com o desmate, altera-se o regime de chuvas e a umidade levada da floresta amazônica para outras regiões, inclusive o Pantanal. Com a seca, o fogo se propaga mais facilmente.

Especialistas temem que as condições que levaram à piora nas queimadas no Pantanal sejam o “novo normal”, o que colocaria o bioma em risco. No caso da fazenda São Francisco, a região registra os piores índices atuais de queimadas, o que preocupa os defensores das araras-azuis.


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