Porca resgatada com ferimento grave na cabeça pode ter sido baleada no RJ

Mariana
August 11, 2020

Lili foi encontrada com ferimento na cabeça repleto de larvas (Divulgação)

Uma porca foi resgatada na última sexta-feira (7) após ser encontrada gravemente ferida na cidade de São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Imagens do animal foram divulgadas nas redes sociais e chegaram até o grupo de proteção animal “Direct Action EveryWhere DxE RJ”, que realizou o resgate e encaminhou a porca para a ONG Golias. A suspeita é que o animal tenha sido baleado.

O ativista vegano Marcus Paulo Mourão integrou a equipe de resgate. Fundador e presidente do DxE RJ, ele contou à ANDA que o grupo tem células em vários países. “Nós fazemos ações diretas em qualquer lugar e qualquer hora, levando a voz dos animais para o mundo. Além das ações diretas, fazemos ações de intervenção em supermercados, lojas e em qualquer lugar que exista exploração animal. Também realizamos resgates de animais que sofreram maus-tratos e em matadouros e aviários. Os animais são sempre levados para algum santuário, sítio ou fazenda de alguém que seja vegano e não os fará mal”, afirmou.

Após acompanhar pedidos de ajuda para a porca e notar que ninguém estava se mobilizando para salvá-la, Mourão decidiu agir. O resgate, no entanto, foi bastante complicado e demorado. Assustado e com dor, o animal fugiu e entrou em um local de difícil acesso, na região da Travessa Peixoto, no bairro Santa Catarina.

Pela manhã, a equipe de resgate tentou laçar a porca, que correu para um morro em meio ao mato. Segundo Mourão, o local é ingrime e repleto de espinhos, “difícil de caminhar”. “Tivemos muita dificuldade para pegá-la”, disse.

Diante da situação, o Corpo de Bombeiros foi acionado, mas não colaborou com o resgate. De acordo com o ativista, os militares estiveram no local, mas “não quiseram entrar no mato para procurar a porca e foram embora”.

A equipe de ativistas, no entanto, não desistiu. Mais pessoas chegaram, incluindo a médica veterinária Luciana Melo, e no período do tarde foi possível resgatar a porca, que, segundo Mourão, “aparecia e sumia no mato”. Por volta das 18h30, após ser encurralado em um local sem espaço para fuga, o animal foi resgatado. “Fui por trás dela e a veterinária, que foi pela frente, conseguiu laçar a porca e aplicar um sedativo nela, só assim conseguimos amarrá-la e colocá-la na kombi”, contou.

No final do dia, a porca chegou ao bairro de Sepetiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde a ONG Golias está localizada, e uma nova fase de sua vida se iniciou. Lili, como passou a ser chamada, recebeu os primeiros socorros imediatamente.

“Os veterinários da ONG aplicaram anestesia, fizeram a limpeza do ferimento na cabeça da porca, tiraram algumas larvas, deram soro, remédio”, disse Mourão, que atestou ter sido oferecido “todo o cuidado necessário para o bem-estar da porca”.

O tratamento oferecido à Lili foi confirmado pela presidente da ONG Golias, Greicy Taranto. Em entrevista à ANDA, ela explicou que a entidade conta com uma equipe de veterinários que prontamente atenderam a porca na noite de sexta-feira. “Temos um hospital veterinário à disposição com veterinários de grandes e pequenos animais, domésticos e silvestres”, contou.

Segundo ela, o animal chegou no abrigo da entidade em estado grave e corre risco de morte. No hospital, Lili fez exames e foi diagnosticada com anemia, infecção e peso abaixo do ideal. Em sua cabeça, os veterinários notaram uma “grande ferida cranial” com miíase – popularmente conhecida como bicheira, trata-se de uma condição que se caracteriza pela presença de larvas que comem o animal vivo.

Apesar de correr risco de morte, Lili responde bem ao tratamento (Divulgação)

Greicy explicou que a porca está respondendo bem ao tratamento, mas o processo é lento e difícil, não só pela complexidade, mas também por se tratar de um animal assustado, que provavelmente era explorado para consumo e que sofreu com a crueldade e o descaso da sociedade e, por isso, carrega traumas.

“Ela corre risco de morte sim, é um animal que não foi vacinado, do qual não temos um histórico completo, nem exames mais aprofundados ainda”, apontou a ativista, que soube do estado deplorável de Lili através da internet.

“Soube através das redes sociais, mas pelo que entendi ela já vagava há uns dias pela rua, sendo enxotada, escorraçada. Busquei informações e a maioria das pessoas dizia que ela já estava morta e mesmo assim eu continuei com as buscas até conseguir contato com uma pessoa que estava perto dela e disse que ela estava viva ainda, mas debilitada. Então comecei a falar com o Marcus, que se prontificou a trazê-la para nós”, explicou.

Greicy teve a confirmação de que a porca estava viva na quinta-feira (6), um dia antes dela chegar à sede da entidade. Segundo a presidente da ONG, o animal é medroso, “mas não é bravo como disseram”. O que Lili precisava, na verdade, era de uma chance de ser amada e respeitada, como está sendo agora.

Sobre o animal ter sido realmente baleado, a presidente da ONG explicou que isso pode, de fato, ter acontecido. Após moradores da região onde Lili estava relatarem ao ativista Marcus Paulo Mourão que a causa do ferimento teria sido um tiro, os veterinários confirmaram a possibilidade de Lili ter sido alvejada de raspão. “Não ficaram fragmentos da munição, mas acreditamos ter sido tiro de raspão sim, já que todos lá comentaram a mesma história”, explicou Greicy. “Mas também pode ter sido paulada”, completou.

Apesar de tanto sofrimento, cruzar o caminho de Lili tem sido uma experiência gratificante para Greicy. “Sempre buscamos acolher, reabilitar animais que, em geral, encontram-se em suas piores condições. Como somos um hospital veterinário de referência, são com esses casos difíceis de recuperar que mostramos o nosso trabalho. E mostramos também que não existe nada impossível quando se tem amor, recursos e bons profissionais, além de muita vontade de ajudar o próximo, seja humano ou animal”, afirmou a presidente da ONG. “Hoje podemos dizer que ela terá a chance de viver com dignidade pelo resto de sua vida”, acrescentou.

O sentimento de gratidão também está presente no ativista Marcus Paulo Mourão, que é vegano há 19 anos e atua no grupo DxE RJ há 4 anos. “Percebi que minha missão neste mundo é levar a voz dos animais para qualquer lugar e em qualquer situação, em nome da libertação de todos eles”, disse.

“Quando vou em matadouros procuro sempre os mais feridos e mais doentes para dar todo o meu amor, mesmo que eu não os resgate, mas pelo menos naquele momento que estou ali ele sabe que está sendo muito amado. Quando os resgato do matadouro, parece que rola uma conexão tão forte que eles me agradecem depois. Fico muito satisfeito, bastante feliz quando consigo completar um resgate”, concluiu.

No mesmo local em que a porca foi resgatada, um cavalo debilitado foi encontrado. O animal está magro, repleto de carrapatos, com um ferimento com larvas na orelha e uma bolsa de pus em uma das patas. Com dor, ele não apoia a pata no chão ao se movimentar. A suspeita é de que ela esteja quebrada. Para salvá-lo, Mourão iniciou uma campanha de arrecadação que visa obter fundos para pagar os custos do transporte do animal até o Santuário das Fadas. As doações podem ser feitas através das redes sociais do ativista e do santuário, além do Instagram do DxE RJ.

Lili precisa de sua ajuda

Para arcar com os custos do tratamento de Lili, que será longo, e manter os outros animais resgatados pela entidade, Greicy iniciou uma campanha de arrecadação de fundos. Atualmente, a ONG Golias mantém cerca de 150 animais, entre aves, porcos, cachorros, cavalos, gatos, cabras e animais silvestres.

ONG Golias mantém cerca de 150 animais resgatados de maus-tratos e abandono (Divulgação)

Além de depender de doações, o projeto social também se mantém através dos recursos obtidos com o hospital veterinário. Com profissionais que são referência no atendimento a animais domésticos e silvestres, o local não só cuida dos animais resgatados pela entidade, como presta atendimento particular a animais tutelados por moradores do Rio de Janeiro. Segundo Greicy, “são cobrados valores sociais”.

Atualmente, o hospital está localizado na avenida Santa Ursulina, 333, em Sepetiba, onde permanecerá até meados de novembro, quando a sede passará para outro número na mesma rua – após a mudança, o novo endereço será divulgado pela entidade. O abrigo dos animais resgatados também mudará de local, sendo levado para um sítio que está sendo reformado para recebê-los.

Antes e depois de cavalo resgatado pela ONG Golias (Divulgação)

Além disso, os recursos do hospital também são destinados a ações sociais voltadas aos humanos, sendo crianças, idosos e carroceiros locais. No caso das pessoas que exploram cavalos para puxar carroças, o “fundamento final” das ações, segundo Greicy, “são os cavalos”.

“Usamos algumas estratégias para atingir nosso objetivo principal, que é a qualidade de vida dos cavalos. Já que o governo não toma medidas para tentar melhorar a vida desses animais, nós estamos fazendo o que achamos melhor e mais seguro para nós, que é conscientizar, oferecer atendimento e realizar palestras com informações sobre manuseio e conhecimentos das leis de maus-tratos”, explicou.

No abrigo da entidade, animais que costumam ser mortos pela sociedade para consumo humano são tratados com amor e respeito (Divulgação)

Para manter o projeto voltado aos animais, a entidade realiza também um bazar e recebe doações de “produtos de limpeza e alimentos para os animais em geral”. O bazar é realizado na Rua José Fernandes, 31, de terça a sábado, das 9h às 17h.

Interessados em colaborar, doando produtos ou qualquer quantia em dinheiro, devem entrar em contato com a entidade para buscar mais informações e ter acesso às contas bancárias da associação, que tem os perfis “ONG Golias” e “Hospital Golias de Veterinária Social” no Facebook e no Instagram, e também pode ser contactada pelos telefones (21) 99284-4878 e (21) 4111-5592.

Tiossss, sou eu Lili 🐷.
To passando aqui para que vcs não esqueçam das minhas ajudinhas ,
Eu preciso dar continuidade no…

Publicado por ONG Golias em Segunda-feira, 10 de agosto de 2020


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